Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco.
Estamos, sem dúvida, perante o momento de maior escuridão na vida de São José. Sem compreender o que se passa e enfrentando uma dor avassaladora, ele mantém-se aberto à voz de Deus. Permite inclusive que Deus altere os seus planos: em vez de repudiar Maria, passa a acolher a sua esposa. Temos tanto a aprender com José, nós, cônjuges! Quando nos deparamos com o mistério do coração do outro, quando não compreendemos por que razão age assim, quando o outro não vê as coisas como nós ou quando se revela a sua fraqueza, o seu pecado… a nossa primeira tentação é afastar-nos. Rompe-se a comunhão quando a nossa vocação nos chama a entregar-nos e a acolher-nos mutuamente. Perante a dificuldade, ouve também tu as palavras do anjo: «Não temas acolher o teu esposo». Grava-as no coração. O anjo não diz simplesmente a José: «Não te preocupes». Chama-o a encarnar o amor, é o momento! «Não temas acolher Maria, a tua mulher». José confia em Deus e acolhe-a. É isso que temos de fazer se quisermos a promessa de viver um casamento tal como Deus o concebeu. Estão a passar por uma dificuldade? Acolham-se. Têm divergências? Acolham-se. Magoaram-se um ao outro? Acolham-se. Não se compreendem? Acolham-se. E vejam o fruto gerado: José acolheu Maria e, ao acolher Maria, o fruto foi Jesus. Por isso, não olhes para o quanto te custa acolher o teu esposo, não olhes para o que perdes. Pede ao Espírito Santo que alargue o teu coração, vence o teu orgulho e lança-te a amar, porque cada vez que vos acolherdes e vos entregardes, ganhareis a Cristo.
Transposição para a Vida Matrimonial
O Xavier e a Helena regressam a casa de carro depois de jantarem com uns amigos. É ela quem está a guiar. O Xavier, cansado e ansioso por chegar, olha pela janela com algum desespero enquanto, um após outro, os carros os ultrapassam e desaparecem à sua frente. Então, dirige o olhar para o velocímetro.
Xavier: Helena, querida… estás a ir a 40…
Helena: E então?
Xavier: Por este andar só chegamos a casa amanhã…
Helena: Ai, que exagerado que tu és. É que gosto de conversar contigo no carro. Tu não?
Xavier: Hahahaha, mas o que é que isso tem a ver?
Ele está com vontade de insistir, mas olha para ela. Sabe que ela precisa de guiar assim para se sentir segura e fica calado. Ela sorri-lhe, sabe que o Xavier gosta de acelerar, mas aceita-o tal como ele é.
Helena: Amo-te, seu “Fangio”…
Xavier: E eu também te amo, querida.
Mãe,
Como é simples construir o amor e ao mesmo tempo quanto nos custa fazê-lo. Ensina-nos a encontrar a verdadeira humildade que nos permitirá penetrar no que está oculto. E aí encontrar o amor verdadeiro. Louvado seja Jesus!
