Arquivo mensal: Junho 2026

Estou a ouvir-Te, Senhor. Comentario para os Esposos: Lc 1, 57-66

Evangelho do dia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 1, 57-66

Naquele tempo, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas, tomando a palavra, a mãe disse: «Não; há-de chamar-se João.»  Disseram-lhe: «Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.»  Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: «O seu nome é João.» E todos se admiraram. Imediatamente a sua boca abriu-se, a língua desprendeu-se-lhe e começou a falar, bendizendo a Deus. O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos, e por toda a montanha da Judeia se divulgaram aqueles factos. Quantos os ouviam retinham-nos na memória e diziam para si próprios: «Quem virá a ser este menino?» Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. Entretanto, o menino crescia, o seu espírito robustecia-se, e vivia em lugares desertos, até ao dia da sua apresentação a Israel..

 

Estou a ouvir-Te, Senhor.

Meu querido Jesus, muito obrigado pelo Teu primo, o Teu precursor, de quem disseste: «Não nasceu de mulher ninguém maior do que João Batista». Quanta luz nos dás quando rezamos a vida dos santos!

João disse que era necessário que ele diminuísse para que Tu crescesses. Se não nos formos tornando cada dia mais pequenos, sabendo que nada somos sem Ti, morrendo ao nosso «eu» desordenado, ao nosso amor-próprio, Tu não podes crescer no nosso coração, habitar nele.

João foi para o deserto em busca do silêncio. Só no silêncio Te podemos ouvir Senhor. Precisamos de Te ouvir para Te conhecer e para nos conhecermos a nós próprios.

João convidava ao arrependimento. Preciso de reconhecer o meu pecado, a minha fraqueza, para que Tu possas realizar a Tua obra em mim.

João levava uma vida de mortificação. A mortificação é necessária para purificar o meu coração, para me libertar dos meus apegos, para que o espírito possa guiar a minha vida e não seja a sensualidade do corpo a dirigi-la.

E João era consciente da indissolubilidade do matrimónio. Tanto que deu a sua vida para defender o matrimónio, sem hesitar em acusar o próprio rei por estar com uma mulher que não era a sua esposa.

São João, intercede por nós. Muito obrigado, Senhor.

 

Transposição para a vida matrimonial 

Estrela: João, queres outra cerveja?

João: Não, muito obrigado.

Estrela: A sério? Que estranho! E porquê?

João: Uma já chega, obrigado. Não dava qualquer importância àquela história da mortificação, parecia-me uma tolice. E estou a perceber que, se não me for libertando dessas pequenas escravidões que tinha, por mais pequenas que me parecessem e as justificasse, as batalhas maiores tornam-se mais difíceis de vencer.

Percebi que estas pequenas renúncias feitas por amor ao Senhor me ajudam a ter o coração mais atento e a ter o Senhor mais presente.

Estrela: Aah, já percebi! Tinha notado que, ultimamente, já não te irritavas com aquelas coisas que antes te deixavam nervoso e não estava a perceber porquê. Como o Senhor é grande!

João: Sim. Ele vai-me dando tanta luz na oração. No silêncio, vou descobrindo o Seu amor infinito. Quero amar como Ele. E percebi que tenho de ir purificando o meu coração com pequenas coisas, descobrindo e livrando-me de apegos para que Ele possa reinar no meu coração. E nem imaginas a paz que sinto, que alegria! É infinitamente melhor do que aquela cervejinha! 

Estrella: És tão querido! Por favor, ajuda-me a perseverar também.

 

Mãe,

Por favor, ensina-me a ouvir sempre o Teu Filho e a dar ouvidos à minha AA. A negar-me a mim mesmo, a abraçar a cruz de cada dia e a segui-Lo. Bendito e louvado seja Deus!


A porta estreita. Comentário para os esposos: Mateus 7, 6. 12-14

Evangelho do dia
Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 7, 6. 1214
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, não vão eles calcá-las aos pés e voltar-se para vos despedaçarem. Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam fazei-o também a eles, pois nisto consiste a Lei e os Profetas. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição e muitos são os que seguem por eles. Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida e como são poucos aqueles que os encontram!»

A porta estreita
Procuramos o Senhor no nosso dia-a-dia? Poderíamos dizer que sim… E queremos ser bons? Claro, não negamos isso e estamos de acordo. Mas, quando o Senhor começa a exigir-nos, já não temos tanta certeza de querer segui-Lo…
É muito bonito ser cristão e amar o próximo como a si mesmo, mas se tiver de amar o meu cônjuge acima do meu orgulho, então penso duas vezes, porque amar Cristo é simples, mas ser como Cristo não é. Dizer que estou disposto a dar a vida pelos outros soa muito bem, mas quando realmente tenho de a entregar no meu casamento, não é fácil. Jesus suou sangue no Getsêmani porque viu a dor e o sofrimento causados pelos nossos pecados e, por vezes, pede-nos que o ajudemos a carregar o peso dos pecados do cônjuge como meio de santificação.
O caminho que nos conduz à vida eterna passa pela Cruz e é estreito e cheio de sacrifícios. Contudo é precioso porque não o percorremos sozinhos: a cada momento caminhamos de mãos dadas com o Senhor, sem esquecer o fim último: a glória da Ressurreição.

Transposição para a vida Matrimonial 
A realidade da vida conjugal:
(Ana, na orientação espiritual, abre o coração ao seu director espiritual)
Ana: Senhor Padre, já não aguento mais o João, estou no limite. Olhe que há anos que rezo por ele e não há maneira de ele mudar, é como uma parede de pedra. Acho que todos os meus esforços não servem de nada, Deus não me ouve, tantas e tantas orações não serviram para nada.
Sacerdote: Vá lá, Ana, não desistas, é isso que o demónio quer, que desistas. Proponho-te uma coisa… porque não continuas a rezar, mas desta vez mudando a tua atitude?
Ana: Senhor Padre, o que quer dizer com isso de mudar a minha atitude?
Sacerdote: O que é que estás a pedir a Deus, que mude o João? Refiro-me a que peças ao Senhor que te dê um coração como o Dele, um coração compreensivo, misericordioso, um coração que saiba amar em todos os momentos, que não seja impaciente, um coração que não esteja sempre a olhar para todas as falhas do João, mas que se fixe em tudo o que ele faz de bom…

Ana: É impressionante,  Senhor Padre, há tantos anos que peço a Deus para mudar o João que isto que me pede agora parece-me que vai implicar uma grande mudança para mim. Parece-me muito difícil.

Sacerdote: Ana, ser cristão não significa mudar os outros, mas sim seguir Cristo, mas, acima de tudo, SER outro Cristo. Devemos assemelhar-nos a Cristo na nossa forma de ser, de fazer as coisas. Se vamos à missa e, ao sairmos, a nossa forma de agir não muda, de que nos serve? Temos de ser dóceis para que o Senhor possa ir transformando o nosso interior. Medita nisso e pede luz ao Espírito Santo para que te mostre se realmente te deixaste transformar por Ele.

Ana: Obrigada, Senhor Padre! Nunca me tinha ocorrido ver as coisas dessa forma. É claro que tenho muito que mudar: os meus julgamentos, os meus critérios… Por isso, vou pedir ajuda ao Senhor, mas antes, se não se importar, comecemos com uma boa confissão.

Mãe,

Mostra-nos o caminho que conduz à porta estreita e guia-nos através da entrega, tal como Tu fizeste.

Bendito e louvado seja o Senhor!


Não nos compete julgar. Comentário para os esposos: Mateus 7, 1 – 5

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 7, 1 – 5

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«Não julgueis e não sereis julgados. Segundo o julgamento que fizerdes sereis julgados, segundo a medida com que medirdes vos será medido. Porque olhas o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua? Como poderás dizer a teu irmão: ‘Deixa-me tirar o argueiro que tens na vista’, enquanto a trave está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão».

Não nos compete julgar

Na vida matrimonial, é fácil ver com clareza os defeitos do outro e não reconhecer os próprios. Viver tão de perto faz com que os “argueiros” do cônjuge pareçam enormes, enquanto as nossas “traves” ficam justificadas ou passam despercebidas.

Hoje, Jesus convida-nos a olhar primeiro para o nosso coração antes de apontarmos os erros do nosso marido/ da nossa mulher. Muitas discussões nascem porque exigimos ao outro aquilo que nós próprios não estamos a viver: compreensão, paciência, capacidade de escuta, ternura ou espírito de perdão. Quando nos colocamos na posição de juízes do outro, começamos a ver o outro como um acusado. E São João Paulo II ensina-nos a não adotar uma atitude de julgamento, mas de apelo e de chamamento.

No casamento, a correção fraterna é necessária, mas só dá fruto quando nasce da humildade e é feita no momento oportuno. Quem reconhece as suas próprias limitações pode ajudar o outro sem o ferir, porque o faz a partir do amor e não da superioridade. Antes de dizer: «Tu fazes sempre isto mal», convém perguntar: «Que parte de responsabilidade tenho eu? O que me está o Senhor a pedir que mude em mim?». Ou até: «Se me custa amar nesta situação, o que existe no meu coração que me impede de amar perante este “argueiro” do meu marido ou da minha mulher?».

A medida da caridade conjugal não é a perfeição, mas sim a misericórdia. Os casais que não julgam e que procuram compreender o outro criam um lar onde ambos podem crescer sem medo de serem condenados. Aí, cada um ajuda o outro a remover os seus “argueiros”, porque antes Deus permitiu a ajuda para remover as suas próprias traves.

 

Transposição para a vida matrimonial

Ana: José, ao ouvir este Evangelho, apercebi-me de como vejo rapidamente os teus defeitos e de como olho pouco para os meus.

José: Comigo aconteceu o mesmo. Às vezes incomoda-me alguma coisa que fazes e penso logo em corrigir-te, mas não paro para pensar se eu faço algo semelhante ou até pior.

Ana: É verdade. Quando chegas atrasado, por exemplo, fico muito zangada, mas depois não vejo os meus próprios atrasos nem as vezes em que não cumpro aquilo que te prometo.

José: E eu queixo-me de que me julgas, quando, no meu coração, não paro de te julgar. Penso que, no casamento, isto significa deixar de agir como juízes. Não estamos aqui para nos examinarmos mutuamente, mas para nos ajudarmos a crescer.

Ana: E para o fazermos com humildade. Porque, quando me sinto superior a ti, as minhas palavras acabam por te magoar mais do que ajudar. Pelo contrário, quando reconheço as minhas fraquezas, compreendo-te melhor e torna-se mais fácil corrigir-te com carinho.

José: Também me apercebo de que preciso de te pedir perdão mais vezes. Às vezes critico coisas tuas que, na verdade, refletem as minhas próprias carências.

Ana: E eu preciso de ser mais paciente. Não posso exigir-te perfeição quando eu própria estou tão longe dela. Agora penso como a nossa relação seria diferente se, antes de cada crítica, nos perguntássemos: «O que tenho eu de mudar?».

José: Provavelmente haveria menos discussões e mais compreensão.

Ana: Então hoje vou pedir ao Senhor que me ajude a ver as minhas “traves” antes dos teus “argueiros”.

José: E eu vou pedir-Lhe que me ensine a olhar para ti com misericórdia, tal como Ele olha para mim, com imenso amor… mas talvez usando capacete, não vá cair alguma trave.

Ana: Que engraçado que és, meu amor.

 

Mãe,

ajuda-nos a ver no outro não os seus defeitos, mas o dom que Deus nos confiou. E, quando surgirem os “argueiros”, recorda-nos que só um coração humilde pode ajudar sem ferir.

Louvado seja o Sagrado Coração de Jesus.


Declararmo-nos por Cristo. Comentário para os esposos: Mateus 10, 26-33

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São  Mateus 10, 26-33

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos. 

A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus». 

Declararmo-nos por Cristo

Como nos declaramos por Cristo, nós, esposos? Vivendo sem medo dos homens e mostrando a verdade dos nossos corações através do sacramento do matrimónio, na intimidade de Cristo, que tem contados até os cabelos da nossa cabeça. Uma verdade que nos revela o que Cristo nos pede em cada situação concreta da nossa vida e que nos leva a declararmo-nos por Ele, fazendo tudo por e com o Seu amor, sem voluntarismos, sentimentalismos ou perfeccionismos.

Uma verdade que nos permite conviver com a nossa própria fraqueza e com a dos outros, numa atitude de abandono esperançoso, fruto da liberdade interior e da confiança posta no nosso Deus, que morre para que nós vivamos.

Transposição para a vida matrimonial:

O irmão da Maria (cunhado do João, seu esposo) cometeu um erro grave que provocou muito sofrimento na família. Todos os familiares o rejeitavam e consideravam justo afastá-lo das suas vidas. João e Maria também reconheciam a gravidade do que tinha acontecido, mas Deus pedia-lhes algo diferente: declararem-se por Cristo, condenando o pecado sem deixarem de amar o pecador.

Reconheciam que também eles não estavam livres da miséria humana. Viam naquele familiar um pecado que se tornara visível, enquanto muitos dos seus próprios erros permaneciam escondidos. Compreendiam que, sem a graça e a misericórdia de Deus, também eles não teriam de que se orgulhar.

Por isso continuaram a acompanhá-lo, mesmo quando muitos os criticavam. O sacramento do seu matrimónio era a escola onde aprendiam a amar-se com o Amor de Deus, um Amor que transbordava para todos os que os rodeavam. A Eucaristia sustentava-os, e nela encontravam a força para perseverar.

As palavras de Jesus: «Não tenhais medo dos homens» lembravam-lhes que deviam agir por e com o amor de Deus. Assim aprendiam a viver mergulhados na misericórdia de Deus, que conhece a verdade de todos os corações e não exclui nenhum dos Seus filhos.

Mãe,

Pela tua mão, declaramo-nos pelo teu Filho. Seja para sempre bendito e louvado Aquele que, com o Seu Sangue, nos redimiu.


O que procuras? Comentário para os esposos – Mt 6, 24-34

Evangelho do dia

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 6, 24-34
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Por isso vos digo: «Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura? E porque vos inquietais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos inquieteis, dizendo: ‘Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?’ Os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas. Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado»

O que procuras?

Estas palavras do Evangelho levam-me a questionar o que realmente procura o meu coração: o reino de Deus ou viver segundo os critérios do mundo? Nestes tempos de pressa, em que tudo acontece muito rapidamente, pode ser fácil esquecer que, como nos diz Jesus, a única coisa que realmente importa é procurar o reino de Deus e a sua justiça. Tudo o resto nos será dado por acréscimo.
Esposos, no casamento, viver o reino de Deus consiste em tornar presente o amor de Cristo na nossa união conjugal, esforçando-nos por amar como Ele ama, entregando-nos ao nosso cônjuge tanto nos bons como nos maus momentos, renunciando ao nosso egoísmo, aos nossos caprichos, exigências, reprovações… procurando sempre a comunhão através da caridade conjugal. Para isso, é necessário fugir da lógica mundana do egoísmo, do individualismo e da autossuficiência, que destroem o plano original de Deus para nós e nos afastam. Para tal, é essencial que a oração conjugal e o cuidado mútuo estejam acima do trabalho, da economia familiar ou até das exigências da educação dos filhos, confiando que Deus multiplicará o resto por acréscimo. Ao esvaziarmo-nos do egoísmo para que Deus reine na nossa união, tudo o resto se reorganiza e floresce naturalmente. Trabalhar, entrar, sair…, sim, mas sem preocupações excessivas, confiando no Pai bom que conhece perfeitamente as nossas necessidades e deseja cuidar-nos com amor. Quanto agrada a Deus que confiemos n’Ele!

Transposição para a vida matrimonial:

Luísa: Passaste a tarde toda no computador, a rever faturas e a preocupar-te, e essa tensão está a afastar-nos.
Simão: É que, se não controlo eu o futuro da família, Luísa, quem o fará? Sinto que todo o peso recai sobre mim e que tu te despreocupas.
Luísa: Olha, agradeço muito que te ocupes das contas, das faturas e da gestão da economia familiar; só queria dizer-te que me parecia que estavas a ficar demasiado preocupado, como se tudo dependesse exclusivamente de ti, esquecendo que Deus providencia.
Simão: Tens razão. Em vez de ver que estamos a conseguir, só pensava no que poderíamos ter poupado se não tivéssemos feito alguns gastos que me parecem desnecessários…
Luísa: Sempre foste mais poupado do que eu, Simão, e isso tem-nos ajudado… mas não quero que te deixes dominar pela obsessão de controlar o dinheiro. Este ano vimos como, quando mais precisávamos, o Senhor nos ajudou com aquele novo cliente que surgiu, permitindo-nos pagar todas as despesas extra com os estudos dos nossos filhos. E, além disso, esses gastos que consideras desnecessários trouxeram mais paz à família.
Simão: Tens razão, Luísa. Parece que, ao querer controlar tudo, acabo por servir ao deus dinheiro, em vez de confiar no Senhor e em ti. E isso não nos une, pelo contrário. Desculpa pela minha distância nestes dias.
Luísa: Estamos juntos nisto e em tudo… vamos rezar, procurar o reino de Deus, e certamente Ele cuidará do resto, como sempre.
Simão: É verdade. Obrigado por me lembrares do que realmente importa. Deixemos as preocupações do amanhã, que cada dia tem o seu próprio sacrifício. Vamos ajoelhar-nos, rezar juntos e entregar as minhas preocupações ao Pai.
Mãe,

Ensina-nos a confiar no Pai bom, que conhece as nossas necessidades e nos dá sempre tudo o que realmente precisamos, e a abandonarmo-nos n’Ele, como Tu fizeste. Bendita e gloriosa sejas, Mãe! Louvado seja para sempre o Senhor!