
Depois de terminar estas parábolas, Jesus partiu dali
A rede do Reino
Podemos dizer que a Igreja é a representação do Reino dos Céus na nossa vida terrena e que lança a rede por todo o mundo para dar a conhecer o amor de Deus, sem importar quem seja cada pessoa, ao que se dedica, de onde vem ou o que pensa — a todos, sem qualquer condição. Tu e eu, que um dia fomos recolhidos por essa rede, temos de dar a conhecer o que o Senhor fez na nossa vida, sem nos determos a pensar se este ou aquele o merece, porque não nos cabe decidir quem vale ou não. Não somos nós que devemos julgar ninguém, mas sim anunciar o amor de Deus a todos os que nos rodeiam.
O Papa Leão, na sua encíclica, recorda-nos que a solidariedade é o reconhecimento concreto de que o destino de cada um está ligado ao destino de todos, que “ninguém se salva sozinho”. Quanto mais tu e eu devemos ser solidários com aqueles que não conhecem Deus e dar-lhes a conhecer o que o Senhor faz na nossa vida, oferecendo sem condição aquilo que recebemos.
No nosso matrimónio temos de fazer o mesmo: lançar a rede em todos os momentos para ter sempre o nosso marido/a nossa mulher ao nosso lado, manifestando com ele e nele o amor de Deus que está em nós, e juntos mostrá-lo ao mundo. Por vezes, o pecado pode erguer um muro entre os esposos, mas através dessa rede — esse amor de Deus em nós — somos impulsionados e animados a acolher o nosso marido/a nossa mulher em qualquer circunstância, como prometemos no dia do nosso casamento: nas alegrias e nas tristezas, todos os dias da nossa vida. Tornando presente o amor de Deus em nós, mostramos ao mundo, com alegria, que Cristo se manifesta através de nós.
Anabela: Às vezes pergunto‑me se estamos a fazer o suficiente para corresponder a tudo o que estamos a receber.
Pedro: Anabela, comigo é o contrário, às vezes parece‑me que fazemos demasiado e dedicamos pouco tempo às nossas coisas.
Anabela: Bem, mas essas coisas vão estar sempre aí. O que me preocupa é que nos estejamos a acomodar demasiado ao nosso estado de vida, que é maravilhoso, mas recebemos tanto ao descobrir que o nosso matrimónio é o mais importante que temos e o quanto o devemos mostrar ao mundo.
Pedro: Não percebo como podes estar preocupada. Não parámos um momento, estamos sempre a ir e a vir para todo o lado — para esta paróquia, para aquela — sem uma única queixa e indo a todos os sítios onde nos pedem para estar.
Anabela: Sim, eu sei, e fazemos isso com alegria. Mas vou um pouco mais longe. Temos um sacramento maravilhoso, onde Cristo se manifesta continuamente, mas às vezes tenho a sensação de que o damos pouco a conhecer, como se estivéssemos à espera que nos chamem para o fazer.
Pedro: Tenho de te dizer que te preocupas sem necessidade. O amor de Deus manifesta‑se continuamente em ti através de mim, e em mim através de ti, cada vez que nos acolhemos, que nos corrigimos com carinho ou que não damos importância a alguma das pequenas coisas que não gostamos um do outro. O Senhor vai agindo em nós nas coisas pequenas e prepara‑nos para depois o mostrarmos ao mundo.
Anabela: Obrigada, Pedro. O Senhor age através de ti e faz‑me ver aquilo que o meu pecado me oculta. Tens toda a razão.
Pedro: Obrigado a ti. Através da tua paciência e perseverança conseguiste transformar o meu coração, e aprendi a ver Cristo em tudo o que fazes, mesmo quando às vezes não o compreendo.
Bendito e louvado seja Deus.

