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RETIRO PARA CASAIS LISBOA 9 A 11 DE OUTUBRO 2026

RETIRO PARA CASAIS LISBOA 9 A 11 DE OUTUBRO 2026

Recorrei sempre ao Senhor. Comentário para os esposos: Mateus (14, 22-36)

Leitura do Santo Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus  (14, 2236)
Depois de a multidão ter comido até ficar saciada, Jesus obrigou imediatamente os discípulos a entrar no barco e a precedê-Lo para a outra margem, enquanto Ele despedia a multidão.
Depois de a despedir, subiu sozinho ao monte para rezar. Ao cair da noite, permanecia ali, só.
Entretanto, o barco já se encontrava longe da terra, fustigado pelas ondas, porque o vento era contrário.
Pela quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Ao vê-Lo andar sobre as águas, os discípulos assustaram-se e disseram, cheios de medo:
— «É um fantasma!»
E gritaram de terror.
Mas Jesus falou-lhes imediatamente:
— «Coragem! Sou Eu. Não tenhais medo.»
Pedro respondeu-Lhe:
— «Senhor, se és Tu, manda-me ir ter contigo sobre as águas.»
Jesus disse-lhe:
— «Vem.»
Pedro saiu do barco e caminhou sobre as águas, dirigindo-se para Jesus. Mas, ao sentir a força do vento, teve medo e, começando a afundar-se, gritou:
— «Senhor, salva-me!»
Jesus estendeu logo a mão, segurou-o e disse-lhe:
— «Homem de pouca fé, porque duvidaste?»
Assim que entraram no barco, o vento acalmou.
Então, os que estavam no barco prostraram-se diante d’Ele e disseram:
— «Verdadeiramente, Tu és o Filho de Deus.»
Terminada a travessia, chegaram à terra de Genesaré. Os homens daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia por toda a região. Trouxeram-Lhe todos os doentes e suplicavam-Lhe que os deixasse tocar, ao menos, na orla do Seu manto. E todos os que O tocavam ficavam curados.
Recorrei sempre ao Senhor
Neste Evangelho, o barco pode representar perfeitamente o nosso matrimónio. Jesus não promete uma viagem sem ondas – pelo contrário!  Por vezes parece enviar-nos a navegar enquanto Ele permanece em silêncio. Há fases em que os ventos contrários são o cansaço, as diferenças, as dificuldades económicas, a doença ou a rotina. E podemos perguntar-nos: «Onde está o Senhor?»
Mas Jesus nunca perde de vista o barco e nunca deixa de cuidar do nosso matrimónio, mesmo quando não sentimos a Sua presença.
Pedro representa-nos quando, movidos pelo amor e pela confiança, damos um passo corajoso em direção ao outro. Caminhar sobre as águas é continuar a amar quando isso já não é fácil; pedir perdão quando o orgulho nos empurra em sentido contrário; voltar a confiar depois de uma ferida; ou permanecer fiel quando os ventos sopram com força. Enquanto mantivermos o olhar fixo em Cristo, o impossível torna-se possível.
O problema começa quando Pedro deixa de olhar para Jesus e fixa a atenção no vento. No matrimónio acontece o mesmo: quando olhamos apenas para os defeitos do cônjuge, para as dificuldades ou para os nossos próprios medos, quando o amor-próprio prevalece, começamos a afundar-nos. A dúvida não destrói o matrimónio de um momento para o outro; primeiro faz-nos desviar o olhar.
A nossa esperança é que Pedro não se afoga porque grita: «Senhor, salva-me!» Num matrimónio santo, não vencem os que nunca caem, mas aqueles que sabem pedir ajuda a Deus antes de tocar no fundo. Jesus estende sempre a mão. Nunca censura antes de salvar; primeiro ampara, depois ensina.
Transposicäo para a vida matrimonial
Francisco: Luísa, há momentos em que sinto que o nosso casamento é como a barca do Evangelho. Parece que tudo se põe contra nós.
Luísa: Também eu sinto isso. E apercebo-me de que, quando olho apenas para os problemas ou para os teus defeitos, fico cheia de medo, como Pedro perante a força do vento.
Francisco: Eu também. Em vez de olhar para Jesus, concentro-me em como tudo é difícil e começo a afundar-me.
Luísa: O mais bonito é que Pedro não disfarça. Grita: «Senhor, salva-me!». Talvez nós devêssemos recorrer mais cedo ao Senhor e confiar menos só nas nossas próprias forças.
Francisco: Sim. Muitas vezes tento resolver tudo sozinho, quando a primeira coisa que devia fazer era rezar contigo e colocar o nosso casamento nas mãos de Deus.
Luisa: E confiar que Ele nunca deixa de cuidar da nossa barca, mesmo quando parece estar distante.
Francisco: E se, da próxima vez que vier um «vento contrário», em vez de discutirmos ou de cada um se fechar em si mesmo, fizermos juntos uma oração, ainda que muito breve?
Luísa: Parece-me um excelente propósito. Se mantivermos o olhar fixo em Jesus, será muito mais difícil que o medo nos afunde.
Francisco: Senhor, entra na nossa barca e ensina-nos a confiar sempre em Ti.
Luísa: Ámen.

Mãe,

Tu que nunca afastaste o olhar de Jesus, ensina-nos a fazer o mesmo no nosso casamento. Que o teu Filho seja a paz da nossa barca, a força do nosso amor e a esperança em todas as dificuldades.

Bendita sejas, Mãe.

Eucaristia quotidiana. Comentário para os esposos: Mateus 14, 13-21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São  Mateus  14, 1321

Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Bautista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O por terra. 

Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. 

Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». 

Mas Jesus respondeu-lhes: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer». 

Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». 

Disse Jesus: «Trazei-mos cá». 

Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. 

Eucaristia quotidiana

Cinco pães e dois peixes parecem demasiado pouco para saciar a fome do meu esposo ou da minha esposa. No entanto, Tu, Jesus meu, pedes-me que não o(a) mande embora, mas que o(a) alimente com o pouco que tenho: um gesto de ternura, uma palavra de perdão, um tempo de escuta, uma oração partilhada…

Hoje coloco essa pobreza nas Tuas mãos. Toma-a, ergue os olhos ao Céu, pronuncia sobre ela a Tua bênção, parte-a e faz dela, através da Tua entrega, uma eucaristia quotidiana.

Jesus meu, ofereço-Te a minha vida para que, unida à Tua, se deixe tomar, abençoar, partir e entregar por amor, tornando-se assim o alimento de que o meu esposo ou a minha esposa necessita.

Transposição para a vida matrimonial:

João: e Maria viviam completamente sobrecarregados: um filho adolescente muito rebelde, dificuldades económicas e profissionais, e um matrimónio cada vez mais distante. Como os discípulos do Evangelho, viam apenas os seus «cinco pães e dois peixes»: tudo aquilo que lhes faltava para conseguir seguir em frente.

Decidiram convidar o filho para jantar e fazê-lo entrar na razão. Tinham preparado uma série de argumentos para o corrigir, convencidos de que assim resolveriam o problema.

Mas foi ele quem lhes abriu os olhos.

— Sabem o que mais me magoa? — disse-lhes. — Falam-me de perdão e de amor, mas nunca vi os pais pedir perdão um ao outro. O pai e a mãe são a escola onde aprendi a amar… e foi isso que aprendi.

Aquelas palavras atravessaram-lhes o coração. Perceberam que Deus lhes estava a falar através do filho.

Então recordaram o Evangelho. Como os discípulos, tinham tentado resolver tudo com cálculos e soluções humanas. Mas Jesus não lhes pediu mais recursos; pediu-lhes apenas uma coisa: «Trazei-mos aqui.»

Compreenderam que a sua verdadeira pobreza não era a falta de dinheiro nem os problemas familiares, mas um amor que precisava de passar pelas mãos de Cristo. Nessa mesma noite rezaram juntos e pediram perdão um ao outro.

Nessa noite, as dificuldades não desapareceram, mas começou neles um caminho de conversão. O Espírito Santo começou a transformar o seu casamento: aprenderam a amar Deus e o próximo com um amor cada vez mais desinteressado; a viver uma alegria que não dependia das circunstâncias; a conservar a paz no meio das provações; a ter paciência com os seus próprios limites e com os do filho; a tratarem-se com delicadeza e bondade; a crescer na fidelidade a Deus e um ao outro; a responder com mansidão em vez de dureza; e a exercitar o domínio de si próprios antes de se deixarem levar pelo orgulho ou pela ira. Compreenderam que o verdadeiro milagre dos cinco pães não consistia apenas em alimentar uma multidão, mas em transformar um coração pobre num coração capaz de amar como Cristo.

Mãe,

Tu, que estiveste ao pé da cruz do teu Filho, mostra-nos o verdadeiro Amor. Seja para sempre bendito e louvado Aquele que, com o Seu Sangue, nos redimiu.