Arquivo diário: 14 Setembro, 2026

Exaltação da Santa Cruz. Comentário para os esposos: João 3, 13-17


Leitura do Santo Evangelho segundo S João 3, 13-17

 
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem.
Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado,
para que todo aquele que acredita tenha nele a vida eterna».
Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

Exaltação da Santa Cruz

Hoje celebramos a exaltação da Santa Cruz – como prova do amor extraordinário que Deus tem por nós. Este Evangelho revela-nos como Deus ama e, por isso, como somos chamados a amar no matrimónio: um amor que se entrega, que levanta o outro e que procura a sua salvação – e não a sua condenação. A palavra «entregar» adquire um significado muito profundo: amar o marido ou a esposa não consiste apenas em sentir carinho, ter momentos bonitos ou procurar a nossa própria felicidade juntos. Amar é entregar-se ao outro, pôr a própria vida ao serviço do seu bem e aprender, pouco a pouco, a dar a vida pelo outro. Jesus fala de ser «elevado», porque embora a cruz pareça o lugar da derrota e da morte, torna-se o lugar onde Jesus manifesta o maior amor: entrega a Sua vida para nos salvar.

Em todos os casamentos há momentos de «deserto»: cansaço, discussões, feridas, deceções, dificuldades económicas, preocupações familiares… E nesses momentos podemos cair na tentação de olhar apenas para a ferida do outro: «Olha o que me fizeste», «a culpa é tua», «fazes sempre o mesmo». Mas Jesus convida-nos a levantar o olhar para Ele. A cruz recorda-nos que o amor verdadeiro não consiste em nunca haver dificuldades, mas sim em que o amor consiga atravessar essas dificuldades sem deixar de amar. Podemos escolher entre fechar-nos em nós mesmos ou elevar o nosso amor: pedir perdão quando achamos que temos razão, escutar quando estamos cansados, renunciar a uma comodidade pelo bem do outro, cuidar do nosso marido/da nossa mulher na sua fragilidade ou permanecer fiéis quando atravessamos uma etapa difícil.

Transposição para a vida matrimonial:

Mónica: Cada vez vejo mais claramente que o nosso modelo a seguir e o modo como temos de amar é como Cristo nos ensina no Evangelho: Deus entregou-Se para que nós também nos entreguemos.

Nuno: Sim. E eu também cada vez vejo mais claramente que no nosso casamento isso tem de se notar nas coisas pequenas. Às vezes entregar a minha vida por ti não é fazer algo extraordinário, mas sim ouvir-te mesmo estando cansado, ceder, ajudar-te ou simplesmente estar presente.

Mónica: E outra coisa que também aprendo com Jesus é que Ele não veio julgar, mas sim salvar. Porque nós muitas vezes fazemos exatamente o contrário: julgamo-nos.

Nuno: Totalmente. Numa discussão é muito fácil pensar: «Tu fazes sempre isto» ou «a culpa é tua». E talvez Jesus nos convide a mudar a pergunta: não «quem tem a culpa?», mas «como agiria Cristo nesta situação?».

Mónica: Isso muda muito as coisas. Porque quando deixo de querer ter razão, posso começar a procurar-te a ti.

Nuno: E aí aparece a cruz. Não como algo que tenhamos de procurar, mas como num desses momentos em que amar custa. É aí que podemos decidir se nos afastamos ou se nos aproximamos mais.

Mónica: E temos de tentar aprender a olhar-nos como Ele nos olha.

Nuno: Sim. Com os nossos defeitos, as nossas feridas e as nossas limitações… mas sem deixar de acreditar que o outro é um dom de Deus para mim, tal como é.

Mónica: E agora, como prova definitiva de que estamos a aprender a amar-nos…

Nuno: O quê?

Mónica: Deixo-te propor o que vemos esta noite na televisão.

Nuno: Isso sim é que é uma entrega redentora!

Mónica: Bem… também não te entusiasmes muito. Disse propor, não escolher o que tu quiseres.

Nuno: Ah… então ainda nos falta caminho até à santidade!

Mãe,

ensina-nos a entregar-nos sem reservas, e a levantarmo-nos mutuamente quando chegar a cruz. Louvada seja a Cruz de Cristo.