Arquivo diário: 4 Setembro, 2026

Casamento novo. Comentário para os esposos: Lucas 5, 33-39

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 5, 33-39

Naquele tempo, os fariseus e os escribas disseram a Jesus: «Os discípulos de João Batistae os fariseus jejuam muitas vezes e recitam orações. Mas os teus discípulos comem e bebem». Jesus respondeu-lhes: «Quereis vós obrigar a jejuar os companheiros do noivo, enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão». Disse-lhes também esta parábola: «Ninguém corta um remendo de um vestido novo, para o deitar num vestido velho, porque não só rasga o vestido novo, como também o remendo não se ajustará ao velho. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho novo acaba por romper os odres, derramar-se-á e os odres ficarão perdidos. Mas deve deitar-se vinho novo em odres novos. Quem beber do vinho velho não quer do novo, pois diz: ‘O velho é que é bom’».

Casamento novo

Cristo faz referência ao Esposo e, inevitavelmente, interpela-nos diretamente a nós, os casais. Cristo é o Esposo que vem ao nosso encontro e que deseja entrar na nossa vida conjugal. O casamento não é simplesmente duas pessoas que tentam amar-se melhor; é uma vocação na qual Cristo deseja fazer-se presente e renovar o nosso amor.

Muitas vezes queremos viver um casamento novo com um coração velho. Queremos que o nosso cônjuge mude, que as nossas circunstâncias mudem, que haja mais diálogo, mais carinho, mais paciência… mas continuamos a reagir da mesma forma: defendendo o nosso ponto de vista, guardando mágoas, exigindo do outro ou tentando mudá-lo.

O vinho novo é Cristo. E os odres novos somos nós, quando deixamos que Ele nos transforme. Não se trata de colocar um pequeno «remendo» cristão sobre a nossa forma de viver o casamento. Não basta rezar um pouco mais ou ir à missa aos domingos para continuarmos depois a viver a partir do egoísmo, da exigência ou da autossuficiência. Cristo quer dar-nos um amor novo: um amor capaz de perdoar, de se entregar, de esperar, de compreender e de procurar o bem do outro antes do próprio, e isso requer um coração novo.

Peçamos hoje ao Senhor que não tentemos remendar o nosso casamento com pequenos remendos, mas que nos conceda «odres novos»: um coração capaz de receber o vinho novo do Seu Amor. Porque quando Cristo renova o nosso coração, também o nosso casamento começa a renovar-se.

Transposição para a vida matrimonial:

Nuno: Já não sei o que fazer contigo. Conversamos e acabamos sempre da mesma forma.

Susana: Porque tu também não me ouves. Só queres que eu faça as coisas como tu dizes.

Nuno: É que parece que não te importas com nada do que faço!

Susana: Eu importo-me. Mas estou cansada de sentir que, faça o que fizer, nunca é suficiente para ti.

Houve um silêncio. Ambos estavam magoados. Já há algum tempo que tentavam resolver aquela situação, mas cada conversa acabava por abrir uma nova ferida.

Nuno: Talvez estejamos a tentar salvar o nosso casamento com as nossas próprias forças.

Susana: E o que queres que façamos?

Nuno: Não sei… Mas hoje, durante a oração, veio-me à mente o Evangelho: «Vinho novo, odres novos». Talvez estejamos a pedir um amor novo, mas continuamos a ser os mesmos de sempre.

Susana: Pode ser. Há dias que ando a pedir a Jesus que sejas tu a mudar.

Nuno: Hehe! E eu há dias que ando a pedir-Lhe que sejas tu a mudar.

Susana: Então, talvez sejamos nós que tenhamos de mudar.

Nuno: Bem, talvez seja melhor dizer que… somos nós que temos de deixar que Jesus nos mude.

Susana: Tens razão, Nuno! Depois, na nossa oração conjugal, pedimos ao Senhor que nos transforme o coração.

Mãe,

Ajuda-nos a deixar que o Teu Filho transforme o nosso coração para que possamos recebê-Lo como Tu o fizeste. Louvado seja o Senhor!