Nem perjurar, nem jurar. Comentário para os Esposos: São Mateus 5, 27-32

Evangelho do dia

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 5, 33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não faltarás ao que tiveres jurado, mas cumprirás diante do Senhor o que juraste’. Mas Eu digo-vos que não jureis em caso algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus; nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo. A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno».

 

Nem perjurar, nem jurar

Jesus apela à autenticidade: “A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’.”

Os juramentos não devem ser uma garantia de veracidade, porque o verdadeiro discípulo de Cristo deve viver de forma a que a sua palavra seja sempre fiável.

No matrimónio não há lugar para manipulações ou meias verdades, mesmo que sejam feitas com a intenção de evitar conflitos… não existe a “mentira piedosa”, que só pode ser conseguida através do maligno, o príncipe da mentira.

A aliança que nós, esposos, fazemos implica integridade, veracidade, coerência no falar e no viver, o que nos deve levar a reconhecermo-nos perante o nosso marido/mulher com humildade e sinceridade. Por vezes será incómodo dizer a verdade, por vezes será difícil pedir perdão, mas só assim – com um coração aberto e uma palavra honesta – é que o amor cresce.

 

Transposição para a vida matrimonial

Íris: Não suporto as tuas mentiras!

Alexandre: És uma exagerada. Eu não te minto, o que acontece é que, para não te aborrecer, há alturas em que não te conto tudo.

Íris: Pois é exatamente isso o que eu não suporto. Ainda por cima, pensas que estás a fazer isso por mim. Um Padre disse-me uma vez que qualquer mentira é uma concessão ao príncipe da mentira, ao demónio, e desde então tento sempre ir primeiro com a verdade por diante. Mas, Alexandre, admite-me que entre nós isto deveria ser levado ao extremo: como posso confiar em ti se há alturas em que “não me contas tudo”, como tu dizes?

Alexandre: A verdade é que não tinha pensado nisso dessa forma. Tens razão. Garanto-te que, a partir de agora, vou tentar contar-te tudo, mesmo que haja coisas que me sejam difíceis.

Íris: Agradeço-te, Alexandre. Talvez eu tenha sido um pouco exagerada, mas o Evangelho já nos diz que a nossa linguagem deve ser “sim, sim”; “não, não”: que o que acontece a partir daí vem do Maligno.

Alexandre: Não, tu deixaste-me bem claro, não quero ter nada a ver com o Maligno. Repugna-me a simples menção do seu nome, por isso, obrigado por me teres posto as coisas de forma tão clara.

 

Mãe,

Dá-me a graça de dar sempre um testemunho coerente e verdadeiro, e nunca cair na armadilha da mentira. Louvado seja o que é a Verdade.

A “comodidade” de Cristo. Comentário para os Esposos: São Mateus 5, 27-32

Evangelho do dia

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 5, 27-32

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes o que foi dito: Não cometerás adultério. Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração.

Portanto, se a tua vista direita for para ti origem de pecado, arranca-a e lança-a fora, pois é melhor perder-se um dos teus órgãos do que todo o teu corpo ser lançado à Geena. E se a tua mão direita for para ti origem de pecado, corta-a e lança-a fora, porque é melhor perder-se um só dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado à Geena.»

«Também foi dito: Aquele que se divorciar da sua mulher, dê-lhe documento de divórcio. Eu, porém, digo-vos: Aquele que se divorciar da sua mulher – exceto em caso de união ilegal – expõe-na a adultério, e quem casar com a divorciada comete adultério.»

 

A “comodidade” de Cristo

O matrimónio é indissolúvel. Jesus diz-nos hoje claramente: “Se um homem se divorciar da sua mulher, está a induzi-la a cometer adultério”.

O matrimónio não é uma união humana regulada por regras exteriores, mas uma aliança sagrada que compromete o coração, em que até um olhar ou um desejo desordenado rompe a comunhão que o matrimónio exige.

Em contraste com a comodidade mundana do “eu”, que se desfaz do compromisso quando este deixa de ser agradável ou fácil, Cristo propõe uma “comodidade” muito diferente: “como Eu dei, dai”. Ou seja, encontra o teu descanso não no que te agrada, mas no que entregas. No dar-se, não no cuidar de si mesmo.

Dando-nos, o nosso amor cresce em plenitude para além do desejo. Vivendo em liberdade sem escravidão. Em plenitude, sem calculismos baratos e limitadores. Na fidelidade, sem diluir o melhor vinho em água. Em fecundidade, com frutos que não conseguimos imaginar.

Isto não é uma teoria, é uma realidade vivida por muitos esposos. Querem juntar-se ao conforto de Cristo? Vamos lá, coragem…

 

Transposição para a vida matrimonial

Paulo: Querida, ao ler o Evangelho de hoje, o Senhor acaba de me dar uma inspiração maravilhosa.

Paloma: Que bom, conta-me!

Paulo: Já reparaste que, literalmente, no centro do nosso coração há uma cruz? Ela forma as aurículas e os ventrículos, e impede que o dióxido que vem do meu corpo se misture com o oxigénio que vem dos meus pulmões.

Paloma: Hahaha, lá está o meu médico cirurgião a ver Deus em tudo o que vive!

Paulo: Bem… sim. Repara: apercebi-me que vivo a pôr “uma vela a Deus” vivendo práticas de piedade (Missa, adorações…) e adultero-O pondo “outra vela ao diabo” fechando-me nos meus desejos, no meu conforto…

Paloma: Nesta luta estamos todos, meu querido.

Paulo: Hoje, na minha oração pessoal, Jesus disse-me que a cruz ordena o meu coração, que não devo ter medo. Que é a cruz que me permite não adulterar a Sua graça com as minhas misérias. Se Lhe entrego os meus membros doentes, Ele oxigena-os e dá-lhes uma nova vida: um novo olhar, um novo tacto, um novo olfacto… Aliás, hoje vejo-te tão alegre que é impossível não me contagiar.

Paloma: Como Deus é grande, como nos permite descobri-Lo em tudo. Dou graças a Deus pelo dom da ciência que te deu e que me ajuda tanto a compreendê-Lo com simplicidade, tal como Ele é. Fico comovida ao pensar que a cruz que ordena o teu coração é a mesma que ordena o meu. O que achas se nos “oxigenarmos” juntos e dispararmos uma oração conjugal diretamente para a nossa aurícula esquerda? Temos que “oxigenar” o nosso amor.

Paulo: Sim, que Nosso Senhor nos ajude a não misturar a Sua graça com os nossos medos. Vamos rezar!

 

Mãe,

Mostra-nos o teu coração cheio de graça, sem misturas, cheio de Deus. Ajuda-nos a encontrá-Lo em tudo para ordenar a nossa vida n’Ele. Louvado seja para sempre.

Este é o momento. Comentário para os Esposos: São João 17, 1-2.9. 14-26

Evangelho do dia.

Leitura do Santo Evangelho segundo São João 17, 1-2.9. 14-26

Depois, levantando os olhos ao céu, exclamou: «Pai, chegou a hora! Manifesta a glória do teu Filho, de modo que o Filho manifeste a tua glória, segundo o poder que lhe deste sobre toda a Humanidade, a fim de que dê a vida eterna a todos os que lhe entregaste.

É por eles que Eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me confiaste, porque são teus.

Entreguei-lhes a tua palavra, e o mundo odiou-os, porque eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. Não te peço que os retires do mundo, mas que os livres do Maligno. De facto, eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo.

Consagra-os na Verdade; a Verdade é a tua palavra. Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo, e por eles totalmente me consagro, para que também eles sejam consagrados, por meio da Verdade.

Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste. Eu dei-lhes a glória que Tu me deste, de modo que sejam um, como Nós somos Um. Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim.

Pai, quero que onde Eu estiver estejam também comigo aqueles que Tu me confiaste, para que contemplem a minha glória, a glória que me deste, por me teres amado antes da criação do mundo.

Pai justo, o mundo não te conheceu, mas Eu conheci-te e estes reconheceram que Tu me enviaste. Eu dei-lhes a conhecer quem Tu és e continuarei a dar-te a conhecer, a fim de que o amor que me tiveste esteja neles e Eu esteja neles também.»

 

Este é o momento

Chegou a hora. Agora Nosso Senhor Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, envia-nos ao mundo, dois a dois, para que, vivendo o nosso sacramento de esposos cristãos, O glorifiquemos e, com o nosso amor unido ao Seu, demos testemunho do Evangelho do Matrimonio. Agora é o momento do nosso sim, não na próxima semana, não amanhã, mas hoje, agora. Não ouvem o chamamento?

Dizemos sim! E pedimos-Lhe que nos dê a graça de sermos Suas testemunhas. Só através d’Ele podemos vencer o maligno, só com Ele podemos estar no mundo sem ser do mundo, só n’Ele podemos tornar-nos um e satisfazer o nosso desejo de comunhão.

E vocês, esposos, que respondem ao Senhor?

 

Transposição para a vida matrimonial:

Mª das Dores: Jaime, acho que não somos os mais indicados para liderar o novo grupo de casais da paróquia.

Jaime: Então? Porque é que dizes isso?

Mª das Dores: Porque há outros casais mais preparados do que nós.

Jaime: Mas isto não é uma questão de saber mais, mas antes de amar, de nos entregarmos.

Mª das Dores: Sim, mas… também não estamos propriamente no nosso melhor!

Jaime: Já sabes que um dom não se acolhe verdadeiramente até ser entregue. E a nós, participar no nosso grupo tem-nos feito crescer, e muito. Não o podemos guardar só para nós. Temos de partilhá-lo!

Mª das Dores: Sim, mas …

Jaime: Além disso, Ele não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos.

Mª das Dores: Tens razão, Jaime. É verdade. Somos do Senhor e isto é maravilhoso! Ele rezou ao Pai por nós… que mais podemos pedir? Não podemos dizer não ao Senhor e muito menos à Nossa Mãe. Obrigada por me ajudares a vencer os meus medos. Gosto muito de ti.

Jaime: E eu de ti.

 

Mãe,

Ensina-nos e ajuda-nos a viver o nosso sacramento, unidos no Teu Coração e no do Teu Filho. Bendita sejas, Mãe.

Abolir. Comentário para os Esposos: Mateus 5, 17-19

Evangelho do dia.

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 5, 17-19

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Porque em verdade vos digo: Até que passem o céu e a terra, não passará um só jota ou um só ápice da Lei, sem que tudo se cumpra.

Portanto, se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no Reino do Céu.”

 

Abolir

Quantas vezes queremos abolir, deixar sem vigor, as leis do Evangelho que não se coadunam com a nossa forma de viver. No entanto, qualquer esforço que façamos para ir entrando na Tua dinâmica de Amor e para nos irmos configurando com o Teu Coração é o que fará com que sejamos um só, já aqui na terra.

A plenitude do Amor é amar sem medida, é a Cruz. Essa é a Tua lei: morrer para mim mesmo e entregar-me pelo meu próximo, pelo meu mais próximo, pelo meu marido/mulher, da mesma forma que Tu te entregas pela Tua Esposa, a Igreja.

 

Transposição para a vida matrimonial:

António: Foi bem difícil ouvir o que o padre disse hoje, na homilia! Por causa dessa caridade mal entendida, desconsiderou a força da mensagem do Evangelho.

Sandra: É verdade. Que dor quando se minimiza o valor da indissolubilidade do Sacramento do Matrimónio.

António: Tenho a certeza de que faz o que acha que é melhor, pelo que não o devemos julgar. Afinal de contas, ele entregou a sua vida totalmente ao Senhor, sem reservas. Parece-te bem que rezemos por ele?

Sandra: Parece-me uma ideia fantástica, António. Também pode ser boa ideia convidá-lo para almoçar em casa connosco e com as crianças, se achares bem. É incrível como a Verdade do Evangelho nos vai mudando, graças aos sacramentos e à oração! Antes, ou teríamos concordado com ele, ou teríamos passado um bom tempo a criticá-lo.

António: Completamente de acordo, Sandra. Que nunca coloquemos impedimentos à verdade do Espírito Santo! Louvado seja o Senhor!

 

Mãe,

Ensina-nos a ser dóceis ao Espírito Santo. Sê Tu o nosso modelos e guia. Obrigado por nos amares tanto!

Luz no mundo. Comentário para os Esposos: Mateus 5, 13-16

Evangelho do dia.

 

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 5,13-16

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».

 

 
Luz no mundo

O Sacramento do Matrimónio é um dom de Deus, um apelo a sermos uma luz no meio do mundo. Deus chama-nos, através do nosso casamento, para se dar a conhecer. Temos a Deus no meio de nós, que nos une e nos ilumina. Não desperdicemos este grande dom de dar a conhecer o amor de Deus a todos. Somos luz na nossa vida quotidiana e somos a manifestação do amor de Deus no meio do mundo. Que se note que Cristo está em nós e que enchamos o mundo de luz através do nosso Sacramento. Sem que nos apercebamos, apenas por vivermos o nosso Casamento, estamos a mudar o mundo, a dar glória a Deus, e temos que aproveitar o facto de Cristo nos ter dado este poder.
 

 
Transposição para a vida matrimonial
Inês: Olá, querido, não te esperava tão cedo, não te ias encontrar com o Paulo?
Pedro: Sim, e para ser franco vim desanimado.
Inês: O que é que aconteceu? Correu assim tão mal?
Pedro: Sim, não vejo como o posso ajudar e isso deixa-me muito triste. Ele está decidido que o casamento dele não tem solução, desistiu e está resignado.
Inês: Podes ter a certeza de que lhe deste muita luz, não te esqueças que Deus age através de nós, vais ver como ele vai tentar de novo.
Pedro: Devias tê-lo visto, não havia maneira. Era um casal que gostava muito um do outro e que, aos poucos, se foi afastando, cada um a pensar em si.
Inês: Bem. Temos que pensar também que, sem nos apercebermos, estamos a dar muita luz às pessoas que nos rodeiam, temos um Sacramento que manifesta o amor de Deus no meio do mundo e que deixa sempre uma marca, mesmo que não pareça.
Pedro: Tens toda a razão. Resta continuar a esforçar-nos por nos amarmos um ao outro e por manter vivo o nosso casamento no deles. Vamos convidá-los a tomar café connosco e espalhar-lhes a nossa alegria. Gosto imenso da tua ideia, tu és incrível.
Inés: Não, somos incríveis. Juntos somos incríveis e estamos a mudar o mundo manifestando Deus através do nosso casamento. Gosto mesmo muito de ti.
Mãe,
Obrigado, ajuda-nos a manter sempre acesa a nossa lâmpada para dar a luz de Deus ao mundo, bendita sejas para sempre!