Aquivos por Autor: Esposos Misioneros

Cuidar do detalhe. Comentário para os esposos: João 12, 1-11

Leitura do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
12, 1-11

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. 

Ofereceram-Lhe lá um jantar: Marta andava a servir e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Jesus.
Então Maria tomou uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-Lhos com os cabelos; e a casa encheu-se com o perfume do bálsamo.
Disse então Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que havia de entregar Jesus: «Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários,
para dar aos pobres?»
Disse isto, não porque se importava com os pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa comum, tirava o que nela se lançava.
Jesus respondeu-lhe: «Deixa-a em paz: ela tinha guardado o perfume para o dia da minha sepultura. Pobres, sempre os tereis convosco;
mas a Mim, nem sempre Me tereis».
Soube então grande número de judeus que Jesus Se encontrava ali e vieram, não só por causa de Jesus,  mas também para verem Lázaro,
que Ele tinha ressuscitado dos mortos.
Entretanto, os príncipes dos sacerdotes resolveram matar também Lázaro,  porque muitos judeus, por causa dele,  se afastavam e acreditavam em Jesus.

Cuidar do detalhe

Às vezes, o nosso amor parece-se muito com aquela casa de Betânia: há dias de rotina, de serviço silencioso, de mesa partilhada… e, sem darmos conta, Jesus está ali, no meio de nós. É muito impressionante a atitude de Maria. Não calcula, não mede, não guarda nada para si. Simplesmente ama… e nota-se. Derrama o melhor que tem, sem medo que seja demasiado.
Talvez nós, com o tempo, tenhamos aprendido a amar com mais prudência do que paixão: dando apenas o necessário, cuidando de não “exceder”, esperando que o outro dê primeiro.
E, no entanto, o amor que realmente transforma o casamento é aquele que se antecipa, que surpreende, que se entrega sem fazer contas. Esse gesto gratuito, esse detalhe que “não fazia falta”, essa ternura que quebra a rotina… isso é o perfume que volta a encher a casa.
Também aparece Judas, e é mais próximo do que parece. Está nessas vozes interiores que nos dizem: “não vale a pena”, “para quê tanto esforço?”, “não muda nada”. Quando escutamos isso, o amor torna-se frio, prático… e perde a sua beleza.
Hoje, este Evangelho sussurra-nos algo muito simples: não deixemos de perfumar o nosso casamento. Não deixemos de ter gestos gratuitos, de cuidar das pequenas coisas, de amar sem medida… Porque, quando um dos dois se atreve a amar assim, algo muda! E, pouco a pouco, toda a casa — toda a nossa vida — volta a encher-se desse “bom perfume” que nos recorda porque começámos este caminho juntos.

Transposição para a vida matrimonial:

Alexandre: Hoje lia o Evangelho de Betânia… e, não sei, fez-me pensar em nós. Pela forma como Maria se comporta… isso de amar sem medida… Impressiona-me como derrama o perfume sem pensar se é muito ou pouco. E apercebi-me de que eu, muitas vezes, contigo faço exatamente o contrário.

Catarina: Em que sentido?

Alexandre: No sentido em que calculo. Às vezes penso “já fiz o suficiente hoje”, ou “agora é a vez dela”… e esqueço-me simplesmente de te amar sem fazer contas.

Catarina: (sorri) Pois, não és o único… eu também faço isso. É como se o amor se tornasse prático, eficiente… mas menos bonito.

Alexandre: Sim… e depois há aquela vozinha tipo Judas… “para quê tanto esforço?”, “no fim de contas, não muda nada…”.

Catarina: Uiii, essa conheço bem. Sobretudo nos dias maus.

Alexandre: Mas aquilo de Maria tocou-me… Porque o gesto dela parecia exagerado… e Jesus não só não a trava, como a defende, como quem diz: este é o verdadeiro amor, aquele que não tem medo de ser demasiado. E pensei: há muito tempo que não “derramo perfume” contigo.

Catarina: Perfume?

Alexandre: Sim… pequenos detalhes sem motivo, tempo sem pressas, carinho sem que o peças… essas coisas que antes nos saíam naturalmente.

Catarina: (com voz mais suave) Também gostava de voltar a isso…

Alexandre: E se começarmos outra vez? Sem esperar que o outro mude primeiro.

Catarina: E que a casa se encha de perfume… pode ser que isso também aconteça aqui.

Alexandre: Vamos tentar. Eu começo hoje.

Catarina: (a rir) Está bem… mas cuidado, não fiques a meio.

Mãe,

Tu que soubeste amar sem medida, ensina-nos a viver o nosso casamento com um coração generoso e entregue. 

Bendita sejas para sempre, Mãe.


Ao pé da Cruz. Comentário para os esposos: Mateus 26, 14 – 27, 66

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 26, 14 – 27, 66
Naquele tempo, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes:
R «Que estais dispostos a dar-me para vos entregar Jesus?».
N Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata.
E a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para O entregar.
No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe:
R «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?».
N Ele respondeu:
J «Ide à cidade, a casa de tal pessoa, e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O Meu tempo está próximo. É em tua casa que Eu quero celebrar a Páscoa com os Meus discípulos’».
N Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha mandado que prepararam a Páscoa.
Ao cair da noite, sentou-Se à mesa com os Doze. Enquanto comiam, declarou:
J «Em verdade vos digo: Um de vós há de entregar-Me».
N Profundamente entristecidos, começou cada um a perguntar-Lhe:
R «Serei eu, Senhor?».
N Jesus respondeu:
J «Aquele que meteu comigo a mão no prato
é que há de entregar-Me. O Filho do Homem vai partir, como está escrito acerca d’Ele.
Mas ai daquele por quem o Filho do Homem
vai ser entregue! Melhor seria para esse homem não ter nascido».
N Judas, que O ia entregar, tomou a palavra e perguntou:
R «Serei eu, Mestre?».
N Respondeu Jesus:
J «Tu o disseste».
N Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo:
J «Tomai e comei: Isto é o Meu Corpo».
N Tomou em seguida um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo:
J «Bebei dele todos, porque este é o Meu Sangue, o Sangue da aliança, derramado por muitos, para remissão dos pecados. Eu vos digo que não beberei mais deste fruto da videira, até ao dia em que beberei convosco o vinho novo no reino de Meu Pai».
N Cantaram os salmos e seguiram para o monte das Oliveiras.
N Então, Jesus disse-lhes:
J «Todos vós, esta noite, vos escandalizareis
por minha causa, como está escrito:
‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas do rebanho’. Mas, depois de ressuscitar,
preceder-vos-ei a caminho da Galileia».
N Pedro interveio, dizendo:
R «Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu não me escandalizarei».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Em verdade te digo: Esta mesma noite, antes de o galo cantar, Me negarás três vezes».
N Pedro disse-lhe:
R «Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei».
N E o mesmo disseram todos os discípulos.
Então, Jesus chegou com eles a uma propriedade, chamada Getsémani, e disse aos discípulos:
J «Ficai aqui, enquanto Eu vou além orar».
N E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se. Disse-lhes então:
J «A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo».
N E adiantando-Se um pouco mais, caiu com o rosto por terra, enquanto orava e dizia:
J «Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice. Todavia, não se faça como Eu quero, mas como Tu queres».
N Depois, foi ter com os discípulos,
encontrou-os a dormir e disse a Pedro:
J «Nem sequer pudestes vigiar uma hora comigo! Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
N De novo Se afastou, pela segunda vez, e orou, dizendo:
 J «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a Tua vontade».
N Voltou novamente e encontrou-os a dormir,
pois os seus olhos estavam pesados de sono. Deixou-os e foi de novo orar, pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
Veio então ao encontro dos discípulos e disse-lhes:
J «Dormi agora e descansai. Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser entregue às mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos. Aproxima-se aquele que Me vai entregar».
N Ainda Jesus estava a falar, quando chegou Judas, um dos Doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor tinha-lhes dado este sinal:
R «Aquele que eu beijar, é esse mesmo. Prendei-O».
N Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse-Lhe:
R «Salve, Mestre!».
N E beijou-O.
Jesus respondeu- lhe:
J «Amigo, a que vieste?».
N Então avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-n’O. Um dos que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha. Jesus disse-lhe:
J «Mete a tua espada na bainha,pois todos os que puxarem da espada morrerão à espada. Pensas que não posso rogar a Meu Pai que ponha já ao Meu dispor mais de doze legiões de Anjos? Mas como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim tem de acontecer?».
N Voltando-Se depois para a multidão, Jesus disse:
J «Viestes com espadas e varapaus para Me prender como se fosse um salteador!
Eu estava todos os dias sentado no templo a ensinar e não Me prendestes…Mas, tudo isto aconteceu para se cumprirem as Escrituras dos profetas».
N Então todos os discípulos O abandonaram e fugiram.
N Os que tinham prendido Jesus levaram-n’O à presença do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos se tinham reunido. Pedro foi seguindo-O de longe, até ao palácio do sumo sacerdote. Aproximando-se, entrou e sentou-se com os guardas, para ver como acabaria tudo aquilo. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho falso contra Jesus para O condenarem à morte, mas não o encontravam, embora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas. Por fim, apresentaram-se duas que disseram:
R «Este homem afirmou: ‘Posso destruir o templo de Deus e reconstruí-lo em três dias’».
N Então o sumo sacerdote levantou-se e disse a Jesus:
R «Não respondes nada?
Que dizes ao que depõem contra Ti?».
N Mas Jesus continuava calado.
Disse-Lhe o sumo sacerdote:
R «Eu Te conjuro pelo Deus vivo, que nos declares se és Tu o Messias, o Filho de Deus».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Tu o disseste.
E Eu digo-vos: vereis o Filho do Homem
sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu».
N Então o sumo sacerdote rasgou as vestes, dizendo:
R «Blasfemou. Que necessidade temos de mais testemunhas? Acabais de ouvir a blasfémia. Que vos parece?».
N Eles responderam:
R «É réu de morte».
N Cuspiram-Lhe então no rosto e deram-Lhe punhadas. Outros esbofeteavam-n’O, dizendo:
R «Adivinha, Messias: quem foi que Te bateu?».
N Entretanto, Pedro estava sentado no pátio.
Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe:
R «Tu também estavas com Jesus, o galileu».
N Mas ele negou diante de todos, dizendo:
R «Não sei o que dizes».
N Dirigindo-se para a porta, foi visto por outra criada que disse aos circunstantes:
R «Este homem estava com Jesus de Nazaré».
N E, de novo, ele negou com juramento:
R «Não conheço tal homem».
N Pouco depois, aproximaram-se os que ali estavam e disseram a Pedro:
R «Com certeza tu és deles, pois até a fala te denuncia».
N Começou então a dizer imprecações e a jurar:
R «Não conheço tal homem».
N E, imediatamente, um galo cantou.
Então, Pedro lembrou-se das palavras que Jesus dissera:
«Antes de o galo cantar, tu Me negarás três vezes». E, saindo, chorou amargamente.
Ao romper da manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram em conselho contra Jesus, para Lhe darem a morte. Depois de Lhe atarem as mãos,
levaram-n’O e entregaram-n’O ao governador Pilatos. Então Judas, que entregara Jesus, vendo que Ele tinha sido condenado, tocado pelo remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo:
R «Pequei, entregando sangue inocente».
N Mas eles replicaram:
R «Que nos importa? É lá contigo».
N Então arremessou as moedas para o santuário, saiu dali e foi-se enforcar.
Mas os príncipes dos sacerdotes
apanharam as moedas e disseram:
R «Não se podem lançar no tesouro,
porque são preço de sangue».
N E, depois de terem deliberado,
compraram com elas o Campo do Oleiro,
que servia para a sepultura dos estrangeiros.
Por este motivo se tem chamado àquele campo, até ao dia de hoje, «Campo de Sangue». Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta: «Tomaram trinta moedas de prata, preço em que foi avaliado Aquele que os filhos de Israel avaliaram e deram-nas pelo Campo do Oleiro, como o Senhor me tinha ordenado».
N Entretanto, Jesus foi levado à presença do governador,
que lhe perguntou:
R «Tu és o Rei dos judeus?».
N Jesus respondeu:
J «É como dizes».
N Mas, ao ser acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.
Disse-Lhe então Pilatos:
R «Não ouves quantas acusações levantam contra Ti?».
N Mas Jesus não respondeu coisa alguma,
a ponto de o governador ficar muito admirado. Ora, pela festa da Páscoa, o governador costumava soltar um preso, à escolha do povo. Nessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrabás. E, quando eles se reuniram, disse-lhes Pilatos:
R «Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?».
N Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja. Enquanto estava sentado no tribunal,
a mulher mandou-lhe dizer:
R «Não te prendas com a causa desse justo,
pois hoje sofri muito em sonhos por causa d’Ele».
N Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus.
O governador tomou a palavra e perguntou-lhes:
R «Qual dos dois quereis que vos solte?».
N Eles responderam:
R «Barrabás».
N Disse-lhes Pilatos:
R «E que hei de fazer de Jesus, chamado Cristo?».
N Responderam todos:
R «Seja crucificado».
N Pilatos insistiu:
R «Que mal fez Ele?».
N Mas eles gritavam cada vez mais:
R «Seja crucificado».
N Pilatos, vendo que não conseguia nada
e aumentava o tumulto, mandou vir água
e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo:
R «Estou inocente do sangue deste homem.
Isso é lá convosco».
N E todo o povo respondeu:
R «O Seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos».
N Soltou-lhes então Barrabás.
E, depois de ter mandado açoitar Jesus,
entregou-lh’O para ser crucificado. Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram à volta d’Ele toda a coorte. Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n’O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na sua mão direita.
Ajoelhando diante d’Ele, escarneciam-n’O, dizendo:
R «Salve, Rei dos judeus!».
N Depois, cuspiam-Lhe no rosto, e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n’O para ser crucificado.
N Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus. Chegados a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do Calvário, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber.Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l’O. Por cima da sua cabeça puseram um letreiro, indicando a causa da sua condenação:
«Este é Jesus, o Rei dos judeus».
Foram crucificados com Ele dois salteadores,
um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo:
R «Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz».
N Os príncipes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos, também troçavam d’Ele, dizendo:
R «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Se é o Rei de Israel,
desça agora da cruz e acreditaremos n’Ele.
Confiou em Deus: Ele que O livre agora, se O ama, porque disse: ‘Eu sou Filho de Deus’».
N Até os salteadores crucificados com Ele O insultavam. Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
J «Eli, Eli, lemá sabactáni?»,
N O que quer dizer:
«Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonastes?».
Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:
R «Está a chamar por Elias».
N Um deles correu a tomar uma esponja,
embebeu-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber.
Mas os outros disseram:
R «Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l’O».
N E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.
N Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram, e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.
Entretanto, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a acontecer,
ficaram aterrados e disseram:
R «Este era verdadeiramente O Filho de Deus».
N Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem. Entre elas encontrava-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus.
Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. E Pilatos ordenou que lho entregassem. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu sepulcro novo, que tinha mandado escavar na rocha. Depois rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro e retirou-se.
Entretanto, estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro.
No dia seguinte, isto é, depois da Preparação, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos e disseram-lhe:
R «Senhor, lembrámo-nos do que aquele impostor disse quando ainda era vivo:
‘Depois de três dias ressuscitarei’. Por isso, manda que o sepulcro seja mantido em segurança até ao terceiro dia, para que não venham os discípulos roubá-lo e dizer ao povo: ‘Ressuscitou dos mortos’.
E a última impostura seria pior do que a primeira».
N Pilatos respondeu:
R «Tendes à vossa disposição a guarda:
ide e guardai-o como entenderdes».
N Eles foram e guardaram o sepulcro,
selando a pedra e pondo a guarda.
Palavra da salvação.
Ao pé da Cruz
Desde o lugar da flagelação e através das ruas de Jerusalém, por toda aquela Via Dolorosa até à colina sagrada, o Vosso Sangue derramado escrevia as mais belas páginas da história do Coração que mais nos ama… o Vosso!
Recordai como a terra, agradecida, mas ao mesmo tempo espantada, recebia o Vosso precioso Sangue. Toda a natureza tremia de horror, e os céus estremeciam; os anjos e até os demónios se admiravam diante daquela cena incrível! Um Deus morria! O que era aquilo? O que estava a acontecer? Naquela primeira Sexta-Feira Santa, ó Jesus, abrias o Céu para a humanidade pecadora!
Excerto de uma das orações que Jesus Cristo revelou a Santa Brígida
Transposição para a vida matrimonial
Maria: Querido, esta Quaresma mexeu comigo de uma forma diferente e profunda. Como se, pela primeira vez, não olhasse para a cruz de fora.
João: A que te referes?
Maria: Sempre pensei que a cruz viria sob a forma de grandes problemas, doenças, dificuldades vindas de fora. Mas estes dias… ao contemplar a Paixão… percebi que não é isso.
João: Então, o que é para ti a cruz?
Maria: É ficar ao pé da Cruz de Cristo. Sem fugir. Sem me justificar. Vendo quem Ele é… e quem eu sou. E não desviar o olhar.
João: Parece duro…
Maria: É… mas também é… curativo. Porque nessa comparação não há uma humilhação que destrói, mas uma verdade que cura. É como se o Seu amor tornasse suportável ver a minha própria miséria.
João: Nunca tinha pensado assim… Eu sempre quis melhorar, mudar…
Maria: Eu também. Mas agora sinto que, antes de tudo isso… está permanecer. Contemplar. Deixar que Ele ame ali… até aquilo que em mim não gosto.
João: E isso, o que tem a ver connosco?
Maria: Muito… porque acho que, também no nosso matrimónio, tenho estado à espera de cruzes “de fora”… e não tenho visto que a verdadeira está aqui: em aprender a amar quando vejo os teus limites… e os meus. Sem fugir. Sem exigir que tudo mude primeiro.
João: …Isso mete um pouco de medo.
Maria: Sim… mas também traz paz. Porque já não depende de tudo ser perfeito… mas de permanecermos juntos ao pé dessa Cruz. Ali onde tudo, até o mais ferido… pode ser amado e curado.
João: Então… a nossa cruz… é ficarmos?
Maria: Ficarmos… e olhar juntos para Ele. E deixar que a Sua forma de amar nos ensine a nossa.
Mãe,
Ensina-nos a permanecer juntos ao pé da Cruz do teu Filho. Seja para sempre bendito e louvado Aquele que, com o Seu Sangue, nos redimiu.

O que fazemos? Comentário para os esposos – Jo 11, 45-56

Evangelho do dia

Leitura do santo Evangelho segundo São João 11, 45-56

Naquele tempo, muitos judeus que tinham vindo visitar Maria, para lhe apresentarem condolências pela morte de Lázaro, ao verem o que Jesus fizera, ressuscitando-o dos mortos, acreditaram n’Ele. Alguns deles, porém, foram ter com os fariseus e contaram-lhes o que Jesus tinha feito. Então os príncipes dos sacerdotes e os fariseus reuniram conselho e disseram: «Que havemos de fazer, uma vez que este homem realiza tantos milagres? Se O deixamos continuar assim, todos acreditarão n’Ele; e virão os romanos destruir-nos o nosso Lugar santo e toda a nação». Então Caifás, que era sumo sacerdote naquele ano, disse-lhes: «Vós não sabeis nada. Não compreendeis que é melhor para nós morrer um só homem pelo povo do que perecer a nação inteira?» Não disse isto por si próprio; mas, porque era sumo sacerdote nesse ano, profetizou que Jesus havia de morrer pela nação; e não só pela nação, mas também para congregar na unidade todos os filhos de Deus que andavam dispersos. A partir desse dia, decidiram matar Jesus. Por isso Jesus já não andava abertamente entre os judeus, mas retirou-Se para uma região próxima do deserto, para uma cidade chamada Efraim, e aí permaneceu com os discípulos. Entretanto, estava próxima a Páscoa dos judeus e muitos subiram da província a Jerusalém, para se purificarem, antes da Páscoa. Procuravam então Jesus e perguntavam uns aos outros no templo: «Que vos parece? Ele não virá à festa?»

O que fazemos?

Neste Evangelho vemos a reação das pessoas que presenciaram a ressurreição de Lázaro; perante este sinal, muitos acreditaram em Jesus, mas outros, vendo exatamente o mesmo, fecharam o coração e rejeitaram‑No. Não é que ficassem indiferentes: decidiram dar‑Lhe a morte.
Perante Jesus só há duas posturas: acolhê‑Lo ou rejeitá‑Lo. Qual é a minha? Acolho‑O e acredito n’Ele com todas as consequências, ou procuro desculpas e rejeito‑O? Porque a lógica de Deus está tão distante da lógica humana, que acolhê‑Lo significa fazer uma mudança radical na minha vida, que me leva a algo que não controlo, que se afasta dos meus critérios, que muda os meus planos e me tira da zona de conforto… Estou disposto a essa aventura? Ou prefiro controlar eu a minha vida e, para isso, rejeito‑O e dou‑Lhe morte no meu coração?
No nosso casamento, o Senhor faz muitos sinais, mas se não tivermos o coração atento e disposto a reconhecê‑Lo, eles passam despercebidos. Esposos, estejamos despertos para ver os sinais de Jesus e acolhamo‑Lo; confiemos n’Ele, porque nos prometeu uma felicidade imensa e eterna. E o Senhor cumpre sempre a Sua Palavra.

Transposição para a vida matrimonial

Rita: Ricardo, que te parece se no próximo fim de semana, em vez de irmos para a casinha da montanha, formos ajudar num retiro?
Ricardo: Mas Rita, querida, sabes que temos essa escapadela planeada há semanas. E estou cheio de vontade de ir. Porque é que agora queres mudar tudo?
Rita: É que a Mariana ligou‑me e disse‑me que ia ter um casal a colaborar, mas ele ficou doente e afinal já não podem ir.
Ricardo: E ela pediu‑te que fôssemos nós?
Rita: Não, na verdade não pediu. Mas notei‑a preocupada e um pouco aflita com o assunto, e pensei que podíamos oferecer‑nos. Talvez seja um sinal para irmos nós.
Ricardo: Mesmo no fim de semana em que íamos para a montanha?
Rita: Bem, já sabes que os planos de Deus raramente coincidem com os nossos, e normalmente deixam‑nos desconcertados. Que te parece se levarmos isto à oração?
Ricardo: E se afinal já houver outro casal que se ofereceu para substituir o que faltou?
Rita: Então será porque não é vontade de Deus que sejamos nós a ir desta vez, e vamos para a montanha… que te parece?
Ricardo: Vá, de acordo, vamos rezar. Porque é verdade que quando Deus te chama, se Lhe dizes “sim”, depois Ele enche‑te de bênçãos — e eu não gostaria de as perder…
(E em oração decidiram confiar o assunto a Nossa Senhora: oferecer‑se‑iam no dia seguinte e, se ainda ninguém tivesse preenchido o lugar, iriam ao retiro, adiando a escapadinha à montanha para outra altura).

Mãe,

Leva-nos sempre pela mão até Jesus, para que o nosso lar seja reflexo da Sua misericórdia e comunhão. Bendito e louvado sejas para sempre, Senhor.


Somos filhos de Deus. Comentário para os Esposos: João 10, 31-42

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 10, 31-42

Naquele tempo, os judeus agarraram em pedras para apedrejarem Jesus, Então Jesus disse-lhes: «Apresentei-vos muitas boas obras, da parte de meu Pai. Por qual dessas obras Me quereis apedrejar?» Responderam os judeus: «Não é por qualquer boa obra que Te queremos apedrejar: é por blasfémia, porque Tu, sendo homem, Te fazes Deus». Disse-lhes Jesus: «Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? Se a Lei chama ‘deuses’ a quem a palavra de Deus se dirigia – e a Escritura não pode abolir-se –, de Mim, que o Pai consagrou e enviou ao mundo, vós dizeis: ‘Estás a blasfemar’, por Eu ter dito: ‘Sou Filho de Deus’!» Se não faço as obras de meu Pai, não acrediteis. Mas se as faço, embora não acrediteis em Mim, acreditai nas minhas obras, para reconhecerdes e saberdes que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai». De novo procuraram prendê-l’O, mas Ele escapou-Se das suas mãos. Jesus retirou-Se novamente para além do Jordão, para o local onde anteriormente João tinha estado a batizar e lá permaneceu. Muitos foram ter com Ele e diziam: «É certo que João não fez nenhum milagre, mas tudo o que disse deste homem era verdade». E muitos ali acreditaram em Jesus.

 

Somos filhos de Deus

Por pura graça, ao recebermos o Sacramento do Batismo, Deus torna-nos seus filhos. Que dom tão imerecido! Esta é a dignidade que a minha esposa possui e é a dignidade que eu possuo. Ninguém me pode tirar isso, mas posso perdê-la por causa do pecado.  E se isso acontecer, o Senhor é tão bom e tão misericordioso que nos preparou outro grande Sacramento: a Penitência, para que, uma vez arrependidos e tendo confessado os nossos pecados ao sacerdote, recuperemos essa dignidade que tínhamos perdido.  Cônjuges! E nós temos também o Sacramento do Matrimónio, não desperdicemos nem uma gota dessa graça que o Senhor nos concede em abundância.

Transposição para a vida matrimonial:

(Miguel e Magdalena em oração ao terminar a reunião com os seus orientandos)

Miguel: Senhor, sinto uma enorme tristeza ao ver como este casal se falta ao respeito. Se dizem isto á nossa frente, o que dirão quando estiverem em casa? Dá-nos luz para que saibamos ajudá-los a reconhecerem-se como teus filhos.

Madalena: É claro, que dor deve sentir o Pai ao vê-los assim. Temos de rezar muito por eles e reparar as ofensas que se fazem a si próprios e que fazem ao Senhor

Miguel: Hoje parece que, no final da reunião, partiram com um pouco mais de esperança. Peçamos para que perseverem, iniciem a sua oração conjugal e se dirijam à confissão, como lhes propusemos.

Madalena: Certamente assim iniciarão um caminho de purificação, que será o que salvará o seu matrimónio.

Miguel: Confiamos em Ti, Mãe. Tu não desistes de nenhum matrimónio, nós também não. Glória a Deus!

 

Mãe

Que saibamos viver estes últimos dias da Quaresma junto a Ti, aos pés da Cruz, reparando tantas ofensas que infligimos ao Teu Filho.  Sê bendita!  Louvado seja o Senhor no Santíssimo Sacramento do Altar! Tenho de ser como um bom lavrador que produz os frutos daquilo que o Senhor me confiou. Estarei a ser um bom lavrador?


Sempre Sim. Comentário para os Esposos: Lucas 1, 26-38

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 1 26-38

Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria.
Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» 

Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. 

Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.»

Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» 

O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.» 

Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» 

E o anjo retirou-se de junto dela.

Sempre Sim

Estamos a chegar ao fim da Quaresma e, à medida que o mistério da Cruz se aproxima, este evangelho surge como um oásis no deserto. Contemplamos a Anunciação como uma grande luz que nos ensina a viver a cruz. O «Sim» de Maria não foi um «sim» ingénuo nem fácil. Maria conhecia as Escrituras e sabia que o caminho do Messias passaria pelo sofrimento. Mesmo assim, perante a visita do anjo e sem compreender tudo, respondeu com disponibilidade e confiança: «Faça-se em mim segundo a tua palavra.» Maria sabia que esse «sim» implicava dor, que uma espada atravessaria o seu coração de mãe, e, no entanto, abandonou-se e aceitou que a vontade de Deus se fizesse nela.

Também a nós o Senhor visita-nos no quotidiano, muitas vezes na alegria, mas outras vezes na cruz, no meio de circunstâncias que não compreendemos, dificuldades, provações, momentos de escuridão… Deus fala-nos através dos acontecimentos da vida e espera a nossa resposta, a nossa confiança Nele e no seu plano para o nosso casamento. Que delicadeza a de Deus! Ele não se impõe, quer ser acolhido e espera a nossa disponibilidade. O «Sim» de Maria permitiu a Encarnação de Deus no mundo e o nosso pequeno «sim» de cada dia permite que Jesus se «encarne», de alguma forma, na nossa vida quotidiana. Senhor, quem sou eu para que queiras contar comigo? Quem sou eu para que queiras partilhar um pouco da tua cruz? A partir deste espanto e unidos a Maria, queremos dizer-Te: «Faça-se o Teu plano nas nossas vidas».

Transposição para a vida matrimonial

Ana: (em lágrimas) Guilherme, o médico foi claro… não podemos ter filhos.

Guilherme: Eu ainda tinha esperança, mas depois de termos feito tudo o que estava ao nosso alcance, de acordo com a lei de Deus, quando ele disse isso…..senti como se tivesse levado uma facada no peito.

Ana: Mas como é possível? Sempre imaginamos a casa cheia de crianças… temos tanto amor para lhes dar…

Guilherme: Parece que a vida não vai ser como tínhamos imaginado. Vai ser muito difícil aceitar que Deus tem outros planos… Talvez Ele espere de nós uma fecundidade diferente, que sejamos pais espirituais de tantas almas e que ajudemos a nascer e a crescer tantos casais que precisam de conhecer o amor de Deus…

Ana: É agora que temos de pensar que nada escapa a Deus, que Ele permite tudo para a nossa santificação, para a nossa união com Ele… que Ele é o nosso Pai, que tudo o que é nosso Lhe importa e que até os nossos cabelos estão contados…

Guilherme: O Senhor está a visitar-nos nesta cruz. Senhor, o que vens fazer nos nossos corações?

Ana: Vamos unir-nos a Maria, vamos entregar-lhe esta dor tão grande para que ela a ofereça ao Senhor e, se te parecer bem, vamos rezar com confiança como Jesus e Maria.

Guilherme: Senhor, unimos a nossa dor à Tua; se quiseres, afasta de nós este cálice, mas não se faça a nossa vontade, mas a Tua.

Ana: Faça-se em nós segundo a Tua Palavra. Ámen.

Mãe,

Ajuda-nos e ensina-nos a dizer sempre «Sim» a Deus, como tu fizeste, com confiança em Nazaré e com fidelidade aos pés da cruz. Sê bendita e louvada para sempre!