Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele chegou aos doze anos, subiram até lá, segundo o costume da festa. Terminados esses dias, regressaram a casa e o menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. Pensando que Ele se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos quantos o ouviam, estavam estupefactos com a sua inteligência e as suas respostas. Ao vê-lo, ficaram assombrados e sua mãe disse-lhe: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» Ele respondeu-lhes: «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse. Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.
Arquivo mensal: Junho 2026
Humildade para o descanso. Comentário para os esposos: Mateus 11, 25-30
Evangelho do dia:
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 11, 25-30
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».
Humildade para o descanso.
Jesus revela que as coisas mais importantes de Deus não se compreendem a partir da inteligência ou da superioridade, mas sim a partir da pequenez, para O deixarmos entrar. Agir a partir do orgulho, a partir do meu amor-próprio, cansa-nos porque não fomos criados para isso; fomos criados como filhos de Deus para agir à Sua imagem e semelhança. Agir a partir do amor, com amor e por amor. E isto só é possível se formos pequenos para que Deus entre.
Assim, no nosso dia-a-dia, acreditamos que o nosso cansaço vem das dificuldades externas, mas grande parte desse cansaço vem de querer ter razão segundo o meu critério, de querer controlar a situação, de querer estar acima do meu marido/ da minha mulher, ou de esperar que o outro mude, mas, na verdade, é o nosso orgulho que nos sobrecarrega com um jugo pesado.
Por isso, o Senhor chama os cansados e oprimidos, para que aprendamos do seu coração «manso e humilde», para que nos tornemos pequenos e vivamos com humildade, reconhecendo que precisamos Dele, que é realmente onde encontraremos paz e descanso.
Transposição para a vida matrimonial:
Maria: João Carlos, outra vez a descansar? Estás sempre na mesma, mal me viro, fazes o mesmo. Não te envolves em nada nas coisas de casa.
João Carlos: Como assim, outra vez na mesma? Tu é que fazes sempre o mesmo, estás sempre a querer que eu faça as coisas como tu dizes!
Maria: Olha, estou exausta, a organização da casa, o trabalho, os miúdos… não aguento mais!
João Carlos: Maria, acho que devíamos rezar um pouco, pois ambos precisamos disso.
Maria: Sim, tens razão…
(Após o momento de oração)
João Carlos: Sabes que mais? Quero pedir-te desculpa, porque quando te zangas comigo, fecho-me ainda mais em mim mesmo e, em vez de te ajudar, acabo por te magoar ainda mais.
Maria: Bem, eu percebi que estou exausta, não só por tudo o que temos de fazer, mas também pela minha necessidade de querer fazer tudo à minha maneira.
João Carlos: Acho que é isto que nos falta: recorrer mais vezes ao Senhor e deixar que seja Ele a ajudar-nos a ambos. Depois de rezarmos, sinto sempre que o nosso fardo não desaparece, mas fica muito mais leve.
Maria: Tens toda a razão! Vamos propor a nós próprios rezar todos os dias para podermos contar com Ele no nosso dia-a-dia.
João Carlos: Ótimo!
Mãe,
Ensina-nos a ser humildes. Louvado seja o Senhor.

Ser luz. Comentário para os esposos: Mateus 5, 16-25

A lógica de Deus. Comentário para os esposos: Mateus 5, 1 – 12
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 5, 1 – 12
Naquele tempo, ao ver as multidão, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa. Assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós».
Palavra da salvação.
A lógica de Deus
Através das bem-aventuranças, vemos quão diferente é a lógica humana da lógica de Deus. Jesus apresenta-nos um conjunto de atitudes que nos ensinam a amar verdadeiramente, tornando-nos felizes aqui na Terra e plenamente bem-aventurados no Céu.
Na vida de um casal, estas palavras adquirem uma profundidade muito concreta:
Convida-nos a ser «pobres em espírito»: a viver na humildade e não na autossuficiência, reconhecendo que precisamos um do outro e que ambos precisamos de Deus.
Ensina-nos que seremos consolados se, no casamento, vivermos as feridas, desilusões, doenças, preocupações e cansaços com Amor e por Amor.
Chama-nos também à mansidão, que se vive quando amo e renuncio a impor-me, quando procuro a comunhão antes de querer ganhar uma discussão.
Mostra-nos que seremos saciados de Amor se tivermos fome de amar cada vez mais e melhor o nosso marido ou mulher, procurando amá-lo como Deus o ama.
Fala-nos da necessidade de sermos «misericordiosos», perdoando uma e outra vez, do mesmo modo que Deus nos perdoa.
Convida-nos a ser «puros de coração», e isso acontece quando olhamos para o nosso cônjuge com amor verdadeiro, sem manipulação, sem segundas intenções, sem guardar ressentimentos, valorizando todos os dias o dom que Deus nos confiou.
Indica-nos qual é o caminho a seguir como filhos de Deus: «trabalhar pela paz», a paz do lar e da família, que se constrói com cada gesto de reconciliação, cada palavra amável e cada ato silencioso de serviço.
Além disso, adverte-nos de que seremos «perseguidos por causa da justiça» quando procuramos viver a Verdade sem nos deixarmos enganar pelos critérios do mundo: sendo fiéis à indissolubilidade do casamento, apesar do que nos rodeia, abertos à vida e defensores da doutrina da Igreja.
As bem-aventuranças mostram-nos o caminho do Amor. Aproveitemos a viagem do Papa a Espanha para refletirmos profundamente sobre esta lógica de Deus.
Transposição para a vida matrimonial
Teresa: Joaquim, as bem-aventuranças fazem-me pensar que a felicidade do nosso casamento não chegará quando deixarmos de ter problemas ou dificuldades. Ela já está nas nossas mãos, se vivermos tudo isto apoiando-nos mutuamente na descoberta e no amor à Vontade de Deus.
Joaquim: Tens razão. Às vezes apetece-me fugir de tudo isto, por sermos perseguidos por defendermos a verdade do casamento e da família. Mas, graças a Deus, o Senhor semeou no nosso coração essa fome e sede de defender a justiça divina. Hoje, ao rezar, percebi que Ele precisa de nós, e que Ele cuidará de nós e disporá o que for melhor para o nosso bem.
Teresa: Exatamente. Vivamo-lo, então, com muita paz e mansidão.
Joaquim: E com um bom jantar! Porque, falando em fome, lembrei-me de que hoje ainda não comeste e o teu corpo está a pedir justiça…
Teresa: Ahahah
Mãe,
ensina-nos a viver as bem-aventuranças no nosso casamento e dá-nos um coração humilde para reconhecermos que precisamos de Deus.
Bendito seja Deus.

Comida lixo. Comentário para os esposos: João 6, 51-58
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 6, 51-58
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a Minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo».
Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a Sua Carne a comer?».
Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu Sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. A Minha Carne é verdadeira comida e o Meu Sangue é verdadeira bebida. Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim, e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».
Comida lixo
De que deus me alimento? Do trabalho, do dinheiro, da imagem, das redes sociais… do meu esposo/a quando procuro controlá-lo/a e exigir-lhe reconhecimento… Vivemos de grandes banquetes para calar uma voz, aliviar uma dor, enterrar um medo… e depois, movidos pelo remorso, enfrentar o “grande jejum”. E tudo recomeça.
Proponho-te algo diferente: a dieta de Cristo. Alimenta-te d’Ele começando pelas pequenas coisas, deixando-Lhe espaço para que te vá nutrindo: ao fim de semana, três episódios da tua série favorita em vez de quatro. Todos os dias, um gesto de entrega ao teu esposo/a sem esperar recompensa. Faz jejum de ter razão, do sarcasmo, da maledicência, do mexerico… Não se trata de fazer grandes jejuns. Trata-se de nos alimentarmos melhor: do que é bom, verdadeiro e belo. O resto, pouco a pouco, passarás a considerá-lo lixo.
Transposição para a vida matrimonial
João olhava para a sua vida e via uma rotina angustiante. Todos os dias, depois do trabalho, era sempre a mesma coisa: jantar rápido, um par de episódios de uma série, telemóvel na cama e dormir. Maria, a sua esposa, costumava dizer-lhe que o sentia distante, mas ele achava aquilo exagerado. «Estou aqui, não estou?», pensava.
Estava prestes a pôr mais um episódio quando ficou a olhar para o comando durante alguns segundos. A última catequese de São João Paulo II sobre o Amor divino entre os esposos, no último encontro de casais do Projeto Amor Conjugal, tinha-o tocado profundamente.
Estava verdadeiramente cansado. Cansado de se sentir sempre sobrecarregado e vazio ao mesmo tempo. E não via Deus em lado nenhum.
Por isso, desligou a televisão. E, em silêncio, rezou de coração. Não para se justificar nem para exigir nada a Deus, mas para Lhe mostrar a sua desordem interior e deixar que fosse Ele a tomar a iniciativa. No início, o silêncio incomodou-o imenso.
Nessa noite não disse nada. Mas, no dia seguinte, voltou a desligar a televisão um pouco mais cedo. Noutro dia, deixou o telemóvel fora do quarto. Noutro ainda, decidiu escutar Maria sem se defender imediatamente.
Eram coisas pequenas. Quase ridículas.
Mas naquele espaço começou a surgir uma paz diferente. Não porque os problemas tivessem desaparecido, mas porque já não precisava de encher tudo de ruído para não escutar o seu próprio coração. E, a partir daí, começou também a olhar para Maria de outra forma: menos como alguém que lhe exigia coisas e mais como alguém que partilhava com ele a mesma pobreza.
Sem se aperceber, Cristo tinha começado a entrar pela abertura que ele Lhe deixara. No silêncio, através da oração, que frutificava em pequenos gestos capazes de impregnar a sua vida de sentido e de eternidade.
Mãe,
Alimenta-nos do Teu Filho. Seja para sempre bendito e louvado Aquele que, com o Seu Sangue, nos redimiu.

