Arquivo mensal: Setembro 2026

Exaltação da Santa Cruz. Comentário para os esposos: João 3, 13-17


Leitura do Santo Evangelho segundo S João 3, 13-17

 
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem.
Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado,
para que todo aquele que acredita tenha nele a vida eterna».
Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

Exaltação da Santa Cruz

Hoje celebramos a exaltação da Santa Cruz – como prova do amor extraordinário que Deus tem por nós. Este Evangelho revela-nos como Deus ama e, por isso, como somos chamados a amar no matrimónio: um amor que se entrega, que levanta o outro e que procura a sua salvação – e não a sua condenação. A palavra «entregar» adquire um significado muito profundo: amar o marido ou a esposa não consiste apenas em sentir carinho, ter momentos bonitos ou procurar a nossa própria felicidade juntos. Amar é entregar-se ao outro, pôr a própria vida ao serviço do seu bem e aprender, pouco a pouco, a dar a vida pelo outro. Jesus fala de ser «elevado», porque embora a cruz pareça o lugar da derrota e da morte, torna-se o lugar onde Jesus manifesta o maior amor: entrega a Sua vida para nos salvar.

Em todos os casamentos há momentos de «deserto»: cansaço, discussões, feridas, deceções, dificuldades económicas, preocupações familiares… E nesses momentos podemos cair na tentação de olhar apenas para a ferida do outro: «Olha o que me fizeste», «a culpa é tua», «fazes sempre o mesmo». Mas Jesus convida-nos a levantar o olhar para Ele. A cruz recorda-nos que o amor verdadeiro não consiste em nunca haver dificuldades, mas sim em que o amor consiga atravessar essas dificuldades sem deixar de amar. Podemos escolher entre fechar-nos em nós mesmos ou elevar o nosso amor: pedir perdão quando achamos que temos razão, escutar quando estamos cansados, renunciar a uma comodidade pelo bem do outro, cuidar do nosso marido/da nossa mulher na sua fragilidade ou permanecer fiéis quando atravessamos uma etapa difícil.

Transposição para a vida matrimonial:

Mónica: Cada vez vejo mais claramente que o nosso modelo a seguir e o modo como temos de amar é como Cristo nos ensina no Evangelho: Deus entregou-Se para que nós também nos entreguemos.

Nuno: Sim. E eu também cada vez vejo mais claramente que no nosso casamento isso tem de se notar nas coisas pequenas. Às vezes entregar a minha vida por ti não é fazer algo extraordinário, mas sim ouvir-te mesmo estando cansado, ceder, ajudar-te ou simplesmente estar presente.

Mónica: E outra coisa que também aprendo com Jesus é que Ele não veio julgar, mas sim salvar. Porque nós muitas vezes fazemos exatamente o contrário: julgamo-nos.

Nuno: Totalmente. Numa discussão é muito fácil pensar: «Tu fazes sempre isto» ou «a culpa é tua». E talvez Jesus nos convide a mudar a pergunta: não «quem tem a culpa?», mas «como agiria Cristo nesta situação?».

Mónica: Isso muda muito as coisas. Porque quando deixo de querer ter razão, posso começar a procurar-te a ti.

Nuno: E aí aparece a cruz. Não como algo que tenhamos de procurar, mas como num desses momentos em que amar custa. É aí que podemos decidir se nos afastamos ou se nos aproximamos mais.

Mónica: E temos de tentar aprender a olhar-nos como Ele nos olha.

Nuno: Sim. Com os nossos defeitos, as nossas feridas e as nossas limitações… mas sem deixar de acreditar que o outro é um dom de Deus para mim, tal como é.

Mónica: E agora, como prova definitiva de que estamos a aprender a amar-nos…

Nuno: O quê?

Mónica: Deixo-te propor o que vemos esta noite na televisão.

Nuno: Isso sim é que é uma entrega redentora!

Mónica: Bem… também não te entusiasmes muito. Disse propor, não escolher o que tu quiseres.

Nuno: Ah… então ainda nos falta caminho até à santidade!

Mãe,

ensina-nos a entregar-nos sem reservas, e a levantarmo-nos mutuamente quando chegar a cruz. Louvada seja a Cruz de Cristo.


Do «deves-me» ao «dou-me» Comentário para os esposos: Mateus 18, 21-35

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 18, 21–35
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?». Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque mo pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’. E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

Do «deves-me» ao «dou-me»

Já pediste a Deus o dom do Perdão? O pecado leva-nos a fazer contas: «deves-me», e a dívida acaba por condicionar tudo no meu casamento. Jesus ensina-me que perdoar é deixar de olhar para a dívida para voltar a olhar para o outro. Um olhar de compaixão que me permite descobrir o seu sofrimento, para além daquele que me causou; renunciar a cobrar e, unido a Cristo, oferecer pelo seu bem a dor da minha ferida, que continua a doer.

É passar do «deves-me» ao «dou-me». E isso é sobrenatural. PEDE-LHO! Sê corajoso. Experimentarás a Vida de Cristo, o homem mais livre que alguma vez existiu à face da terra.

Transposição para a vida matrimonial:

Maria andava há dias distante do seu marido, João. Por dentro, fazia contas: «Não me ouviste; voltaste a chegar tarde; nem sequer me perguntaste como estava…».

Uma noite, encontrou João exausto. Por um instante, deixou de ver o homem que lhe devia tantas coisas e voltou a ver o seu marido: cansado, ferido, também ele necessitado de compreensão. Sentiu compaixão e quis aproximar-se… mas não conseguiu. A sua ferida impedia-a.

Na manhã seguinte, levantou-se cedo e, diante do Senhor presente no Sacrário, disse: «Senhor, eu não consigo. Faz Tu isso em mim».

Nessa noite, sustentada pela graça do seu sacramento, aproximou-se de João, pegou-lhe na mão e perguntou-lhe de coração:

— Como estás?

A ferida continuava ali, mas já não mandava. Maria tinha dado o primeiro passo: deixar de querer cobrar para começar a dar-se. Cristo começava a agir no seu coração.

Mãe,

Mostra-nos a misericórdia do Teu Filho. Seja para sempre bendito e louvado, Ele que com o Seu Sangue nos redimiu.


Frutos do coração. Comentário para os esposos: Lc 6, 43-49

Evangelho do dia
Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 6, 43–49
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. Cada árvore conhece-se pelo seu fruto: não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas das sarças. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal; pois a boca fala do que transborda do coração. Porque Me chamais ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que vos digo? Vou mostrar-vos a quem se assemelha todo aquele que vem ter comigo, ouve as minhas palavras e as põe em prática. É semelhante a um homem, que, para construir a casa, escavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Quando veio uma cheia, a torrente irrompeu contra aquela casa, mas não a pôde abalar, porque estava bem construída. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem que construiu a casa sobre a terra, sem alicerces. A torrente irrompeu contra aquela casa, que imediatamente desabou; e foi grande a sua ruína».
Frutos do coração
Neste evangelho, o Senhor fala-nos com toda a clareza: os frutos que damos mostram o verdadeiro estado do nosso coração. As nossas obras e palavras são o reflexo daquilo que temos dentro do nosso coração. Que frutos estamos a dar? Amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, lealdade? Ou, pelo contrário, discórdia, inveja, inimizades, impureza, divisões, rivalidades?
Esposos, para dar bons frutos é preciso encher o nosso coração do que é bom, e se queremos dar frutos de amor temos de encher o nosso coração de amor, do amor verdadeiro, do Amor de Deus. E para isso, também Jesus nos dá a fórmula: aproximarmo-nos d’Ele, ouvir a Sua Palavra e pô-La em prática. Só cumprindo estas três premissas poderemos construir o nosso casamento e a nossa família sobre rocha firme. Se nos faltar uma, construiremos em falso. Mas se enchermos o nosso coração do Amor de Deus, este transbordará e dará frutos espetaculares no nosso casamento e na nossa família. Então, de que estamos à espera para nos enchermos do Amor de Deus?
Transposição para a vida matrimonial:
Mercês: Francisco, em que é que estás a pensar, que me pareces tão ausente?
Francisco: Não, nada, Mercês… bom, em como me organizar para ir esta tarde ao jogo da minha equipa. Já sabes que gosto de ir com os meus amigos ao estádio.
Mercês: Aiiiii… é que estás sempre a pensar em futebol. O que é que preenche o teu coração? Se quiseres, para descobrirmos o que há nos nossos corações, proponho que façamos os dois uma revisão daquilo de que falámos ontem e hoje. Eu também o faço. E vamos ver o que sai. Achas bem?
Francisco: Está bem, parece-me uma boa ideia, pode ser interessante. Vejamos… Eu falei de coisas do meu trabalho, de política, de economia, de desporto… Bolas! Parece-me que o meu coração está cheio das coisas deste mundo.
Mercês: Eu, com as colegas de trabalho, estive a falar de moda e a criticar algumas pessoas. E em casa estive atenta aos trabalhos de casa dos miúdos e à arrumação… Bom, estou a dar-me conta de que o meu coração também está cheio das coisas deste mundo.
Francisco: Quase não falámos de amor, nem de Deus. Não Lhe agradecemos, não O louvámos… Não nos preocupámos em ajudar-nos a aproximar-nos mais d’Ele, não aprofundámos um no outro para conhecer melhor os planos de Deus para nós. Vejo que o meu coração está seco. Claro, assim não pode dar bom fruto, nem para ti, nem para os miúdos, nem para ninguém…
Mercês: Assim não podemos continuar. Temos de fixar um horário e reservar um tempo para que não nos falte o mais importante do dia: encher o nosso coração do que é bom. Fazer mais oração. E não falhar na oração conjugal.
Francisco: Pois não se fale mais. A partir de agora mesmo, vamos a isso!
Mãe,
ensina-nos a esvaziar o nosso coração das coisas do mundo para podermos enchê-lo de Deus, como Tu, e assim dar frutos de Amor. Bendita e gloriosa sejas, Mãe! Louvado seja para sempre o Senhor!


A Justiça. Comentário para os esposos: Lucas 6, 39-42

Evangelho do Dia:
Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos a seguinte parábola: «Poderá um cego guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova?
O discípulo não é superior ao mestre, mas todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre.
Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua?
Como podes dizer a teu irmão: “Irmão, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista”, se tu não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão.
A Justiça
No dia em que celebramos o Sacramento do Matrimónio, selamos uma Aliança a três: o marido, a mulher e Nosso Senhor Jesus Cristo. Trata-se de um compromisso entre duas pessoas em que Cristo está presente, sustentando, guiando e fortalecendo o amor dos esposos. Ele permanece sempre fiel, mas nós, esposos, temos uma natureza decaída que nos pode fazer cair repetidamente.  Neste Evangelho, Jesus aponta-nos o pecado mais grave que podemos cometer contra o nosso cônjuge: o julgamento. Não nos diz em que consiste a «argueiro» do outro (pode ser desde uma pequena mentira até uma infidelidade), mas diz-nos claramente qual é a trave no nosso olho: vemos o pecado e condenamos sem qualquer misericórdia, com um julgamento implacável. Recordemos os ensinamentos do Nosso Mestre: devemos ser mansos e humildes de coração. E se olharmos assim para o nosso cônjuge nas suas quedas, não veremos o pecado, mas sim o pecador, e ser-nos-á possível ajudá-lo a levantar-se com o Amor, sem medida, com que o Senhor se entregou por nós.

Transposição para a vida matrimonial
Miguel: Hoje faz 25 anos do atentado às Torres Gémeas em Nova Iorque.
Assunção: Que horror! Já passaram 25 anos, lembro-me perfeitamente de onde estávamos naquele momento.
Miguel: Ontem vi num documentário que as Torres ruíram não devido ao impacto do avião, mas porque a estrutura era de vigas metálicas que se amoleceram devido à altíssima temperatura do combustível ao arder.
Assunção: Foi impressionante a forma como ruíram; em questão de segundos, um símbolo de Nova Iorque e dos Estados Unidos desabou!
Miguel: E tudo o que se seguiu…  Temos de rezar muito.
Assunção: Isto faz-me lembrar o Evangelho que ouvimos hoje na missa: tirar a trave do nosso olho antes de fazer uma correção fraterna ao irmão.
Miguel: Pois bem, podemos fundir a nossa trave no Amor ardente do Sagrado Coração de Jesus.
Assunção:    Boa!  Adoro a forma como relacionas tudo com Nosso Senhor; todos os dias ajudas-me a aproximar-me Dele, em cada conversa que temos.  E peço-Lhe que me ensine a amar-te todos os dias com esse amor ardente do Seu Coração.
Miguel: És tão bonita! Dá-me um beijo.

Mãe

Amamos-te tanto! Muito obrigado por tudo o que nos deste através do Projeto Amor Conjugal. Quantas bênçãos recebemos! Quantos casamentos curados! Aqui estamos para te ajudar a cumprir a Vontade do Pai, em tudo o que precisares. Louvada seja para sempre a Santíssima Trindade, Deus Pai, Filho e Espírito Santo!


Dar sem esperar. Comentário para os esposos: Lucas 6, 27-38


Leitura do Santo Evangelho segundo S. Lucas 6, 27–38
Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos  «Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam. A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica. Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames. O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus. Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»

Dar sem esperar

Jesus não fala apenas de sentir amor por quem nos faz mal; convida-nos a não devolver mal com mal, a responder com um bem a quem nos fere, a colocar nas mãos de Deus aqueles que nos magoaram e a fazer do amor ao próximo uma regra concreta de vida, imitando a forma como Deus nos trata.

O verdadeiro amor cristão manifesta-se quando damos sem esperar receber nada em troca, e a misericórdia que oferecemos aos outros vai transformando o nosso coração.
O casamento não se sustenta quando os esposos se amam facilmente, mas quando aprendem a amar-se na dificuldade, nos momentos em que o outro nos magoa, nos decepciona ou se torna difícil de acolher. É muito fácil instalar no casamento a lógica de responder da mesma forma que somos tratados, de devolver mal com mal; mas Jesus propõe-nos tratar os outros como desejamos que nos tratem a nós.
A misericórdia consiste em olhar o outro não apenas a partir do que fez de errado ou das suas falhas, mas também a partir da sua fragilidade, do seu cansaço, do seu passado e dos seus pecados.

Transposição para a vida Matrimonial

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Rafael: Olá Rita, já estou em casa. Como correu o teu primeiro dia de trabalho depois das férias?
Rita: Que bom que já estás em casa. Olha, o meu primeiro dia foi correu mai ou menos… já tive um confronto importante com uma colega, e não é a primeira vez.
Rafael: Não posso acreditar… a mesma colega que, na altura, te meteu naquele conflito com o teu chefe? Pensava que isso já estava resolvido.
Rita: A mesma. Parece mentira que tenha sido ela. Fez-me uma grande partida e deixou-me mal vista à frente de toda a equipa. Já estou a pensar na melhor maneira de lhe responder na mesma moeda.
Rafael: Não acho que tenha sido assim tão grave, e sabes bem que responder mal com mal não te faz bem nenhum, pelo contrário. No fim, acabas sempre por sair a ganhar quando tratas os outros como gostas que te tratem a ti.
Rita: Pois… isso é fácil dizer quando não te aconteceu a ti. Mas desta vez ela passou mesmo dos limites, estamos como da última vez. Noutras ocasiões deixei passar e não serviu de nada. Aliás, falar com ela ajudou-me muito na altura, mas parece que não serviu para nada.
Rafael: Não te esqueças de como éramos nós antes, e de como respondíamos um ao outro conforme aquilo que recebíamos. Agora, não ficamos à espera que um de nós dê o primeiro passo para fazer algo bom pelo outro; damos tudo para estarmos bem, mesmo continuando a falhar muitas vezes.
Rita: Tens razão, Rafael. Vim bastante irritada e não estou a ser coerente com aquilo que devo fazer. Na minha impulsividade, a primeira resposta é devolver-lhe o mal, mas de certeza que há alguma razão para ela estar a comportar-se assim. Amanhã vou falar com ela para ver se consigo resolver isto.
Rafael: Assim é que é, minha querida. Sempre disposta a dar tudo pelos outros, apesar do que possam fazer contigo. Mostras‑mo todos os dias, e ajuda-me imenso no meu dia-a-dia.

Mãe,
Ajuda‑nos a amar como Cristo nos ensina, mesmo quando nos custa. Bendito seja Deus.