Arquivo mensal: Agosto 2026

Morrer com alegria. Comentário para os esposos: João 12, 24-26

 

Evangelho do dia

Leitura do Evangelho segundo São João 12, 24-26

Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.  Quem se ama a si mesmo, perde-se; quem se despreza a si mesmo, neste mundo, assegura para si a vida eterna.  Se alguém me serve, que me siga, e onde Eu estiver, aí estará também o meu servo. Se alguém me servir, o Pai há de honrá-lo.

Morrer com alegria

Hoje, São Paulo, na primeira leitura, exorta-nos a dar com alegria. No nosso casamento, temos de descobrir a alegria que existe em nos darmos a nós próprios ao nosso cônjuge. Morrer, renunciar aos meus critérios, aos meus gostos, ao meu amor-próprio… para que a semente do Reino possa crescer no nosso coração e no nosso lar.

Porque, se o fizermos contrariados e apenas por obrigação, que fruto poderá dar? Todos temos essa experiência.

Isto não significa que não nos custe… mas sim que tenhamos a paz de saber que estamos a agir de acordo com a nossa vocação e que, pouco a pouco, o nosso coração irá mudando.

Só com a Graça de Deus é possível morrer com alegria. Peçamos-Lhe essa graça.

 

Transposição para a vida matrimonial

 

Pedro: Não percebo porque estás triste! Estou a fazer tudo o que tenho de fazer: chego cedo a casa, vendi a mota, já não passo a manhã inteira a andar de bicicleta… Já nem me reconheço! E, mesmo assim, parece que não é suficiente.

Laura: Pedro, mas estás sempre a lembrar isso quando falamos, e com uma resignação e uma tristeza que fazem parecer que não estás agradecido pela vida que temos.

Pedro: É que me custa muito, Laura. Estava muito apegado a tudo isso e vem-me constantemente à cabeça tudo aquilo a que renunciei, e isso deixa-me amargurado. Às vezes, até duvido se vale a pena.

Laura: Custa, sobretudo, ao princípio! A mim também me acontece. E, na oração, peço ao Senhor que me dê luz para compreender que essa renúncia, esse morrer para mim própria, é o que torna possível a nossa união: é responder à minha vocação de esposa.

Pedro: Tens razão. Muitas vezes não procuro apoio no Senhor, nem contemplo toda a beleza que está agora a crescer no nosso casamento. É aí que tenho de manter constantemente o olhar: no Senhor e na minha vocação.

 

Mãe,

Que morramos para tudo aquilo que nos separa do amor de Deus e da nossa vocação de esposos.

Louvado seja Deus!

A dúvida. Comentário para os esposos: Mateus 14, 22-32

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 14, 22-32

Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós.

Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.

Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.

Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo.

Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais».

Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus.

Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?».

Logo que subiram para o barco, o vento amainou.

Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».

A dúvida

 

A cena do Evangelho retrata uma situação vivida por muitas pessoas e por muitos casais. Quantas vezes nos sentimos fustigados pelas «ondas», com medo de naufragar. Porque, para cada um de nós, as próprias paixões e os próprios apegos acabam, mais cedo ou mais tarde, por se transformar na nossa tempestade. Quando o Senhor parece distante, o mundo, pouco a pouco e quase sem darmos conta, vai-nos arrastando para a tormenta, e é nesses momentos que experimentamos a nossa fragilidade. Então, os sentidos entregues aos prazeres da vida acabam por nos fazer ver o Senhor como um fantasma, e começamos a duvidar do Seu maravilhoso plano.

No casamento acontece exatamente o mesmo: começamos também a ver o nosso esposo ou a nossa esposa como um fantasma. Deixamos de o(a) reconhecer como o auxílio adequado que Deus pensou desde toda a eternidade para nós. E duvidamos.

Se o teu pé vacilar, se começares a afundar-te, diz também tu, como Pedro: «Senhor, salva-me, que estou a afundar-me!» Só Ele pode estender-nos a mão e salvar-nos. Pede ajuda.

Transposição para a vida matrimonial:

Lola: Ah! Finalmente férias: descansar, praia, amigos, não pensar no trabalho…

Roberto: Sim, realmente foi um ano muito cansativo. Já estávamos mesmo a precisar de férias. Mas, por acaso, esqueceste-te de uma coisa nessa lista.

Lola: Ah, sim? Do quê?

Roberto: Do Senhor. Passámos o ano inteiro a dizer que não tínhamos tempo e, muitas vezes, acabámos por deixá-Lo para o fim. E, ao afastarmo-nos d’Ele, também nos fomos afastando um do outro…

Lola: Tens razão. Mas sabes como é difícil encontrar uma igreja com Missa todos os dias quando estamos na praia. Vamos ter de nos contentar com a Missa de domingo.

Roberto: Pois olha, encontrei uma Missa diária a quinze minutos de onde vamos ficar. E, na quinta-feira, há uma adoração do Projeto Amor Conjugal. Podemos tentar ir.

Lola: Ah, que bom! Pensas em tudo, meu querido. E ainda por cima uma adoração do Projeto! Que maravilha!

Roberto: É que o casal  responsável pelas catequeses contou-me que, no verão, algumas famílias que passam férias sempre no mesmo local organizam uma adoração ai mesmo. Assim, podemos continuar a participar e não a perdemos durante as férias.

Lola: Acho uma ideia excelente. É verdade que durante o ano nos queixamos da falta de tempo. Agora que o temos, vamos aproveitá-lo também para aquilo que é verdadeiramente importante: estar todos os dias um bocadinho com o Senhor. Muito obrigada, meu esposo, por estares sempre atento a tudo. Gosto muito de ti!

Mãe,

Ajuda-nos a nunca largarmos a tua mão e a mantermos sempre o teu Filho no centro da nossa vida, para que possamos recorrer a Vós sempre que surgirem as dificuldades. Bendito seja Deus!


Comunhão que evangeliza. Comentário para os esposos: Mt 5, 13-19

 

Evangelho do dia

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 5, 1319

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu.»
«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Porque em verdade vos digo: Até que passem o céu e a terra, não passará um só jota ou um só ápice da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no Reino do Céu.

 

Comunhão que evangeliza.

Jesus, neste Evangelho, chama-nos a ser sal da terra e luz do mundo, e isto começa na intimidade do nosso casamento. Antes de iluminarmos os outros, nós, esposos, somos chamados a ser luz um para o outro; antes de darmos sabor ao mundo, somos convidados a conservar vivo o amor da nossa aliança, com fidelidade, perdão, ternura e delicadeza no quotidiano. Hoje, esposo, pergunto-te: sou sal para ti ou deixei que a rotina se apoderasse da nossa comunhão? Sou luz para ti ou permito que as minhas palavras, silêncios ou atitudes escureçam o nosso caminho para Cristo? Viver a Lei de Cristo em plenitude no casamento significa escolher todos os dias a humildade, a misericórdia, a paz e a entrega dentro do lar, deixando que a graça do sacramento transforme o nosso coração. Assim, o nosso amor não fica fechado entre nós, mas torna-se um testemunho visível para os nossos filhos, a nossa família e todos os que nos rodeiam. Ser fiel a esta Aliança ajuda-nos mutuamente a chegar ao encontro com Cristo.

 

Transposição para a vida matrimonial:

António: Joana, este Evangelho fez-me ver que, antes, nós os dois queríamos ser luz para os outros, mas entre nós competíamos para ver quem tinha a melhor espiritualidade.

Joana: É verdade, António. Em vez de procurarmos a comunhão, tentávamos convencer-nos um ao outro. Queríamos aproximar-nos de Cristo, mas faltava-nos descobrir que Ele também nos chamava a caminhar juntos para Ele.

António: E assim era difícil dar fruto. Como poderíamos ser sal da terra se entre nós não existia comunhão? Como poderíamos ser luz se as nossas diferenças iluminavam o nosso amor-próprio?

Joana: Só posso dar graças ao Senhor, porque desde que nos mostrou este caminho de santidade através do nosso casamento, tudo mudou. Agora já não procuro impor-te a minha forma de viver a fé, mas encontrar-me com Cristo através de ti, António.

António: E aí está a diferença, Joana. Agora que nos esforçamos por viver em comunhão, o nosso casamento reflete, sim, a Cristo.

Joana: Assim é, António. Agora compreendemos que, antes de mais, somos chamados a ser sal e luz um para o outro. E, a partir dessa unidade, o Senhor começa a dar fruto e a tocar o coração daqueles que nos rodeiam.

 

Mãe,

Ajuda-nos a viver em comunhão para sermos sal da terra e luz do mundo. Que, através do nosso esposo, caminhemos cada dia mais unidos a Cristo e reflitamos o Seu amor. Bendito e louvado sejas para sempre, Senhor.

Linguagem conjugal. Comentario para os Esposos: Mateus16, 24-28

Evangelho do dia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus16, 24-28

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? O Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras. Em verdade vos digo: Alguns dos que estão aqui presentes não morrerão, antes de verem chegar o Filho do homem na glória do seu reino».

 

Linguagem conjugal

Ao lermos este Evangelho, vemos como o Senhor nos ensina a chave do Amor.

Esta é a linguagem de Nosso Senhor, que é o Esposo da Igreja, contrária àquela que vemos e ouvimos no mundo: quem perder a vida por Ele, que é o Amor, encontrá-la-á; isto é, entregar o meu eu e os meus critérios (o meu orgulho, o meu amor-próprio, a minha preguiça…) para deixar que Cristo nasça em mim e no meu casamento.

Por isso, Ele cresce se eu renunciar por amor; Ele cresce se eu ouvir o meu cônjuge e não o repreender por amor; Ele cresce se eu compreender o meu cônjuge e não lhe fazer reprovações por amor.

Em suma, Ele, que é o Amor e o Esposo da Igreja, cresce no meu casamento se eu O deixar agir.

Por isso, entreguemos a vida por Ele, com Ele e n’Ele, para podermos viver aqui o Reino dos Céus no meu coração, no meu casamento, na minha família… Quem é que não quer encontrar a vida o mais depressa possível? Não esperemos!

 

Transposição para a vida matrimonial:

Pedro: Laura, este sábado tinha pensado em ir visitar a minha mãe.

Laura: Bem, ia propor-te que fôssemos tomar um aperitivo ao novo bar que abriram no nosso bairro.

Pedro: Sim, é uma boa ideia, então, como queiras.

Laura: Bem, é verdade que há alguns anos eu teria insistido em ir ao bar e provar os melhores petiscos… Mas agora que rezamos juntos e vou percebendo o que é importante para ti, prefiro desistir e ir visitar a tua mãe, que te faz feliz.

Pedro: Nem imaginas o quanto te agradeço, Laura! Adoro-te!

Laura: E eu adoro ver-te feliz.

 

Mãe,

Ensina-nos a que a lei e a linguagem do Amor estejam sempre entre nós, para, com Ele, contribuirmos para a construção do Reino do Amor no nosso lar.

Bendito seja o Senhor!

Nada devemos temer. Comentario para os Esposos: Mateus 17, 1-9

Leitura do Santo Evangelho segundo S. Mateus 17, 1-9

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte. Transfigurou-se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. Nisto, apareceram Moisés e Elias a conversar com Ele. Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Senhor, é bom estarmos aqui; se quiseres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o.»
Ao ouvirem isto, os discípulos caíram com a face por terra, muito assustados. Aproximando-se deles, Jesus tocou-lhes, dizendo: «Levantai-vos e não tenhais medo.» Erguendo os olhos, os discípulos apenas viram Jesus e mais ninguém. Enquanto desciam do monte, Jesus ordenou-lhes: «Não conteis a ninguém o que acabastes de ver, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.»

Nada devemos temer.

Que bem se está aqui, diz Pedro. Que bem se está aqui, dizemos nós quando, como esposos, estamos em oração juntos. É um momento em que podemos participar da glória de Deus, um instante de céu na terra. Quantas graças temos de dar a Deus pelo dom do esposo, por este caminho de união com Ele, por tantos dons que nos concede todos os dias.

Mas pode também surgir no nosso coração um temor, um receio do que Deus me possa pedir. Jesus, que nos conhece e sabe da nossa pequenez, diz constantemente no Evangelho: levantai-vos, não tenhais medo. E é que, se realmente acreditamos n’Ele e O amamos — ainda que imperfeitamente — nada temos a temer. Deus é um Pai amoroso que nos dá tudo o que é necessário para vivermos n’Ele. Se Deus está connosco, quem estará contra nós?

Transposição para a vida Matrimonial

Maria e Xavier tinham passado algumas semanas a rezar juntos todas as noites. Nesse dia, depois de um tempo de silêncio diante do Senhor, ambos experimentaram uma paz profunda. Ao terminar, Maria disse com um sorriso: «Que bem se está aqui». Xavier assentiu; sentia que, por uns instantes, tinham saboreado um pouco do céu.

No entanto, no dia seguinte, ao conversarem sobre um chamamento que sentiam para servir mais no Projeto Amor Conjugal, surgiram os medos: «E se não formos capazes? E se nos tirar tempo para nós? E se Deus nos pedir demasiado?».

Então recordaram as palavras do Evangelho: «Levantai-vos, não tenhais medo». Compreenderam que Deus não lhes pedia que confiassem nas suas próprias forças, mas n’Ele. Deram graças pelo dom do seu matrimónio, pelo caminho de santidade que estavam a percorrer juntos, e renovaram a decisão de caminhar de mãos dadas, seguros de que, se Deus estava com eles, nada lhes faltaria para cumprir a Sua vontade.

Mãe

Mãe nossa. Tu que te entregaste por inteiro a Deus, ensina-nos a vencer os nossos medos e a confiar como tu. Bendita sejas, Mãe!