Arquivo diário: 26 Setembro, 2026

Linguagens diferentes. Comentário para os esposos: Lc 9, 43b-45

Evangelho do dia
Leitura do Santo Evangelho segundo São Lucas 9, 43b–45

Naquele tempo, estavam todos admirados com tudo o que Jesus fazia. Então Ele disse aos discípulos: «Escutai bem o que vou dizer-vos. O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens». Eles, porém, não compreendiam aquelas palavras; eram misteriosas para eles e não as entendiam. Mas tinham medo de O interrogar sobre tal assunto.

Linguagens diferentes

Neste evangelho, o Senhor fala aos discípulos, mas eles não compreendem o que lhes diz; a linguagem do seu Mestre parece-lhes obscura e não percebem o sentido. A nós, esposos, acontece muitas vezes o mesmo: não nos compreendemos, interpretamos mal o que o nosso cônjuge nos diz, porque é como se falássemos línguas diferentes. Na realidade, são mesmo linguagens diferentes, porque os homens têm uma linguagem mais conceptual, enquanto a das mulheres costuma ser mais emocional. As mesmas palavras, num e noutro, adquirem significados diferentes; isso confunde-nos e não captamos o sentido profundo.
Esposos, para construirmos a nossa comunhão, temos de nos esforçar por nos deixarmos conhecer e por conhecer o coração do nosso cônjuge e os seus sentimentos, que permeiam o significado das suas palavras, e assim tentar colocar-nos na situação do outro, para o que é necessário conhecer a sua forma de pensar, a sua forma de comunicar, conhecer o que há de mais íntimo no seu coração. Quão necessária é a oração conjugal para alcançarmos este conhecimento mútuo das intimidades! Do que estamos à espera?

Transposição para a vida matrimonial:

Mariana: O que é que tens, Vasco, que pareces tão distante?
Vasco: Sabes, Mariana…? Não consigo perceber-te. Dizes-me que não faço nada, mas esta manhã levei os miúdos à escola antes de ir trabalhar; quando cheguei a casa, esvaziei a máquina de lavar louça e arrumei tudo no lugar; depois estive a rever as contas e as nossas despesas, para não corrermos o risco de não chegarmos ao fim do mês; fomos juntos à Missa…
Mariana: Vês? Estás a falar de coisas concretas, mas o que eu sinto é que, nestes dias, estás distante de mim, que não tens pequenos gestos comigo e que não fazes nada para construir esta comunhão.
Vasco: E o que é que queres que eu faça além do que já faço?
Mariana: Acho que preciso de mais oração contigo, mais oração conjugal. Já há dias que não a fazemos, eu noto isso.
Vasco: É que estou numa altura de muito trabalho e quase não tenho tempo, e quando chego à cama já estás a dormir ou muito cansada.
Mariana: Assim não podemos continuar. Temos de dar prioridade ao que é mais importante, ao que é realmente importante, que é o nosso casamento, a nossa comunhão conjugal. Vamos definir um horário e reservar um tempo todos os dias para não nos faltarmos o essencial: rezar mais, para encher o nosso coração com o que é bom, com o Amor de Deus, e não falhar na oração conjugal. Se não tiveres tempo para esvaziar a máquina de lavar louça, então eu faço, porque isso não é assim tão importante.
Vasco: Que coisa! Como estás sempre que não gostas de fazer, eu tinha dado prioridade a isso, a achar que assim te deixava mais contente …
Mariana: Não deixes de o fazer, claro que me ajuda e eu valorizo isso… mas não à custa de perdermos a oração.
Vasco: Vejo que ainda me custa perceber-te, mas a verdade é que a oração conjugal nos uniu muito e ajuda-me a conhecer-te melhor. Está bem, vamos dar prioridade à nossa oração a partir de agora.

Mãe,
ensina-nos a rezar para encher os nossos corações com as coisas de Deus e esvaziá-los das coisas do mundo, como Tu, e assim dar frutos abundantes de Amor. Bendita e gloriosa sejas, Mãe! Louvado seja para sempre Nosso Senhor!