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Não te enganes, Jesus é Deus. Comentário para os esposos: Mateus 9, 27-31

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo
São Mateus 9, 27-31

Foi este o testemunho de João Batista, quando os
judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e
levitas para lhe perguntarem: «Quem és tu?»
Ele confessou e não negou: «Eu não sou o
Messias».
Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És
Elias?». «Não sou», respondeu ele. «És o
profeta?». Ele respondeu: «Não».
Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para
podermos dar uma resposta àqueles que nos
enviaram, que dizes de ti mesmo?».
Ele declarou: «Eu sou a voz que clama no
deserto: "Endireitai o caminho do Senhor", como
disse o profeta Isaías».
Entre os enviados havia fariseus
que lhe perguntaram: «Então porque batizas, se
não és o Messias, nem Elias, nem o profeta?».
João respondeu-lhes: «Eu batizo na água; mas no
meio de vós está Alguém que não conheceis:
Aquele que vem depois de mim, a quem eu não
sou digno de desatar a correia das sandálias».
Tudo isto se passou em Betânia, além do Jordão,
onde João estava a batizar.

Não te enganes, Jesus é Deus

Sem dúvida, o que mais move os corações a
aproximarem-se do Senhor é um testemunho de
fé, firme e forte. Podemos falar muito e muito
bem, conhecer as Sagradas Escrituras e a
Tradição da nossa Igreja, e ser uns excelentes
comunicadores. Mas quando tudo isso se reflete
na nossa vida quotidiana: na família, no trabalho,
nos engarrafamentos, na fila do supermercado…
é aí que estamos a dar um verdadeiro
testemunho de que Jesus é o nosso Deus e que
seguimos o Seu Caminho. E isso atrai as pessoas
como o mel atrai as moscas.

Transposição a vida matrimonial:

Firmino: As crianças já estão a dormir,
adormeceram na segunda página da história que
lhes estava a ler. Os pobres estavam exaustos,
que dia magnífico passámos no campo!
Madalena: Claro, foi um dia maravilhoso. Como
gosto de estar com a família do Projeto! É
fantástico, adoro as conversas, os nossos
momentos de oração, a partilha da missa
dominical. Dava-me vontade de dizer: Que bem
se está aqui! Vamos montar três tendas!
Firmino: Hahaha, eu também pensei o mesmo! É
maravilhoso ver a linda família que a Virgem tem
vindo a construir.
Madalena: Amanhã vais ver a diferença quando
voltares ao trabalho, com as críticas, as caras
feias… aí é que me custa agir com misericórdia e
bondade.
Firmino: Mas é justamente aí que o Senhor te
colocou para dares testemunho, pensa em como
essas famílias precisam conhecer a Boa Nova do
Evangelho.
Madalena: Tens toda a razão, é nesse terreno
árido e pedregoso que é mais necessário dar
testemunho. Muito obrigada por iluminares este
momento, assim será mais fácil acordar cedo
amanhã. Vem para o meu lado, vamos começar a
nossa oração conjugal. Amo-te muito, Firmino!
Firmino: E eu a ti, Madalena. Em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo…

Mãe,
Ajuda-nos a levar a Boa Nova do Evangelho e a
dar testemunho da nossa fé. Que não tenhamos
medo, vergonha ou respeitos humanos.
Queremos ser corajosos como Tu! Sagrado
Coração de Jesus, em Ti confio. Imaculado
Coração de Maria, sede a salvação da minha
alma.

No coração. Comentário para os esposos: Lucas 2, 16-21

Leitura do Santo Evangelho segundo S. Lucas 2, 16-21
Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura.Depois de terem visto, começaram a divulgar o que lhes tinham dito a respeito daquele menino.Todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores.Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração. E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora anunciado. Quando se completaram os oito dias, para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus indicado pelo anjo antes de ter sido concebido no seio materno.

No coração
 
 

Feliz Ano Novo! Hoje começa um novo ano e que melhor maneira de o iniciar do que de mãos dadas com a Virgem Maria, celebrando a sua divina Maternidade.
Deus acaba de nascer em Belém; corramos, tal como os pastores, com um coração pobre e humilde, para O adorar e glorificar, com o firme propósito de continuar a fazê-lo todos os dias do novo ano que agora começa.
Recorramos sempre à nossa Mãe, que guardava tudo no seu Coração Imaculado, e aprendamos a olhar para o nosso marido /a nossa mulher, acolhendo-o em tudo, evitando rejeitar as suas diferenças e guardando no coração aquilo que não compreendemos, para meditar na grandeza do nosso sacramento, que sempre nos conduz a Jesus.

Transposição para a vida Matrimonial
 
António: Maria, vejo-te um pouco séria, aconteceu alguma coisa.
Maria: Sim, António, estou um pouco triste com os comentários de ontem dos teus irmãos.
António: Não lhes leves isso a mal, disseram coisas que não eram totalmente verdade.
Maria: Sim, mas não podem deixar‑se levar e exagerar algumas coisas que disseram, tirando-as do contexto.
António: Eu sei, passaram-se um bocado, mas não lhes podemos levar isso a peito. Já falei com eles, perceberam e pediram desculpa. Além disso, a mim não me afetou muito; só me leva a rezar um pouco mais por eles, para que não volte a acontecer.
Maria: António, és maravilhoso, tens um grande coração. Apesar do que disseram de ti, não lhes guardaste rancor. Sinto-me muito agradecida por ser tua esposa.
António: Também não exageres, não me posso chatear por coisas que não são verdade. Além disso, se me tivesse defendido, só lhes dava mais pretexto para continuarem. Às vezes é melhor ficar calado e deixar passar, sem dar importância.
Maria: Tens razão, muitas vezes é melhor guardar estas coisas no coração e não lhes dar peso; o fácil é criticar e julgar.
António: Então vamos sorrir e continuar a celebrar o Natal, que agora é o mais importante.

Mãe

Ajuda-nos a encher o coração com aquilo que não compreendemos, para o oferecermos pelo nosso narido/nossa mulher  e o colocarmos aos pés do teu Filho no presépio.
Glória e louvor a Deus que nasceu em Belém.


Um Deus que se deixa pegar ao colo. Comentário para os esposos: Jo 1, 1-18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 1, 1-18

No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.
Palavra da salvação.

Um Deus que se deixa pegar ao colo
Nos últimos dias, temos lido de forma simples como aconteceu o nascimento de Jesus: uma viagem a Belém, uma manjedoura, o anúncio aos pastores… Hoje, o prólogo de São João parece fazer-nos perder a ligação com aquele acontecimento, mas, na realidade, este belo evangelho amplia o nosso foco de uma forma impressionante e coloca-nos em contacto com o transcendente, com o que os nossos olhos não veem, com aquele Deus criador que se torna criatura, indefesa e necessitada de tudo. Uma revelação que nos envolve e nos coloca diante do maior mistério: Deus quis entrar na minha vida para me dar a Sua. Rezar este evangelho leva-me ao silêncio, ao espanto, à adoração… o meu coração se enche, cada palavra parece vir de muito alto e, ao mesmo tempo, penetra no mais profundo do meu ser e aviva o desejo de acolher este Deus que vem num bebé. 
Senhor, deixamos hoje este ano que termina nas tuas mãos misericordiosas, o que começa à tua providência e nos concentramos em acolher-te e amar-te cada dia com todo o nosso coração. Tudo é teu, Senhor, tudo te entregamos, o nosso presente, o nosso passado e o nosso futuro. Vieste para nos dar graça após graça, a tua própria Vida divina e nós queremos acolhê-la. 
Transposição para a vida matrimonial
Miguel: Teresa, dá-me uma ajuda, que hoje achei difícil entender o evangelho. Parece-me um pouco abstrato, embora haja uma frase que «tocou» o meu coração: que Deus veio à sua casa e os seus não O receberam. Um bocado forte, não achas? Será que isso vai acontecer connosco..? O que significa para ti receber Deus? 
Teresa: Bem, eu também não sou teóloga, mas… acho que receber Deus se traduz em alguma coisa concreta na nossa vida… senão, de que adianta Deus se fazer homem para nos salvar, iluminar, se nós vivermos como se nada fosse… É como se acreditássemos na luz, mas tivéssemos as janelas fechadas… 
Miguel: Mas podes ser um pouco mais concreta? Como abrimos as janelas? 
Teresa: Ocorre-me, por exemplo, pensar: como respondemos quando falam mal de nós, ou quando nos ignoram, ou diante de uma calúnia ou mentira…? Em todos esses momentos, como agimos? Porque se realmente acolhemos Deus no nosso coração, se Ele habita em nós, então será Ele quem falará através de nós, quem olhará através de nós… É Ele quem responde. Ele quer usar as nossas mãos, os nossos olhos, a nossa voz para abraçar, sorrir, perdoar… 
Miguel: Uau, então receber Deus significa um antes e um depois na vida… 
Teresa: E como!… porque «a todos aqueles que O receberam, Ele deu o poder de se tornarem filhos de Deus». Isso parece-me impressionante! 
Miguel: espera, vou buscar uma garrafa de vinho e continuas a explicar-me… 
(Miguel e Teresa passaram aquela tarde em casa, junto ao presépio, a conversar tranquilamente e a comentar as coisas de Deus e o que este grande acontecimento significava para eles).

Mãe,
Amanhã começa um novo ano, não sabemos como será, mas sabemos que Deus está connosco. Queremos viver cada dia no teu Coração Imaculado e levar o Menino Jesus a tantos casais que não O recebem porque não O conhecem. Louvado seja este Menino que nos visita!

Profetas do Amor Conjugal. Comentário para os esposos: Lucas 2, 36- 40

Evangelho do dia
Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 2, 36- 40
Quando os pais de Jesus levaram o Menino a Jerusalém, a fim de O apresentarem ao Senhor, estava no templo uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.

Profetas do Amor Conjugal
Acreditais que estais destinados a ser profetas? Não duvideis. Todos nós o somos pelo Baptismo. Olhai para Ana. Ela tinha sido esposa, como nós. A sua vida não foi fácil, mas vivia abandonada em Deus e numa espera fiel e ardente pelo Messias. Certamente que, assim que viu Maria e José entrarem no templo com o Menino nos braços, soube que era Ele. Um coração desperto, que sabe que precisa de Deus e O procura com verdade e humildade todos os dias, sabe ver Deus quando Ele passa, e quando O encontra não pode deixar de anunciá-Lo aos outros. Sede assim vós, profetas do Amor Conjugal! Pedi todos os dias a graça de ver Cristo vivo no vosso esposo/esposa, porque Ele está lá. Parai. Cessai de correr. 
Olha o teu esposo/a nos olhos e dedica-lhe algo muito simples, mas que às vezes custa tanto: um sorriso de amor, sim, de amor e de reconhecimento do imenso dom de Deus que ele/ela é. Olha para ele/ela e ama-o/a com o amor de Deus, pede-o a Ele. Acontecerá então que, num lar simples e em corações dóceis, Deus fará a Sua morada e encherá de amor divino todos os recantos da casa, alcançará todos os recantos do vosso coração. É aí que começa a profecia! Acontecerá que os corações inflamados por este novo amor quererão gritá-lo a todas as famílias do mundo para que elas também se deleitem com esta imensa esperança que não se pode calar, como acontecia com Ana; e sentireis que tendes de anunciá-la sem descanso. 
É isso que vivemos e partilhamos no Projecto Amor Conjugal com todos os que vêm, porque desejam uma vida nova, um amor novo, algo mais que intuem, porque são convidados, porque… O que realmente importa? Com certeza todos aqueles que Nossa Senhora traz, revelando que Jesus está vivo em cada casamento, disposto a dar-nos um amor que o mundo não conhece nem compreende, mas do qual está sedento. E embora no princípio seja pequeno como o Menino Jesus era pequeno, com o tempo cresce, fortalece-se e enche-se da sabedoria e graça de Deus, atraindo todos os que passam ao seu lado.

Transposição para a vida matrimonial
Lurdes: Alberto, às vezes paro para pensar e nem acredito no que Deus fez na nossa vida e no nosso amor. Olho para alguns anos atrás, sinceramente não nos reconheço. 
Alberto: É verdade, Lurdes. Quem diria? Achávamos que estávamos bem, mas não podíamos imaginar a imensa distância que existe entre «estar bem» e amar-se com o amor de Deus. 
Lurdes: Um abismo. Como é insignificante darmo-nos bem em comparação com sentir que estamos a viver o Reino de Deus. E não só nós, mas também a nossa filha Luz… é incrível como ela está a crescer na fé, no amor, na maturidade…
Alberto: Por isso não podemos ficar calados e temos que anunciar sem parar para que todos os casais descubram que somos chamados a viver um amor maravilhoso, que é possível!
Lourdes:  A propósito, falando em não parar, lembro-te que daqui a 10 minutos temos uma reunião para preparar o retiro; pega no computador que deixei ao lado da televisão.
Alberto: Da televisão? E o que era isso? (risos)
Lurdes: Alberto! Passámos de ver séries de ficção em diferido para verdadeiros milagres ao vivo. Vais trocá-lo?
Alberto: Nem pensar! 
Lurdes: Glória a Deus! (sorri)

Mãe,
Ensina-nos a fazer crescer em nós o Reino de Deus, sendo testemunhas e profetas do amor conjugal, guiados pela Tua Mão, iremos aonde nos enviares. Louvado seja Deus!


Rumo ao Templo. Comentário para os esposos: Lucas 2,22-35

Leitura do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 

2,22-35

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».

Rumo ao Templo

O casamento não é um simples projecto humano de convivência, mas sim um “Sacramento Primordial”, no qual o amor dos cônjuges torna visível o amor invisível de Deus.

Apresentar o nosso “projecto de amor” no Templo (como fizeram Maria e José) significa reconhecer que a nossa união não nos pertence, mas é uma missão que Deus realiza através dos nossos corpos e das nossas almas.

Muitas vezes tratamos o nosso casamento como um plano de carreira, ou como uma lista de objectivos. Mas, pelo contrário, se o virmos como um dom recebido, apresentar esse projecto é dizer a Deus: “Tu és o Autor da nossa história”, e nós somos os administradores deste amor.

Simeão anuncia uma espada. No casamento, essa espada deve cortar o nosso egoísmo e as nossas expectativas humanas, para que o amor amadureça e chegue a ser de entrega total. O projecto de Deus em nós é ainda maior, e mais exigente, do que o nosso próprio conforto.

Os cônjuges podem narrar uma história divina: a nossa entrega física e a nossa vida quotidiana são a “linguagem” com a qual Deus fala ao mundo. Um sinal de contradição nesta sociedade, na qual o amor nos é proposto como uma troca de egoísmos e que tanto sofrimento está a causar.

Transposição para a vida matrimonial:

Xavier: Marta, apercebo-me de que, nestes dias, tenho andado muito tenso a tentar que “o nosso” projecto saia perfeito. Tenho tratado o nosso casamento como se fosse uma empresa que eu tenho de levar em frente, sozinho.

Marta: Compreendo-te. Eu também sinto que nos esquecemos de que não somos duas pessoas que se “usam” para serem felizes, mas duas pessoas que se “doam”, sinal do amor de Deus. Estamos a apresentar o nosso futuro no Templo? Ou estamos a condicioná-lo à nossa própria vontade?

Xavier: É verdade. Maria e José entregaram Jesus sabendo que Ele não era “deles”. Impressiona-me que Simeão lhes diga que Ele será um “sinal de contradição”. Penso que o nosso projecto de amor não será o de ter a vida perfeita que o Instagram espera, mas sim, ser esse sinal de amor fiel em que o mundo já não acredita.

Marta: Essa é a “espada” agora para nós, não é? Dói largar o controlo e aceitar que o projecto de Deus em nós pode incluir sacrifícios que não planeámos. Mas se entregarmos as nossas vidas, os nossos corpos, o nosso tempo, como uma oferta no Templo, já não temos de carregar o peso de “ter sucesso”. Só temos de ser fiéis.

Xavier: Então, façamos o que eles fizeram. Senhor, apresentamos-Te o nosso casamento. Não é nosso, é Teu. Dá-nos a luz de Simeão para reconhecermos a Tua passagem na nossa vida quotidiana, e a fortaleza de Maria para aceitarmos que o Teu plano é sempre melhor do que o nosso esquema de segurança.

 Mãe,

Que o nosso amor seja também “luz para iluminar as nações”.

Louvado seja Deus!