Arquivo diário: 4 Junho, 2026

Levantai o olhar.Comentário para os esposos: Marcos 12, 18-27

Leitura do Evangelho segundo São Marcos 12, 18-27

Naquele tempo, foram ter com Jesus alguns saduceus – que afirmam não haver ressurreição – e perguntaram-lhe: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se morrer a alguém um irmão, que deixe esposa sem filhos, esse homem deve casar-se com a viúva, para dar descendência a seu irmão’. Ora havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem deixar descendência. O segundo casou com a viúva e também morreu sem deixar descendência. O mesmo sucedeu ao terceiro. E nenhum dos sete deixou descendência. Por fim morreu também a mulher. Na ressurreição, quando voltarem à vida, de qual deles será ela esposa? Porque todos os sete se casaram com ela». Disse-lhes Jesus: «Não andareis vós enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus? Na verdade, quando ressuscitarem dos mortos, nem eles se casam, nem elas são dadas em casamento; mas serão como os Anjos nos Céus. Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no Livro de Moisés, no episódio da sarça ardente, como Deus disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’? Ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Vós andais muito enganados».

Levantai o olhar

ai o olhar Os saduceus apresentam a Jesus uma situação um pouco rebuscada para ridicularizar a ressurreição, tentando compreender a vida eterna com esquemas e categorias deste mundo. E isso acontece-nos muitas vezes. Talvez vivamos olhando demasiado para o chão, interpretando a vida a partir da nossa visão limitada, dos nossos critérios, presos a preocupações e certezas, esquecendo-nos muitas vezes de levantar o olhar e apontar para a meta. Hoje, o Senhor recorda-nos que fomos criados para a Vida eterna. Que bonito descobrir que o nosso matrimónio é um caminho para chegar ao céu, que Deus se serve do amor do meu/minha marido/mulher e também das suas limitações para alargar o nosso coração e conduzir-nos a Ele. Mas chegará um dia em que já não precisaremos de sinais nem de mediações, porque estaremos a ver o Rosto de Deus.
Senhor, hoje, na nossa oração, queremos despertar o desejo do céu, sonhá-lo, imaginá-lo, ansiar por aquele momento em que nos ajoelharemos para Te contemplar face a face e poderemos abraçar-Te, beijar as feridas que nos salvaram e louvar-Te eternamente. Então, derretidos de amor, compreenderemos que cada renúncia, cada cruz e cada ato de entrega nos estavam a preparar para esse abraço eterno. Esposos, levantai o olhar! «O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e ao coração do homem não alcançou, é o que Deus preparou para aqueles que O amam» (1 Cor 2,9).
O Papa Leão XIV visitará Espanha dentro de poucos dias, e o hino oficial da sua viagem ajuda-nos hoje a rezar: «Não fomos feitos para olhar para o chão… criaste-nos para olhar para o céu» «Levanto o olhar, os meus olhos em Jesus. Levanto o olhar, fixo na cruz». Bem-vindo, Santo Padre!

Transposição para a vida matrimonial

Marta: O médico disse que o tratamento vai ser longo…
Xavier: Não imaginava a nossa vida assim. Tudo mudou de repente: os nossos planos, as nossas expectativas… Não compreendo por que razão o Senhor permite esta situação precisamente agora.
Marta: Muitas vezes sinto que me estou a tornar um fardo para ti. Mas, Xavi, hoje pensei numa coisa… Imagina o dia em que estivermos juntos diante de Deus, face a face com Ele.
Xavier: impressionante!
Marta: Sim… e eu pensava… achas que, nessa altura, todo este peso que sentimos agora será assim tão importante?
Xavier: Bem… claramente que não.
Marta: Claro, o importante será o quanto amámos, o quanto confiamos, o quanto nos ajudámos mutuamente para chegar até Ele. Esta doença, tal como tantos outros problemas, será irrelevante. Terá sido um meio para nos purificarmos e aproximarmos um pouco mais de Deus.
Xavier: como tudo parece diferente quando pensamos no Céu!
Marta: Então, por que vivemos tantas vezes a olhar para o chão? Erguamos o olhar e caminhemos juntos em direção à meta para a qual fomos criados!

Mãe,

Porta do Céu, desperta no nosso coração o desejo da Vida eterna e ajuda-nos a procurar Deus juntos, para que um dia, pela Sua misericórdia, possamos contemplar face a face o Rosto de Jesus e ficar unidos para sempre a Ele.


Amar acima de tudo. Comentário para os esposos: Marcos 12, 28b-34

Leitura do Santo Evangelho segundo S. Marcos 1228b-34
Aproximou-se dele um escriba que os tinha ouvido discutir e, vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» Jesus respondeu: «O primeiro é: Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.»
O escriba disse-lhe: «Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e não existe outro além dele; e amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo vale mais do que todos os holocaustos e todos os sacrifícios.»
Vendo que ele respondera com sabedoria, Jesus disse: «Não estás longe do Reino de Deus.» E ninguém mais ousava interrogá-lo.

Amar acima de tudo.

Assim é e assim deve ser: amar a Deus sobre todas as coisas, acima de tudo e em qualquer situação. Perante a pergunta do escriba, o Senhor não responde com uma norma ou algo a cumprir; Ele diz‑nos que o amor é o primeiro. Não nascemos a saber amar, temos de aprender a amar todos os dias. O amor tem um centro, que é Deus, e diante de qualquer situação em que nos custe amar, renunciando e entregando‑nos, colocando Deus no centro desse momento, percebemos como o amor atua. Porque, ao amar a Deus acima de tudo, Ele ajuda‑nos a amar os outros.

No matrimónio, o próximo é o nosso marido/a nossa mulher, e temos de o/a amar no concreto: com paciência quando está cansado, escutando mesmo quando não apetece, falando com respeito em qualquer circunstância, cuidando dos pequenos detalhes, recomeçando depois de cada queda, estando sempre disponíveis um para o outro. Podemos ter uma vida cheia de obrigações, rotinas e tarefas, mas o essencial não é apenas fazer coisas pelo outro, é amá‑lo verdadeiramente em tudo.

Mas o esforço humano para se amarem pode esgotar‑se se não beber de uma fonte mais profunda. O matrimónio precisa de momentos de oração e de encontro com Deus para poder amar quando as forças humanas já não chegam.

Transposição para a vida Matrimonial
 

Verónica: O que achaste daquilo que este casal nos contou sobre o itinerário que nos propuseram para o nosso matrimónio?
Miguel: Não esteve mal. Mas talvez um pouco elevado para nós. Não te parece?
Verónica: Bem, depende da forma como olhares para isso. Tudo o que nos disseram, a maneira como o disseram e o que significou para eles agradou‑me bastante, e acho que devíamos falar sobre isso, tu e eu.
Miguel: Sim, foi muito bonito, mas nós já temos a vida bastante complicada com tantas coisas, e não sei se isto é para nós.
Verónica: Visto assim, pouco podemos fazer. Mas têm razão quando dizem que somos chamados a algo mais. Temos muito e damos muito, mas ao ouvi‑los falar percebi que estamos a perder alguma coisa.
Miguel: Não te falta razão, mas ainda nos falta muito para chegar ao que eles nos contaram. Embora reconheça que me deram vontade de tentar. Só de ver como se olhavam, e não apenas o que mudou na vida deles, tocou‑me bastante. Têm algo que não sei se nós alguma vez poderemos ter.
Verónica: Começando pelo mais importante: eles têm Deus na vida deles e no centro do matrimónio. Disseram‑no com bastante firmeza e clareza — para eles é uma prioridade acima de tudo.
Miguel: Sim, e isso falta‑nos a nós. É verdade que somos pessoas de fé, mas a mim sempre me deu muita preguiça. Embora tenha de reconhecer que sempre que recorri a Deus, tanto nas coisas boas como nas más, de alguma forma Ele nunca me deixou indiferente. Talvez devesse ver que é realmente uma prioridade e não apenas uma opção.
Verónica: És um homem bom, por quem me apaixonei, e nunca me cansei de agradecer a Deus por te ter colocado na minha vida. Ao ouvir‑te falar assim, os meus sentimentos renovam‑se e isso ajuda‑me muito em tudo.
Miguel: Talvez pudéssemos tentar, já que tudo o que nos aproxima de Deus nos ajuda sempre. Agora percebo que o mais especial que este casal tem — aquele que conhecemos hoje — é que têm Deus como parte inseparável da vida deles, e assim conseguem transformar a vida como nos contaram.
Verónica: Parece‑me ótimo. O pároco sugeriu que fôssemos a este anúncio para ver o que achávamos, e podemos propor começar um grupo na paróquia. O que dizes?
Miguel: Concordo contigo. Embora já tenhamos muito, certamente valerá a pena tentar. Atrai‑me muito a ideia do amor ao qual somos chamados e ao qual devemos aspirar.

Mãe
Ensina‑nos a amar o teu Filho com todo o coração e a descobri‑Lo no nosso marido/na nossa mulher; dá‑nos um amor paciente, humilde e fiel, capaz de perdoar e de recomeçar sempre. Que o nosso matrimónio não se sustente apenas em esforços humanos, mas na presença de Deus.
Bendito e louvado seja o Senhor.