Arquivo mensal: Setembro 2026

Reconhecer Deus. Comentário para os Esposos: Lucas 9, 7-7

Leitura do Santo Evangelho segundo S. Lucas 9, 7–7

Naquele tempo,o tetrarca Herodes ouviu dizer tudo o que se passava; e andava perplexo, pois alguns diziam que João ressuscitara dos mortos; outros, que Elias aparecera, e outros, que um dos antigos profetas ressuscitara.

Herodes disse: «A João mandei-o eu decapitar, mas quem é este de quem oiço dizer semelhantes coisas?» E procurava vê-lo.

Reconhecer Deus


Deus está muito mais presente na nossa vida do que conseguimos imaginar, e pode acontecer-nos como a Herodes: ver que algo extraordinário está a acontecer à nossa volta e, em vez de abrirmos o coração, mantê‑lo fechado nos nossos próprios raciocínios e no peso do nosso pecado, que continua a ressoar dentro de nós e nos impede de reconhecer o que Deus está a fazer em nós.

Devemos perguntar‑nos se conhecemos verdadeiramente Cristo ou se apenas sabemos d’Ele pelo que ouvimos, e perceber se o nosso passado, os nossos pecados, feridas e medos nos dificultam reconhecer a ação de Deus na nossa vida.
No casamento pode acontecer algo semelhante, pois por vezes olhamos para o nosso marido/a nossa muher condicionados por situações anteriores, erros e feridas do passado, que nos impedem de descobrir o que Deus está a realizar nele ou nela e no nosso casamento.
Só um coração reconciliado é capaz de reconhecer a presença do Senhor e deixar‑se transformar.

Transposição para a vida Matrimonial

Luís: Olá, Maria. Estou cansado… no trabalho não me deixam respirar, chego a casa e parece que tenho tudo contra mim, e além disso levo tudo para a oração e parece que não acontece nada. Não vejo resposta porque tudo continua igual, é como se o Senhor não me ouvisse.
Maria: Vê-se bem, Luís, como chegas. Mas não te preocupes, tens‑me a mim e, além disso, o Senhor faz grandes coisas por ti e através de ti.
Luís: Bem, isso dizes tu para me tranquilizar, mas sinto-me um pouco abandonado.
Maria: Não digas isso. Pode parecer que o Senhor não te escuta, mas sabes bem que não é assim. Para mim és um verdadeiro exemplo: apesar de tudo, nunca abandonas a oração e procuras sempre os teus momentos para estar a sós com Ele.
Luís: A verdade é que preciso disso. Não consigo deixar de procurar essa intimidade com Deus, mas quando parece que não serve para nada, como se não houvesse resposta, dá-me vontade de desistir e simplesmente confiar na providência.
Maria: Sabes bem que isso não funciona. Lembra-te de como éramos antes de conhecer o Senhor: queríamos controlar tudo e fazer tudo com as nossas próprias forças — e já sabes bem aonde isso nos levou. Recorda que nessa altura sim, estivemos quase a deitar tudo a perder, mas Ele veio resgatar-nos, entrou na nossa vida e mudou tudo.
Luís: É verdade. Sem Deus estivemos mesmo à beira de nos separarmos, e quando O deixámos entrar na nossa vida, tudo mudou para melhor.
Maria: Por isso não podes permitir-te pensar que não serve para nada. De certeza que estás mais preso às tuas preocupações e não O estás a deixar entrar no teu coração. Com todo o ruído que te provocam as coisas de fora, é natural que estejas mais atento a ti do que ao Senhor. A mim também me acontece às vezes.
Luís: Tens razão. Mais do que não receber nada, estou é a deixar de O escutar. Obrigado pela luz que me transmites e, sobretudo, dou graças a Deus por me falar através de ti, como acabou de fazer agora. Sou um afortunado.
Maria: Glória a Deus!
Mãe,
  Ajuda-nos a ter um coração humilde, capaz de reconhecer Deus no nosso casamento e de nos deixarmos converter pela tua presença.


O único alforje. Comentário para os Esposos: Lucas 6, 20-26

Evangelho do dia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 9, 1-6

Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos e deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demónios e para curarem todas as doenças. Depois enviou-os a proclamar o reino de Deus e a curar os enfermos. E disse-lhes: «Não leveis nada para o caminho: nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro, e não leveis duas túnicas. Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. Se alguns não vos receberem, ao sair dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés, como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e foram de terra em terra a anunciar a boa nova e a realizar curas por toda a parte.

O único alforje

Jesus convoca os doze e envia-os a anunciar o Reino de Deus. Também nós somos convocados e enviados. Nós, casais, temos uma forma maravilhosa de evangelizar: mostrar a beleza da nossa vocação e tornar visível o Amor de Deus.

Quando um casal permanece unido ao Senhor, através do sacramento, o seu amor humano vai-se transformando num amor divino, tornando-se assim um espelho para onde o mundo pode olhar e descobrir como Deus ama. Esse amor visível é a única bagagem de que precisamos. A nossa verdadeira força não está no que levamos nas mãos, mas na nossa união. Que belo é podermos evangelizar juntos, mostrando o nosso amor e sendo testemunhas da obra que Deus está a realizar no nosso casamento!

O que há no matrimónio para que seja capaz de representar o amor de Deus na terra? Que grande mistério! Que grandeza! Hoje, neste breve momento de oração, pergunto-me: será que alguém pode encontrar Cristo ao olhar para o nosso casamento? Senhor, faz de nós um sinal vivo do Teu amor.

Transposição para a vida matrimonial:

Cristina: Eram mesmo a Ana e o Luis que estavam na mesa ao lado?

Oscar: Sim. Já não os víamos há imenso tempo.

Cristina: Parecem outras pessoas… Estavam quase a separar-se, diziam que a relação deles não tinha solução…

Oscar: Pois é, que mudança! Não teria apostado nem um euro neles. Fiquei surpreendido porque, ainda por cima, ela disse-me: «Agora damos graças a Deus até por aquela época.»

Cristina: Por aquela época?

Oscar: Sim. Ela disse-me que foi precisamente nessa altura que descobriram que, sozinhos, não conseguiam ultrapassar as dificuldades e começaram a deixar Deus entrar no seu casamento.

Cristina: Bem… não sei exatamente o que Deus fez com eles, mas nota-se que fez alguma coisa… e alguma coisa muito bonita!

Oscar: Que tal ligarmos-lhes e marcarmos um encontro com eles um dia destes para que nos contem tudo?

Cristina: Sim. Em mim também despertou alguma coisa… Talvez nós também precisemos de dar um pouco mais de espaço ao Senhor.

Mãe,

Como é bom ter-te também a ti no nosso casamento. Que Deus te abençoe!


Dizes que amas a Deus? Comentário para esposos: Lucas 8, 19-21


Evangelho do dia 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 8, 19–21
Naquele tempo, vieram ter com Jesus sua Mãe e seus irmãos, mas não podiam chegar junto d’Ele por causa da multidão. Então disseram-Lhe: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-Te». Mas Jesus respondeu-lhes: «Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».
Dizes que amas a Deus?
Jesus revela onde reside a verdadeira grandeza de Maria e de onde brota a comunhão entre eles: Maria é aquela que ouviu a palavra de Deus e viveu de acordo com ela. O fruto disso é a comunhão e a intimidade com Ele. Jesus convida-nos a todos a sermos íntimos d’Ele através do cumprimento da Sua palavra. Que amor temos por Deus se ouvimos a Sua Palavra, mas não queremos encarná-la? Examinemos o nosso coração e perguntemo-nos se agimos de acordo com a vontade de Deus ou se estamos a reagir ao nosso coração ferido. Estejamos muito atentos: podemos rezar em casal, colaborar em retiros, ir à Eucaristia, mas não deixamos que a «Palavra» se encarne em nós como se encarnou em Maria. Amar a Deus é fazer a Sua vontade, mesmo que não coincida com a minha.
Transposição para a Vida Matrimonial 
Laura está a passar por uma crise conjugal que requer um atenção, paciência e perdão. Ligou ao seu tutor e disse-lhe que já não quer continuar. 
Laura: Estou cansada. Cansada de perdoar, de ceder, de ser sempre eu a amar… Já não quero continuar.
Eduardo: E o que queres fazer?
Laura: Pensar em mim. Que seja ele a mudar. Eu já fiz o suficiente, agora é a minha vez de ser feliz.
Eduardo: Esse não é o caminho, Laura. Não é por aí que se vai se quiseres seguir Cristo.
Laura: A Cristo sim, mas ao meu marido não. 
Eduardo: Amar a Deus é fazer a Sua vontade. «Quem me ama guardará a minha palavra.» Lembras-te desta palavra do Evangelho? Não te deixes enganar pelo demónio. Isso é recusares-te e dizeres a Deus: «Não quero fazer a Tua vontade, não acredito que o Teu caminho me conduza à felicidade e vou fazer à minha maneira, não à Tua.» Percebes?
Laura fica em silêncio.
Eduardo: Está na altura de fazer a vontade de Deus, mesmo que seja contrária à tua. Sabendo que a nossa vontade, deformada pelo pecado, nos leva à morte e a Sua nos leva à vida.
Laura: Mas eu já não aguento mais.
Eduardo: Já te disse que, quando fosse preciso, te levávamos nos braços, numa maca, como for preciso, e é isso que faremos. Vais deixar-nos fazer isso?
Laura sorri
Laura: Como dizer «não» a Deus?
Mãe,
Dá-nos a Tua obediência à Palavra de Deus e a Tua humildade, e seremos bem-aventurados contigo. Louvado seja Deus!

Mateus ou fariseu? Comentário para esposos: Mateus 9, 9-13

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 

9, 9-13

Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me!» E ele levantou-se e seguiu-o.
Encontrando-se Jesus à mesa em sua casa, numerosos cobradores de impostos e outros pecadores vieram e sentaram-se com Ele e seus discípulos.
Os fariseus, vendo isto, diziam aos discípulos: «Porque é que o vosso Mestre come com os cobradores de impostos e os pecadores?»
Jesus ouviu-os e respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.».

Mateus ou fariseu?

No nosso casamento, caímos frequentemente na atitude do fariseu: colocamo-nos na posição de juízes do nosso cônjuge e até da forma como Jesus atua na sua vida. Deixamo-nos levar pela soberba espiritual e começamos a medir a vida de fé em termos de “méritos” ou de contabilidade moral, considerando-nos mais dignos de que o Senhor se aproxime de nós, porque nos julgamos mais santos, fazemos mais sacrifícios ou colaboramos mais na paróquia. Contudo, esta atitude de autossuficiência acaba, na realidade, por nos afastar d’Ele, pois onde existe julgamento não há lugar para a misericórdia.

Jesus rompe por completo com essa lógica do mérito: Ele não procura aqueles que se consideram “justos”, mas os corações contritos e humilhados, que reconhecem a sua necessidade de cura. Por isso, não chamou Mateus por aquilo que ele era naquele momento – um cobrador de impostos visto como pecador público-, mas por aquilo em que poderia vir a transformar-se através da Sua graça. Se, em vez de julgarmos o outro pelas suas faltas, adotarmos esse mesmo olhar de esperança, transformaremos a vida conjugal num espaço de redenção.

Sempre que sentirmos a tentação de nos considerarmos “os bons” da relação, recordemos como ainda estamos longe da verdadeira misericórdia de Deus e que estarmos sentados à Sua mesa é um dom imerecido, que recebemos apenas pela Sua graça. No casamento não são necessárias duas pessoas perfeitas, mas dois pecadores perdoados, que se ajudam mutuamente a alcançar a santidade. Alegremo-nos verdadeiramente e celebremos cada pequeno passo do nosso cônjuge, cada gesto ou carícia de Jesus que ele/ela receba, reconhecendo aí a gratuidade do amor de Deus.

Transposição para a vida matrimonial

Laura: João, estás zangado comigo?

João: Não… Bem, um pouco, mas comigo próprio. É que, ultimamente, tenho andado inquieto interiormente, a pensar frequentemente que sou eu quem está a levar tudo para a frente: as coisas da paróquia, rezarmos juntos, estar atento à fé dos nossos filhos… e que, para ti, é tudo muito cómodo.

Laura: Sim… Sei que estás muito empenhado.

João: E, por vezes, penso que… não sei… que sou melhor do que tu por fazer todas essas coisas.

Laura: Pensas mesmo isso?

João: Tenho um pouco de vergonha de o admitir, mas sim. Suponho que caí na tentação de me considerar o “bom” dos dois e de te julgar.

Laura: João, eu preciso que sejas meu marido e que estejas ao meu lado, não à minha frente.

João: Sim… Tens razão.

Laura: Sei que, neste momento, não estou no mesmo ponto que tu, mas também sei que Jesus está a trabalhar em mim e me vai acompanhando.

João: É isso que me custa. Em vez de confiar naquilo que Jesus quer fazer em ti, concentro-me naquilo que te falta.

Laura: E eu também tenho de reconhecer que, quando sinto que me julgas, me fecho.

João: Perdoa-me. Quero aprender a alegrar-me quando vir qualquer pequeno passo teu, mesmo que seja diferente daquilo que eu esperava.

Laura: E eu quero deixar-me ajudar mais por ti.

João: No fim de contas, nenhum de nós conquistou o direito de estar mais perto de Jesus.

Laura: Não. Foi Ele quem nos convidou, pela Sua misericórdia.

João: E que paciência Ele tem connosco…

Laura: Ainda bem.

Mãe,

Que eu me reconheça sempre necessitado da cura do meu coração ferido.

Louvado seja Deus!


O mesmo salário. Comentário para esposos: Mateus 20, 1-16

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 20, 1-16

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um pro­prie­tário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. Saiu a meia-manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’. E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo.

Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’.

Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’.

Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’.

Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: «Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’.

Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um.

Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um.

Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizen­do: ‘Estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor’.

Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’. Assim, os últimos serão os primei­ros e os primeiros serão os últimos».

O mesmo salário

 

Hoje o Senhor mostra-nos que Ele vem sempre à nossa procura, quer que O conheçamos, que trabalhemos para Ele; não importa a hora. Esposos, o Senhor chama-nos a viver o nosso casamento tal como Ele o pensou e não importa a hora em que o tenhamos descoberto: Ele convida-nos a vivê-lo.

A uns chama logo pela manhã, na juventude; a outros a meio do dia, quando já percorreram parte do caminho; a outros a meio da tarde, na maturidade; e até a outros ao fim do dia, nos últimos anos. Não importa a hora do chamamento: Ele envia-nos a trabalhar para Ele, a sermos testemunhas do Seu amor em nós, a anunciá-Lo.

A recompensa será a mesma, se formos fiéis: a Vida Eterna. Não tenhamos medo de responder ao Seu chamamento, de trabalhar com Ele e para Ele; de O ajudar a construir o Seu Reino neste mundo. Coragem! Anunciai as maravilhas que Ele fez no vosso coração de esposos.

Transposição para a vida matrimonial:

Maria José: Ai, Luís, se tivéssemos conhecido antes isto que nos ensinaram… Agora, já com a nossa vida feita…

Luís: Maria José, o Senhor mostrou-nos agora a Sua bondade. Pode parecer-nos que é tarde, que poderia tê-lo feito antes, mas Ele quis que fosse assim. Além disso, passámos uma vida bonita junto d’Ele, embora não tenhamos conhecido antes a maravilha que agora nos mostraram.

Maria José: Pois, mas se tivéssemos conhecido este caminho antes, talvez tivéssemos evitado algum sofrimento.

Luís: Mas então não se teria cumprido a Sua vontade.

Maria José: Pois, mas resta-nos pouco tempo para o viver, somos muito velhos.

Luís: Então, o que temos de fazer é vivê-lo plenamente e mostrá-lo aos nossos filhos e até aos nossos netos, alguns dos quais já têm namorada, para que eles o possam viver desde o início.

Maria José: Tens razão, Luís.

Luís: Além disso, depois ficará toda a eternidade para o desfrutarmos e, olha só quanto tempo teremos, hahaha. O Senhor paga-nos o mesmo salário!

Mãe,

Que maravilhas nos permites conhecer quando nos conduzes ao Teu Filho. Não permitas que alguma vez nos afastemos d’Ele. Bendito e louvado seja para sempre!