Arquivo diário: 4 Agosto, 2026

Ser ou fazer? Comentário para matrimónios: São Mateus 15, 21-28

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 15, 1-2. 10-14
Aproximaram-se, então, de Jesus alguns fariseus e doutores da Lei, vindos de Jerusalém e disseram-lhe:
«Porque transgridem os teus discípulos a tradição dos antigos? Pois não lavam as mãos antes das refeições.». Jesus chamou, depois, a multidão para junto de si e disse-lhes: «Escutai e tratai de compreender! Não é aquilo que entra pela boca que torna o homem impuro; o que sai da boca é que torna o homem impuro.» Os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Sabes que os fariseus ficaram escandalizados, por te ouvirem falar assim?» Ele respondeu: «Toda a planta que não tenha sido plantada por meu Pai celeste será arrancada. Deixai-os: são cegos a conduzir outros cegos! Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão nalguma cova.»
Ser ou fazer?
Jesus, durante os três anos da sua vida pública, insistiu em mostrar-nos como viver de acordo com a forma como Deus queria que a Lei fosse cumprida na sua plenitude, e não nos limitarmos simplesmente a «fazer coisas». Porque, no fim de contas, tudo passa pelo que temos no mais profundo do nosso coração. Neste evangelho, vemos um exemplo muito claro desses momentos em que há esse confronto entre os fariseus, que falam de «fazer», e Jesus, que nos fala do «ser».

Como é que nós, cônjuges, vamos ensinar aos nossos filhos e a todos aqueles que nos rodeiam o que é o amor, se no nosso dia-a-dia eles não vêem como nos amamos verdadeiramente? Poderíamos muito bem dizer que entre os irmãos não haja discussões, que não gritem uns com os outros, que não sejam egoístas, que não se riam dos defeitos uns dos outros… mas devemos parar para pensar que testemunho estamos a dar nós, como casal. Respeitamos o nosso cônjuge, ajudamo-lo e somos generosos? Ou, pelo contrário, fazemos com que se sinta menosprezado por vezes, criticamo-lo ou não somos pacientes e fixamo-nos mais nos seus defeitos do que nas suas virtudes?

Devemos fazer um exame de consciência e reflectir se tentamos, todos os dias, converter os nossos corações à luz do Evangelho, dos sacramentos e da oração… ou se agimos como cegos a guiar outros cegos (sejam eles os nossos filhos, familiares, amigos…). Como é importante, antes de mais, ser, para depois podermos agir.

Transposição para a vida Matrimonial

(Jaime e Sara, ao voltar do jantar em casa de uns amigos…)

Sara: Jaime, diverti-me imenso esta noite, mas queria pedir-te que, quando estivermos com os nossos amigos, não sejas tão brusco comigo e me trates com um bocadinho mais de atenção. Às vezes, és muito duro quando falas comigo e fazes algumas piadas que me deixam pouco à vontade.

Jaime: Ah, querida! Vá lá, não fiques assim… já sabes que, quando bebo um copo a mais, às vezes fico um bocado pateta.

Sara: É a isso que me refiro: se estamos a tentar que os nossos amigos se aproximem de Jesus, que agora estão tão afastados, nada do que fizermos servirá de nada se eles não virem primeiro uma mudança verdadeira em nós, na forma como falamos um com o outro, na forma como olhamos um para o outro, nesses detalhes que tens comigo e nos quais consigo ver o quanto me amas de verdade.

Jaime: Tens razão, Sara, peço imensa desculpa. Às vezes, nestes jantares, deixo-me levar pelo mundano e não tenho o coração onde devia estar, e o «homem velho» vem à tona. Que tal amanhã irmos juntos um bocadinho à adoração para colocarmos os nossos corações no lugar certo?

Sara: Adoro a ideia! Gosto tanto de ti, Jaime!

Mãe,

Queremos viver sempre como Tu, sendo coerentes na nossa vida e cumprindo a vontade de Deus em todos os momentos.

Bendito seja o Senhor!