Arquivo diário: 7 Junho, 2026

Comida lixo. Comentário para os esposos: João 6, 51-58

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 6, 51-58

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a Minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo».

Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a Sua Carne a comer?».

Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu Sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. A Minha Carne é verdadeira comida e o Meu Sangue é verdadeira bebida. Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim, e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».

Comida lixo

De que deus me alimento? Do trabalho, do dinheiro, da imagem, das redes sociais… do meu esposo/a quando procuro controlá-lo/a e exigir-lhe reconhecimento… Vivemos de grandes banquetes para calar uma voz, aliviar uma dor, enterrar um medo… e depois, movidos pelo remorso, enfrentar o “grande jejum”. E tudo recomeça.

Proponho-te algo diferente: a dieta de Cristo. Alimenta-te d’Ele começando pelas pequenas coisas, deixando-Lhe espaço para que te vá nutrindo: ao fim de semana, três episódios da tua série favorita em vez de quatro. Todos os dias, um gesto de entrega ao teu esposo/a sem esperar recompensa. Faz jejum de ter razão, do sarcasmo, da maledicência, do mexerico… Não se trata de fazer grandes jejuns. Trata-se de nos alimentarmos melhor: do que é bom, verdadeiro e belo. O resto, pouco a pouco, passarás a considerá-lo lixo.

Transposição para a vida matrimonial

João olhava para a sua vida e via uma rotina angustiante. Todos os dias, depois do trabalho, era sempre a mesma coisa: jantar rápido, um par de episódios de uma série, telemóvel na cama e dormir. Maria, a sua esposa, costumava dizer-lhe que o sentia distante, mas ele achava aquilo exagerado. «Estou aqui, não estou?», pensava.

Estava prestes a pôr mais um episódio quando ficou a olhar para o comando durante alguns segundos. A última catequese de São João Paulo II sobre o Amor divino entre os esposos, no último encontro de casais do Projeto Amor Conjugal, tinha-o tocado profundamente.

Estava verdadeiramente cansado. Cansado de se sentir sempre sobrecarregado e vazio ao mesmo tempo. E não via Deus em lado nenhum.

Por isso, desligou a televisão. E, em silêncio, rezou de coração. Não para se justificar nem para exigir nada a Deus, mas para Lhe mostrar a sua desordem interior e deixar que fosse Ele a tomar a iniciativa. No início, o silêncio incomodou-o imenso.

Nessa noite não disse nada. Mas, no dia seguinte, voltou a desligar a televisão um pouco mais cedo. Noutro dia, deixou o telemóvel fora do quarto. Noutro ainda, decidiu escutar Maria sem se defender imediatamente.

Eram coisas pequenas. Quase ridículas.

Mas naquele espaço começou a surgir uma paz diferente. Não porque os problemas tivessem desaparecido, mas porque já não precisava de encher tudo de ruído para não escutar o seu próprio coração. E, a partir daí, começou também a olhar para Maria de outra forma: menos como alguém que lhe exigia coisas e mais como alguém que partilhava com ele a mesma pobreza.

Sem se aperceber, Cristo tinha começado a entrar pela abertura que ele Lhe deixara. No silêncio, através da oração, que frutificava em pequenos gestos capazes de impregnar a sua vida de sentido e de eternidade.

Mãe,

Alimenta-nos do Teu Filho. Seja para sempre bendito e louvado Aquele que, com o Seu Sangue, nos redimiu.