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Dar a vida. Comentario para os Esposos: João 1-19, 42

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 1-19, 42

Naquele tempo,
Jesus saiu com os seus discípulos
para o outro lado da torrente do Cedron.
Havia lá um jardim, onde Ele entrou com os seus discípulos.
Judas, que O ia entregar, conhecia também o local,
porque Jesus Se reunira lá muitas vezes
com os discípulos.
Tomando consigo uma companhia de soldados
e alguns guardas,
enviados pelos príncipes dos sacerdotes e pelos fariseus,
Judas chegou ali, com archotes, lanternas e armas.
Sabendo Jesus tudo o que Lhe ia acontecer,
adiantou-Se e perguntou-lhes:
J «A quem buscais?».
N Eles responderam-Lhe:
R «A Jesus, o Nazareno».
N Jesus disse-lhes:
J «Sou Eu».
N Judas, que O ia entregar, também estava com eles.
Quando Jesus lhes disse: «Sou Eu»,
recuaram e caíram por terra.
Jesus perguntou-lhes novamente:
J «A quem buscais?».
N Eles responderam:
R «A Jesus, o Nazareno».
N Disse-lhes Jesus:
J «Já vos disse que sou Eu.
Por isso, se é a Mim que buscais,
deixai que estes se retirem».
N Assim se cumpriam as palavras que Ele tinha dito:
«Daqueles que Me deste, não perdi nenhum».
Então, Simão Pedro, que tinha uma espada,
desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote,
cortando-lhe a orelha direita.
O servo chamava-se Malco. Mas Jesus disse a Pedro:
J «Mete a tua espada na bainha.
Não hei de beber o cálice que meu Pai Me deu?».
N Então, a companhia de soldados,
o oficial e os guardas dos judeus
apoderaram-se de Jesus e manietaram-n’O.
Levaram-n’O primeiro a Anás,
por ser sogro de Caifás,
que era o sumo sacerdote nesse ano.
Caifás é que tinha dado o seguinte conselho aos judeus:
«Convém que morra um só homem pelo povo».
Entretanto, Simão Pedro seguia Jesus
com outro discípulo.
Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote
e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote,
enquanto Pedro ficava à porta, do lado de fora.
Então o outro discípulo, conhecido do sumo sacerdote,
falou à porteira e levou Pedro para dentro.
A porteira disse a Pedro:
R «Tu não és dos discípulos desse homem?».
N Ele respondeu:
R «Não sou».
N Estavam ali presentes os servos e os guardas,
que, por causa do frio, tinham acendido um braseiro
e se aqueciam.
Pedro também se encontrava com eles a aquecer-se.
Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus
acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.
Jesus respondeu-lhe:
J «Falei abertamente ao mundo.
Sempre ensinei na sinagoga e no templo,
onde todos os judeus se reúnem,
e não disse nada em segredo.
Porque Me interrogas?
Pergunta aos que Me ouviram o que lhes disse:
eles bem sabem aquilo de que lhes falei».
N A estas palavras, um dos guardas que estava ali presente
deu uma bofetada a Jesus e disse-Lhe:
R «É assim que respondes ao sumo sacerdote?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Se falei mal, mostra-Me em quê.
Mas, se falei bem, porque Me bates?».
N Então Anás mandou Jesus manietado
ao sumo sacerdote Caifás.
Simão Pedro continuava ali a aquecer-se.
Disseram-lhe então:
R «Tu não és também um dos seus discípulos?».
N Ele negou, dizendo:
R «Não sou».
N Replicou um dos servos do sumo sacerdote,
parente daquele a quem Pedro cortara a orelha:
R «Então eu não te vi com Ele no jardim?».
N Pedro negou novamente,
e logo um galo cantou.
Depois, levaram Jesus da residência de Caifás ao Pretório.
Era de manhã cedo. Eles não entraram no pretório, para
não se contaminarem e assim poderem comer a Páscoa.
Pilatos veio cá fora ter com eles e perguntou-lhes:
R «Que acusação trazeis contra este homem?».
N Eles responderam-lhe:
R «Se não fosse malfeitor, não t’O entregávamos».
N Disse-lhes Pilatos:
R «Tomai-O vós próprios, e julgai-O segundo a vossa lei».
N Os judeus responderam:
R «Não nos é permitido dar a morte a ninguém».
N Assim se cumpriam as palavras que Jesus tinha dito,
ao indicar de que morte ia morrer.
Entretanto, Pilatos entrou novamente no pretório,
chamou Jesus e perguntou-Lhe:
R «Tu és o Rei dos judeus?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «É por ti que o dizes,
ou foram outros que to disseram de Mim?».

N Disse-Lhe Pilatos:
R «Porventura sou eu judeu?
O teu povo e os sumos sacerdotes
é que Te entregaram a Mim.
Que fizeste?».
N Jesus respondeu:
J «O meu reino não é deste mundo.
Se o meu reino fosse deste mundo,
os meus guardas lutariam
para que Eu não fosse entregue aos judeus.
Mas o meu reino não é daqui».
N Disse-Lhe Pilatos:
R «Então, Tu és Rei?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «É como dizes: sou Rei.
Para isso nasci e vim ao mundo,
a fim de dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».
N Disse-Lhe Pilatos:
R «Que é a verdade?».
N Dito isto, saiu novamente para fora e declarou aos judeus:
R «Não encontro neste homem culpa nenhuma.
Mas vós estais habituados
a que eu vos solte alguém pela Páscoa.
Quereis que vos solte o Rei dos judeus?».
N Eles gritaram de novo:
R «Esse não. Antes Barrabás».
N Barrabás era um salteador.
Então Pilatos mandou que levassem Jesus
e O açoitassem.
Os soldados teceram uma coroa de espinhos,
colocaram-Lha na cabeça
e envolveram Jesus num manto de púrpura.
Depois aproximavam-se d’Ele e diziam:
R «Salve, Rei dos judeus».
N E davam-Lhe bofetadas.
Pilatos saiu novamente para fora e disse:
R «Eu vo-l’O trago aqui fora,
para saberdes que não encontro n’Ele culpa nenhuma».

N Jesus saiu,
trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura.
Pilatos disse-lhes:
R «Eis o homem».
N Quando viram Jesus,
os príncipes dos sacerdotes e os guardas gritaram:
R «Crucifica-O! Crucifica-O!».
N Disse-lhes Pilatos:
R «Tomai-O vós mesmos e crucificai-O,
que eu não encontro n’Ele culpa alguma».
N Responderam-lhe os judeus:
R «Nós temos uma lei
e, segundo a nossa lei, deve morrer,
porque Se fez Filho de Deus».
N Quando Pilatos ouviu estas palavras, ficou assustado.
Voltou a entrar no pretório e perguntou a Jesus:
R «Donde és Tu?».
N Mas Jesus não lhe deu resposta.
Disse-Lhe então Pilatos:
R «Não me falas? Não sabes que tenho poder
para Te soltar e para Te crucificar?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Nenhum poder terias sobre Mim,
se não te fosse dado do alto.
Por isso, quem Me entregou a ti tem maior pecado».
N A partir de então, Pilatos procurava libertar Jesus.
Mas os judeus gritavam:
R «Se O libertares, não és amigo de César:
todo aquele que se faz rei é contra César».
N Ao ouvir estas palavras,
Pilatos trouxe Jesus para fora
e sentou-se no tribunal,
no lugar chamado «Lagedo», em hebraico «Gabatá».
Era a Preparação da Páscoa, por volta do meio-dia.
Disse então aos judeus:
R «Eis o vosso Rei!».
N Mas eles gritaram:
R «À morte, à morte! Crucifica-O!».

N Disse-lhes Pilatos:
R «Hei de crucificar o vosso Rei?».
N Replicaram-lhe os príncipes dos sacerdotes:
R «Não temos outro rei senão César».
N Entregou-lhes então Jesus, para ser crucificado.
E eles apoderaram-se de Jesus.
Levando a cruz,
Jesus saiu para o chamado Lugar do Calvário,
que em hebraico se diz Gólgota.
Ali O crucificaram, e com Ele mais dois:
um de cada lado e Jesus no meio.
Pilatos escreveu ainda um letreiro
e colocou-o no alto da cruz; nele estava escrito:
«Jesus, o Nazareno, Rei dos judeus».
Muitos judeus leram esse letreiro,
porque o lugar onde Jesus tinha sido crucificado
era perto da cidade.
Estava escrito em hebraico, grego e latim.
Diziam então a Pilatos
os príncipes dos sacerdotes dos judeus:
R «Não escrevas: ‘Rei dos judeus’,
mas que Ele afirmou: ‘Eu sou o Rei dos judeus’».
N Pilatos retorquiu:
R «O que escrevi está escrito».
N Quando crucificaram Jesus,
os soldados tomaram as suas vestes,
das quais fizeram quatro lotes, um para cada soldado,
e ficaram também com a túnica.
A túnica não tinha costura:
era tecida de alto a baixo como um todo.
Disseram uns aos outros:
R «Não a rasguemos, mas lancemos sortes,
para ver de quem será».
N Assim se cumpria a Escritura:
«Repartiram entre si as minhas vestes
e deitaram sortes sobre a minha túnica».
Foi o que fizeram os soldados.
Estavam junto à cruz de Jesus
sua Mãe, a irmã de sua Mãe,
Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
Ao ver sua Mãe e o discípulo predileto,
Jesus disse a sua Mãe:
J «Mulher, eis o teu filho».
N Depois disse ao discípulo:
J «Eis a tua Mãe».
N E a partir daquela hora,
o discípulo recebeu-a em sua casa.
Depois, sabendo que tudo estava consumado
e para que se cumprisse a Escritura,
Jesus disse:
J «Tenho sede».
N Estava ali um vaso cheio de vinagre.
Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre
e levaram-Lha à boca.
Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou:
J «Tudo está consumado».
N E, inclinando a cabeça, expirou.
N Por ser a Preparação, e para que os corpos
não ficassem na cruz durante o sábado,
– era um grande dia aquele sábado –
os judeus pediram a Pilatos
que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro,
depois ao outro que tinha sido crucificado com ele.
Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto,
não Lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados
trespassou-Lhe o lado com uma lança,
e logo saiu sangue e água.
Aquele que viu é que dá testemunho
e o seu testemunho é verdadeiro.
Ele sabe que diz a verdade,
para que também vós acrediteis.
Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz:
«Nenhum osso Lhe será quebrado».
Diz ainda outra passagem da Escritura:
«hão de olhar para Aquele que trespassaram».
Depois disto, José de Arimateia,
que era discípulo de Jesus,
embora oculto por medo dos judeus,
pediu licença a Pilatos para levar o corpo de Jesus.
Pilatos permitiu-lho.
José veio então tirar o corpo de Jesus.
Veio também Nicodemos,
aquele que, antes, tinha ido de noite ao encontro de Jesus.
Trazia uma mistura de quase cem libras de mirra e aloés.
Tomaram o corpo de Jesus
e envolveram-no em ligaduras juntamente com os perfumes,
como é costume sepultar entre os judeus.
No local em que Jesus tinha sido crucificado,
havia um jardim e, no jardim, um sepulcro novo,
no qual ainda ninguém fora sepultado.
Foi aí que, por causa da Preparação dos judeus,
porque o sepulcro ficava perto,
depositaram Jesus.

 

Dar a vida. 

Vemos Jesus na Paixão, que não é uma vítima passiva, mas que se entrega voluntariamente por amor. É Ele quem diz: «Ninguém me tira a vida, eu  entrego-a livremente»

São João permite-nos contemplar a verdade. Um Deus que ama até ao extremo, que dá a vida pela sua esposa, a Igreja, e transforma a cruz em fonte de vida eterna. Será que eu dou a vida pelo meu marido?

 

Transposição para a vida matrimonial:

Isabel: Francisco, ver Jesus na sua Paixão dá-me muito em que pensar, e vejo que no matrimónio somos chamados a esse mesmo «amor até ao extremo».

Francisco: Sim, Isabel, tens razão, mas às vezes, o cansaço ou as ofensas tentam-nos a «lavar as mãos» como Pilatos ou a «negar-nos» como Pedro.

Isabel: Pois… no entanto, o nosso próprio Sacramento dá-nos a graça e a força para nos entregarmos e darmos a vida no quotidiano. Amar é a decisão de morrer a nós próprios para que o outro viva. Na nossa entrega mútua, o mundo deve ver o amor de Cristo.

Francisco: Tens toda a razão, mas… Ufa… como é difícil às vezes… Que tal rezarmos um pouco e pedirmos a graça ao Senhor para que nos ajude nesta entrega mútua?

Isabel: Claro que sim, Francisco, vamos a isso!

Isabel e Francisco: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ámen. Senhor Jesus, dá-nos a graça de viver o nosso matrimónio com um «sim» constante, para que possamos entregar-nos sem reservas em todos os momentos, nas dificuldades e nas alegrias. Que o nosso amor não seja deste mundo, mas que seja um reflexo do Teu, ámen.

Mãe,

Tu também amaste como o Senhor, ensina-nos a amar-nos com essa entrega. Bendito e louvado seja o Senhor.


Deixa‑te amar. Comentario para os casais: João 13, 1-15

Leitura do Santo Evangelho segundo S. João 13, 115
Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo. O diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a decisão de o entregar. Enquanto celebravam a ceia, Jesus, sabendo perfeitamente que o Pai tudo lhe pusera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura. Chegou, pois, a Simão Pedro. Este disse-lhe: «Senhor, Tu é que me lavas os pés?» Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer tu não o entendes por agora, mas hás de compreendê-lo depois.» Disse-lhe Pedro: «Não! Tu nunca me hás de lavar os pés!» Replicou-lhe Jesus: «Se Eu não te lavar, nada terás a haver comigo.» Disse-lhe, então, Simão Pedro: «Ó Senhor! Não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» Respondeu-lhe Jesus: «Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos.»
Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: ‘Nem todos estais limpos’. Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também.

Deixa‑te amar.

Hoje, Quinta‑Feira Santa, Jesus mostra‑nos que amar “até ao fim” é escolher amar o marido/a mulher todos os dias, mesmo quando custa. Na vida conjugal, lavar os pés significa acolher as fragilidades do marido ou da mulher sem julgar, servir sem medir, amar em silêncio. Cuidar dos pequenos detalhes, aqueles que sustentam o amor de cada dia.

Mas no matrimónio não se ama apenas dando; ama‑se também deixando‑se amar com humildade. Como Pedro, por vezes resistimos a deixar‑nos amar, mas o Senhor convida‑nos também a receber. O serviço mútuo purifica o coração e renova a aliança diariamente.

Somos chamados a descobrir o rosto de Cristo no nosso marido/mulher e a aprender a amar como Ele ama, fazendo da nossa vida um dom constante um para o outro, mesmo quando o outro tem os pés sujos.

Transposição para a vida Matrimonial

Xavier (chega do trabalho e atira‑se para o sofá): Não aguento mais, foi um dia horrível. María (da cozinha): Eu também não parei o dia todo. (silêncio tenso)

María (suspira, aproxima‑se de Xavier): Olha… queres que te prepare alguma coisa para jantar? Xavier (olha para ela, surpreendido): A sério? Mas tu estás tão cansada como eu, ou mais. María: Sim, mas hoje quero cuidar de ti. Xavier (endireita‑se): Então jantamos juntos e depois arrumo eu. María (sorrindo): Combinado. Xavier: Às vezes esquecemo‑nos de que servir é a forma mais simples de dizer “amo‑te”. María: Sim. É isso que o Senhor nos ensina: servir, acolher, curar, entregar‑se, lavar os pés. Eu quero imitá‑lo. Xavier: E eu também. Mas sozinhos não conseguimos, precisamos d’Ele.

Mãe

Ensina‑nos a amar nos pequenos gestos de serviço. Bendito seja o teu Filho precioso, o servo de todos.


Contemplarei a Tua Paixão. Comentario para os casais: Mateus 26, 14-25

Evangelho do dia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 26, 14-25

Naquele tempo,

um dos Doze, chamado Iscariotes,

foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes:

«Que estais dispostos a dar-me para vos entregar Jesus?»

Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata.

A partir de então,

Judas procurava uma oportunidade para O entregar.

No primeiro dia dos Ázimos,

os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe:

«Onde queres que façamos os preparativos

para comer a Páscoa?»

Ele respondeu:

«Ide à cidade, a casa de tal pessoa, e dizei-lhe:

‘O Mestre manda dizer:

O meu tempo está próximo.

É em tua casa que Eu quero celebrar a Páscoa

com os meus discípulos’».

Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha mandado

e prepararam a Páscoa.

Ao cair da tarde, sentou-Se à mesa com os Doze.

Enquanto comiam, declarou:

«Em verdade, em verdade vos digo:

Um de vós Me entregará».

Profundamente entristecidos,

começou cada um a perguntar-Lhe:

«Serei eu, Senhor?»

Jesus respondeu:

«Aquele que meteu comigo a mão no prato

é que vai entregar-Me.

O Filho do homem vai partir,

como está escrito acerca d’Ele.

Mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue!

Melhor seria para esse homem não ter nascido».

Judas, que O ia entregar, tomou a palavra e perguntou:

«Serei eu, Mestre?»

Respondeu Jesus:

«Tu o disseste».

Contemplarei a Tua Paixão

Meu querido Senhor, como nos dói esta cena! Um dos Teus amigos, a entregar-Te. Os outros, a duvidar de si próprios. Tu, tão sozinho.

Dói ainda mais quando me apercebo de que também eu Te deixei sozinho muitas vezes. Pior ainda, também eu Te entreguei à cruz por algumas moedas. Cada pecado é como entregar-Te por aquelas «moedas» que são um momento de prazer, um «apetece-me tanto», algumas palavras fora de tom, uma crítica, uma falta de entrega…

Senhor, magoa-me profundamente ter-Te entregado à cruz tantas vezes. Aí estás Tu, a sofrer terrivelmente, flagelado, pregado, dilacerado… por causa do meu pecado.

Meu bom Jesus, não quero pecar mais. Nestes dias santos, contemplarei a tua Paixão cheio de mágoa pelo que te fiz. Cheio de arrependimento para nunca mais o fazer. Cheio de amor pelo que fizeste por mim, por te teres entregado até à morte pela minha salvação.

E cheio de esperança para acolher toda a misericórdia e a graça que brotam do teu Coração traspassado, para, com a força do teu Espírito Santo, levar uma vida de oração e sacramentos, que rejeite o pecado, que apenas deseje encher-se do teu Amor para se entregar como Tu, para amar como Tu.

Amo-Te tanto, Senhor! Mil vezes obrigado por tudo.

Transposição para a Vida Matrimonial

Catarina: André, gostava que esta semana santa fosse especial. Que acompanhemos o Senhor, a sério, na Sua Paixão. Que tenhamos consciência de que se entregou por nós. Que aquele “medo a ponto de morrer”, aquela suor de sangue, aquelas chicotadas, aquela tortura, aquela crucificação, foram por nós.

André: Realmente é incrível o que o Senhor teve de fazer por nós. Entristece-me tanto não ter sido consciente da gravidade dos meus pecados. Cada um dos meus pecados, exigiu de Jesus aquela tortura. Sei que através da confissão a Sua misericórdia me perdoou. Mas como cada futuro pecado meu irá acrescentar mais dor à Sua tortura, não quero pecar mais. Sei que sou pecador, mas vou fazer tudo o que está ao meu alcance para não voltar a cair. Seguir, com determinação uma vida de oração e sacramentos e um caminho de purificação do meu coração para, com a Sua Graça, poupá-lo a mais sofrimento.

Catarina: Sim, e com a esperança de saber que do seu Coração trespassado brota tudo o que precisamos para percorrer esse caminho de santidade. Não temos desculpa, Ele deu-nos tudo o que precisamos para o alcançar. Vamos em frente com determinação!

Mãe,

Ajuda-nos a viver estes dias santos levados pela Tua Mão, tal como Tu, unidos ao Teu Filho. E cheios de gratidão. Bendito e louvado seja Deus!

Quem és tu? Comentário para os esposos: João 13, 21-33. 36-38

Evangelho do dia
Leitura do Santo Evangelho segundo São João 13, 21-33. 3638
Naquele tempo,
estando Jesus à mesa com os discípulos,
sentiu-Se intimamente perturbado e declarou:
«Em verdade, em verdade vos digo:
Um de vós Me entregará».
Os discípulos olhavam uns para os outros,
sem saberem de quem falava.
Um dos discípulos, o predileto de Jesus,
estava à mesa, mesmo a seu lado.
Simão Pedro fez-lhe sinal e disse:
«Pergunta-Lhe a quem Se refere».
Ele inclinou-Se sobre o peito de Jesus e perguntou-Lhe:
«Quem é, Senhor?»
Jesus respondeu:
«É aquele a quem vou dar este bocado de pão molhado».
E, molhando o pão, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão.
Naquele momento, depois de engolir o pão,
Satanás entrou nele.
Disse-lhe Jesus:
«O que tens a fazer, fá-lo depressa».
Mas nenhum dos que estavam à mesa
compreendeu porque lhe disse tal coisa.
Como Judas era quem tinha a bolsa comum,
alguns pensavam que Jesus lhe tinha dito:
«Vai comprar o que precisamos para a festa»;
ou então, que desse alguma esmola aos pobres.
Judas recebeu o bocado de pão e saiu imediatamente.
Era noite.
Depois de ele sair, Jesus disse:
«Agora foi glorificado o Filho do homem
e Deus foi glorificado n’Ele.
Se Deus foi glorificado n’Ele,
também Deus O glorificará em Si mesmo
e glorificá-l’O-á sem demora.
Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco.
Haveis de procurar-Me
e, assim como disse aos judeus,
também agora vos digo:
não podeis ir para onde Eu vou».
Perguntou-Lhe Simão Pedro:
«Para onde vais, Senhor?».
Jesus respondeu:
«Para onde Eu vou, não podes tu seguir-Me por agora;
seguir-Me-ás depois».
Disse-Lhe Pedro:
«Senhor, por que motivo não posso seguir-Te agora?
Eu darei a vida por Ti».
Disse-Lhe Jesus:
«Darás a vida por Mim?
Em verdade, em verdade te digo:
Não cantará o galo,
sem que Me tenhas negado três vezes».

Quem és tu?
Ao ler este evangelho e fazédo um exame de consciência, percebemos que, por vezes, podemos assemelhar-nos mais a uns discípulos ou a outros, e devemos «escolher» que tipo de cônjuge queremos ser:
Por vezes, podemos ser como Judas: amando-nos mais a nós próprios do que a Deus e, por isso, incapazes de amar mais ninguém. Aparentemente fiéis, embora, no fundo do nosso coração, saibamos que estamos a trair o nosso cônjuge sempre que podemos, pois procuramos o nosso próprio benefício e felicidade acima de tudo.
Outras vezes, podemos ser como Pedro: em certas situações, surge o conflito entre o nosso amor-próprio e o amor a Deus. Somos cônjuges fiéis e dedicados, mas, de vez em quando, o medo toma conta de nós e duvidamos se teremos cometido um erro no nosso casamento, duvidamos da dádiva que é o nosso cônjuge.
E também podemos ser como João: quando professamos um amor puro e totalmente dedicado a Deus, um amor sem hipocrisia, com o qual nos mantemos firmes no nosso compromisso porque estamos unidos a Deus, e é essa união que faz com que o nosso sacramento cresça e se renove a cada dia.
Como podemos constatar, não depende do que nós queremos, mas sim do tipo de união que temos com o Senhor, que é o que definirá o tipo de «discípulo-cônjuge» que poderemos vir a ser.

Transposição para a vida Matrimonial 
Miguel: Ana, lembro-me que, quando nos casámos, fi-lo porque queria que me fizesses feliz; procurava a minha felicidade acima de tudo. Eras como um «meio» para a alcançar.
Ana: Compreendo-te, Miguel… é verdade que, naquela altura, não estavas muito ligado a Deus e, por vezes, esse teu interesse transparecia na forma como agias.
Miguel: Sim… Graças a Deus, aos poucos comecei a perceber do que se tratava tudo isto e percebi que também eu tinha de dar o meu melhor, embora, de vez em quando, me surgissem dúvidas. Foi nessa altura que houve momentos em que me perguntei se teria cometido um erro ao casar contigo.
Ana: Lembro-me bem desses anos, foram difíceis, mas eu agarrava-me a Deus e rezava para pedir-Lhe muita força e para permanecer fiel, para que Ele te ajudasse a acreditar no sacramento tal como Ele o tinha pensado.
Miguel: Graças ao Projecto Amor Conjugal, o Senhor fez-me perceber que devíamos contar com Ele no nosso casamento, que isto não era apenas uma questão entre nós os dois, e assim comecei a lutar para O ter presente, através da oração e dos sacramentos.
Ana: É verdade, agora somos um casal renovado, porque ambos o fundamentámos no nosso amor a Deus, o que faz com que Ele esteja nos nossos corações e no nosso casamento. Deus pode renovar tudo!

Mãe,

Agradecemos-Te por nos levares até ao Teu Filho e por nos protegeres sob o Teu manto.
Bendito e louvado seja Deus!


Cuidar do detalhe. Comentário para os esposos: João 12, 1-11

Leitura do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
12, 1-11

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. 

Ofereceram-Lhe lá um jantar: Marta andava a servir e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Jesus.
Então Maria tomou uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-Lhos com os cabelos; e a casa encheu-se com o perfume do bálsamo.
Disse então Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que havia de entregar Jesus: «Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários,
para dar aos pobres?»
Disse isto, não porque se importava com os pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa comum, tirava o que nela se lançava.
Jesus respondeu-lhe: «Deixa-a em paz: ela tinha guardado o perfume para o dia da minha sepultura. Pobres, sempre os tereis convosco;
mas a Mim, nem sempre Me tereis».
Soube então grande número de judeus que Jesus Se encontrava ali e vieram, não só por causa de Jesus,  mas também para verem Lázaro,
que Ele tinha ressuscitado dos mortos.
Entretanto, os príncipes dos sacerdotes resolveram matar também Lázaro,  porque muitos judeus, por causa dele,  se afastavam e acreditavam em Jesus.

Cuidar do detalhe

Às vezes, o nosso amor parece-se muito com aquela casa de Betânia: há dias de rotina, de serviço silencioso, de mesa partilhada… e, sem darmos conta, Jesus está ali, no meio de nós. É muito impressionante a atitude de Maria. Não calcula, não mede, não guarda nada para si. Simplesmente ama… e nota-se. Derrama o melhor que tem, sem medo que seja demasiado.
Talvez nós, com o tempo, tenhamos aprendido a amar com mais prudência do que paixão: dando apenas o necessário, cuidando de não “exceder”, esperando que o outro dê primeiro.
E, no entanto, o amor que realmente transforma o casamento é aquele que se antecipa, que surpreende, que se entrega sem fazer contas. Esse gesto gratuito, esse detalhe que “não fazia falta”, essa ternura que quebra a rotina… isso é o perfume que volta a encher a casa.
Também aparece Judas, e é mais próximo do que parece. Está nessas vozes interiores que nos dizem: “não vale a pena”, “para quê tanto esforço?”, “não muda nada”. Quando escutamos isso, o amor torna-se frio, prático… e perde a sua beleza.
Hoje, este Evangelho sussurra-nos algo muito simples: não deixemos de perfumar o nosso casamento. Não deixemos de ter gestos gratuitos, de cuidar das pequenas coisas, de amar sem medida… Porque, quando um dos dois se atreve a amar assim, algo muda! E, pouco a pouco, toda a casa — toda a nossa vida — volta a encher-se desse “bom perfume” que nos recorda porque começámos este caminho juntos.

Transposição para a vida matrimonial:

Alexandre: Hoje lia o Evangelho de Betânia… e, não sei, fez-me pensar em nós. Pela forma como Maria se comporta… isso de amar sem medida… Impressiona-me como derrama o perfume sem pensar se é muito ou pouco. E apercebi-me de que eu, muitas vezes, contigo faço exatamente o contrário.

Catarina: Em que sentido?

Alexandre: No sentido em que calculo. Às vezes penso “já fiz o suficiente hoje”, ou “agora é a vez dela”… e esqueço-me simplesmente de te amar sem fazer contas.

Catarina: (sorri) Pois, não és o único… eu também faço isso. É como se o amor se tornasse prático, eficiente… mas menos bonito.

Alexandre: Sim… e depois há aquela vozinha tipo Judas… “para quê tanto esforço?”, “no fim de contas, não muda nada…”.

Catarina: Uiii, essa conheço bem. Sobretudo nos dias maus.

Alexandre: Mas aquilo de Maria tocou-me… Porque o gesto dela parecia exagerado… e Jesus não só não a trava, como a defende, como quem diz: este é o verdadeiro amor, aquele que não tem medo de ser demasiado. E pensei: há muito tempo que não “derramo perfume” contigo.

Catarina: Perfume?

Alexandre: Sim… pequenos detalhes sem motivo, tempo sem pressas, carinho sem que o peças… essas coisas que antes nos saíam naturalmente.

Catarina: (com voz mais suave) Também gostava de voltar a isso…

Alexandre: E se começarmos outra vez? Sem esperar que o outro mude primeiro.

Catarina: E que a casa se encha de perfume… pode ser que isso também aconteça aqui.

Alexandre: Vamos tentar. Eu começo hoje.

Catarina: (a rir) Está bem… mas cuidado, não fiques a meio.

Mãe,

Tu que soubeste amar sem medida, ensina-nos a viver o nosso casamento com um coração generoso e entregue. 

Bendita sejas para sempre, Mãe.