Aquivos por Autor: Esposos Misioneros

Plenitude e Esperança Comentário para os Esposos: Mateus 5, 17-19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 5, 17-19

Toda a palavra de Deus é lei para a nossa vida e luz para os nossos caminhos, mas é na palavra de Jesus, o Filho de Deus, Ele próprio a Palavra feita homem, que essa lei e essa luz se tornam mais claras e mais luminosas. Ele é a última Palavra. Neste tempo da Quaresma, o primeiro alimento que nos é proposto é precisamente a Palavra de Deus, porque, como o lembra logo no Primeiro Domingo a leitura do Evangelho, ‘nem só de pão vive o homem’, o que outro Evangelista completa, dizendo: ‘Mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’.

Plenitude e Esperança

Que esperança nos dá este Evangelho! Jesus veio trazer-nos a plenitude, para que possamos chegar a ser aquilo para que fomos criados desde o início. Para isso, precisamos de olhar para a vida desde a perspetiva de Deus, desde a eternidade, e a partir daí tudo ganha sentido. A partir daí, vemos que fomos criados para a união com Deus e que o nosso casamento é o caminho concreto para chegar até Ele. Somos chamados a viver o nosso amor como Deus o concebeu, a amar-nos como Ele nos ama. Por isso, Jesus lembra-nos que até a última sílaba dita com amor conta, cada gesto, por menor que seja feito com amor transcende o momento presente e permanece para a eternidade. Obrigado, Senhor, por trazeres plenitude ao nosso casamento. Agora não se trata apenas de partilhar uma vida, uma casa, filhos ou tarefas, agora tudo tem sentido de eternidade, agora o dever se torna entrega e a convivência se torna comunhão. Obrigado, Senhor!

Transposição para a vida matrimonial

Laura: Padre… já não sei o que fazer, é sempre a mesma coisa, ele promete que vai mudar, mas no final volta a cair… perdi a esperança…

Sacerdote: Eu compreendo-te, Laura, é difícil a situação que estás a viver, mas diz-me uma coisa, quando olhas para o Miguel, vês apenas o que ele é agora ou também o que ele pode vir a ser?

Laura: sinceramente, neste momento só vejo as suas recaídas.

Sacerdote: encorajo-te a unir-te ao Senhor e a olhar para o Miguel como Ele o vê. Não te concentres na ferida e no dano que ele te causa. O Senhor não vê apenas o seu pecado, vê toda a sua dignidade e tudo o que ele está chamado a ser… O Miguel hoje luta contra o seu vício e o Senhor deu a sua vida por ele. Ele foi comprado pelo preço do Sangue de Cristo e tomares consciência disso vai ajudar-te a amá-lo…

Laura: Sim… mas às vezes sinto que tudo está perdido.

Sacerdote: A falta de esperança nunca vem de Deus. Não olhes apenas para este momento, não olhes apenas para a sua queda. Olha também para a esperança do que Deus pode fazer nele. Mas o Senhor precisa da tua entrega. Assim como Ele se entregou por causa de sua esposa, a Igreja, e assim nos resgatou do pecado e da morte, agora é o momento de te unires ao Senhor e te entregares pelo Manuel, para a sua salvação. 

Mãe,

Deus cumpre sempre as suas promessas, ajuda-nos a permanecer no teu Coração e, a partir daí, ver tudo com os teus olhos misericordiosos. Mãe da Esperança, rogai por nós.

Misericórdia que transforma. Comentário para os esposos: Mateus 18, 21-35

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 18, 21-35

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque me pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

Misericórdia que transforma

Como é possível que aquele que foi perdoado se recuse a perdoar? Nosso Senhor não deixa de nos perdoar tudo, sabemos de antemão que Ele o fará. Mas deparamo-nos com a necessidade de perdoar o nosso cônjuge e experimentamos uma rejeição que nos faz dizer: já chega, será que sou tonto/tonta, isso é imperdoável, ou coisas semelhantes? O que está a acontecer? Se isso me acontece, é porque, embora Deus me tenha oferecido toda a Sua misericórdia, não fui capaz de a acolher e ela não transformou o meu coração.
Uma das grandes graças que Deus nos dá ao perdoar-nos é a consciência de que já não posso deixar de perdoar nada. Assim surge dentro de ti a pergunta: quem sou eu para negar o perdão a alguém? Que atitudes precisamos para nos dispormos a receber a misericórdia de Deus na totalidade?

  1. Humildade para reconhecer a tua pobreza e a tua debilidade
    2. Dor sincera no coração
    3. Profunda gratidão.

Só o coração que se deixa transformar pela graça da misericórdia é capaz de perdoar. Se quiseres perdoar, retira o teu olhar indignado pelo pecado do teu cônjuge e olha para a tua própria pobreza tantas vezes acolhida por Deus. Pede-Lhe a graça de poder perdoar à Sua imagem, libertando-te da opressão do rancor. Quando os cônjuges acolhem a misericórdia, o casamento torna-se um lugar onde dois pobres, sustentados pela misericórdia de Deus, aprendem a perdoar como Deus os perdoa.

Transposição para a vida matrimonial

Miguel: Perdoa-me, Querida.. esta manhã falei mal contigo à frente dos nossos filhos. Eu estava zangado e descarreguei em ti.

Ana: Ah, Miguel, claro que te perdoo. Eu também não te respondi bem… acabei por falar mal contigo também. E pensei: que triste exemplo para os nossos filhos!

Miguel: Sim, mas fui eu que comecei, Ana…Estou mesmo arrependido… Desculpa-me.

Ana: Claro que te perdoo, Miguel, como é que poderia não te perdoar? Sabes o quanto estou agradecida a Deus  por me perdoar todos os dias? Como é não te perdoaria? Além disso, não consigo ficar sem ti!

Miguel: Eu é que não consigo ficar sem ti. Anda cá.

(E quando se abraçaram, os filhos entraram no quarto e acabaram por se juntar a eles) Glória a Deus, porque só Ele transforma as quedas em bênçãos.

Mãe,

Ensina-nos a acolher a misericórdia com coração agradecido, sem desperdiçar nada, para que nos enchamos de todas as graças, assim como Tu, ó cheia de Graça. Louvado seja Deus, que nos dá uma vida nova, a vida do perdão!

Para além do terreno. Comentário para os esposos: Lucas 4, 24-30

Evangelho do dia

Leitura do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 4, 24-30

Naquele tempo, Jesus veio a Nazaré e falou ao povo na sinagoga, dizendo: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Digo-vos a verdade: Havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã». Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-n’O até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo. Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

Para além do terreno

Jesus era totalmente homem e totalmente Deus. Os habitantes de Nazaré tinham-no visto como homem durante toda a sua vida oculta; tinha crescido junto deles, dando glória a Deus na simplicidade do seu quotidiano, sem revelar aparentemente nada de extraordinário. Esta imagem, tão gravada nas suas mentes, impede-os de aceitar quando Jesus se lhes quer revelar como Messias e que a salvação chegou às suas vidas.
Também os esposos, quando olhamos durante muito tempo para o nosso casamento apenas na sua dimensão terrena — com objetivos de “darmo-nos bem” e “respeitarmo-nos” — sentem dificuldade em ir “mais fundo” e descobrir a sacralidade da nossa união. O Espírito Santo está entre os esposos desde o momento em que recebemos o Sacramento do Matrimónio, e convida-nos a uma união mais profunda: um sacramento vivo, que se atualiza em cada gesto de entrega e acolhimento, e que faz com que a nossa união seja ao mesmo tempo profundamente espiritual e continuamente encarnada.

Descalça-te diante da tua mulher: estás em terreno sagrado. Descalça-te diante do teu marido, porque o Espírito Santo habita nele e na vossa união.

Transposição para a vida matrimonial:

Roberto: Raquel, temos passado tanto tempo apenas a “sobreviver” no nosso casamento que me custa muito pensar nele como um Sacramento, no qual o Espírito Santo nos faz um só…  Eu já me dou por satisfeito só por nos darmos bem.
Raquel: A mim acontece-me o mesmo, e até me parece um pouco piegas. Mas, por outro lado, acho que estamos a perder o mais importante: demasiado tempo a pensar que o nosso casamento era apenas gerir assuntos e tentar aproveitar ao máximo os poucos momentos livres que nos restavam.
Roberto: Isso endureceu, realmente, o meu coração. E impede-me de ver o lado sobrenatural da nossa união. Mas como posso mudá-lo?
Raquel: Bem, vamos rezar e pedi-lo ao Espírito Santo. Ele pode tudo — até transformar os nossos corações.

Mãe,

Que eu consiga ver para além da parte terrena do nosso casamento. Louvado seja Deus!


Está à tua espera. Comentário para os esposos: João 4, 5-42

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 4, 5-42

Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, onde estava o poço de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia.

Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber».

Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos.

Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?». De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva».

Respondeu-Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?». Disse-Lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna». «Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la». Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido e volta aqui».

Respondeu-lhe a mulher: «Não tenho marido». Jesus replicou: «Disseste bem que não tens marido, pois tiveste cinco e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade». Disse-lhe a mulher: «Senhor, vejo que és profeta. Os nossos antepassados adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar».

Disse-lhe Jesus: «Mulher, acredita em Mim: vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vai chegar a hora –e já chegou– em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade».

Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier, há de anunciar-nos todas as coisas». Respondeu-lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo».

Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: «Que pretendes?», ou então: «Porque falas com ela?». A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos: «Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?». Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Mestre, come». Mas Ele respondeu-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis». Os discípulos perguntavam uns aos outros: «Porventura alguém Lhe trouxe de comer?».

Disse-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra. Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa. Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro. Nisto se verifica o ditado: ‘Um é o que semeia e outro o que ceifa’. Eu mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho».

Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». Por isso os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias.

Ao ouvi-l’O, muitos acreditaram e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

Palavra da salvação.

 

Está à tua espera

Nada é por acaso, nada escapa ao olhar de Deus. Ama-nos tanto que aproveita qualquer oportunidade. Jesus está sempre à nossa espera em todas as circunstâncias da nossa vida, desejando iniciar um diálogo connosco para nos mostrar o Seu Coração.

Podemos ignorá-Lo, e então a Graça que tinha preparada passará e tê-la-emos perdido. Podemos iniciar uma conversa em que apenas falamos de coisas do mundo: das coisas de que preciso, das coisas que quero…, mas sem deixar que Jesus entre no nosso coração. Assim nada mudará na nossa vida, nem deixaremos que a Sua Graça atue.

Por fim, podemos deixar que o Senhor entre no nosso coração e nos mostre a nossa verdade, conduzindo-nos a entrar no Seu Coração transbordante de Amor. Então acontecerá algo maravilhoso: Ele transformará pouco a pouco, quase sem darmos conta, a nossa vida e tornar-nos-á testemunhas do Seu Amor, do Seu Coração.

 

Transposição para a vida matrimonial

Adolfo: Rosa, sei que te prometi que hoje voltava da viagem. Mas o meu colega quer que eu fique com ele mais um dia, aproveitar que estamos aqui para visitar algum lugar e jantar com o pessoal da empresa deste país…

Rosa: Fazes-me sempre o mesmo. Prometes e prometes, mas nunca cumpres… Já estou cansada. Acho que devíamos acabar com isto…

Adolfo: O que queres dizer com acabar? Com o nosso casamento? Estás sempre na mesma…

Rosa: Olha, deixa-me. Vou desligar.

(No dia seguinte, Rosa, depois de muito tempo sem ir à paróquia do bairro, vai como respondendo a um chamamento no seu coração. Ali vê que há um sacerdote no confessionário. Então confessa-se e vai à Capela do Santíssimo.)

Rosa: Senhor, não sei o que me trouxe aqui, mas depois de tanto tempo e de tanto sofrimento no meu casamento com Adolfo, é a primeira vez que sinto uma paz que não é deste mundo. Sei que foi depois de vir aqui, de me confessar e de estar aqui diante de Ti, escondido no Sacrário. Quanta paz sinto aqui. Agora sei que me amas e que sempre estiveste à minha espera. E repara: foi a discussão de ontem que me trouxe até aqui. Agora sei onde vir pedir força e consolo, para que o meu pobre amor por Adolfo se vá transformando num amor verdadeiro e puro.

Obrigada, Senhor, por me teres encontrado.

(Adolfo voltou e encontrou uma Rosa diferente: alegre e acolhedora. Todos os dias ela saía um bocado de casa para ir à paróquia, mas isso não o incomodava, porque gostava da nova Rosa. Na verdade, algo também o atraía a ir à paróquia, mas ainda não se atrevia. Tudo chegará.)

 

Mãe,

Tu que tens sempre Jesus no teu Coração, ensina-nos a tratá-Lo, a ter com Ele uma relação de intimidade, para que tudo o vivamos n’Ele, com Ele e por Ele.


Lar de misericórdia. Comentário para os esposos – Lc 15, 1-3. 11-32

Evangelho do dia

Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 15, 1-3. 11-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Certo homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar- se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a túnica mais bela e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

 

Lar de misericórdia

Senhor, nesta parábola mostras-me três atitudes: a de um pai que ama sem medida, a de um filho centrado em si próprio e a de um filho aparentemente justo. Hoje, esta Palavra interpela o meu coração e convida-me a perguntar a mim mesmo como me comporto com o meu cônjuge.
Será que ajo como o filho mais novo, deixando que o egoísmo e o orgulho me afastem dele? Reconheço os meus pecados e sei dizer “desculpa” sem justificar-me? Sou capaz de me levantar e voltar ao seu coração quando traí a sua confiança?
Ou ajo como o filho mais velho, calado, mas com o coração endurecido, julgando por dentro, pensando que faço mais, que nunca falho, medindo tudo com justiça… mas sem misericórdia?

Ou sou capaz de amar como o pai? De dar sem receber, mesmo quando houve falhas; de não recordar constantemente os erros do passado, mas restaurar com amor, sem exigir explicações, sem interrogar, apenas abraçando o meu cônjuge com misericórdia.

 

Transposição para a vida matrimonial

Miguel: Beatriz, às vezes ainda me envergonho quando me lembro de como me comportava contigo e com as nossas filhas… como transformei a nossa casa numa extensão do meu trabalho. Só trabalho e trabalho, obcecado em subir na carreira, desculpando-me com a ideia de vos querer dar o melhor, mas acabando por vos deixar de lado.
Beatriz: Meu amor, foram anos complicados. Eu só rezava e pedia ao Senhor que, por favor, viesse ao teu encontro, porque doía ver como o teu coração se ia endurecendo cada vez mais.
Miguel: Beatriz, e agora posso dizê-lo com alegria: caramba, como o Senhor te ouviu… Perdi o emprego, senti que tudo se desmoronava, que já não valia para nada e, no entanto, o melhor estava à minha espera… Tu abraçaste-me como se nada tivesse acontecido e, no teu olhar, vi uma misericórdia infinita, como a do Senhor a dizer-me: “Tranquilo, voltaste a casa”.
Beatriz: Eu estava à tua espera, Miguel. No momento em que o teu pilar fundamental caiu, só pude dar graças ao Senhor, porque estavas de volta a mim, porque precisavas de mim… E foi desde então que começámos este caminho de comunhão entre nós.

Miguel: A verdade é que só posso agradecer ao Senhor por me ter trazido de volta a casa.

 

Mãe,

Leva-nos sempre pela mão até Jesus, para que o nosso lar seja reflexo da Sua misericórdia e comunhão. Bendito e louvado sejas para sempre, Senhor.