
Despojar-se de tudo.
Jesus despojou-se de tudo o que tinha antes de partir para junto do Pai, incluindo o bem mais precioso que era a Sua Mãe. Mas não A abandonou de qualquer forma. Antes entregou-A ao Seu discípulo amado e, assim, ofereceu-A à humanidade para que Ela pudesse cuidar sempre de todos nós.
Também nós, cônjuges, somos chamados a viver esta entrega: deixar para trás o «eu», os meus direitos, os meus planos, os meus gostos… para construir um verdadeiro «nós». Não se trata de deixarmos de ser quem somos, mas de descobrirmos que alcançamos a nossa plenitude quando aprendemos a tornar-nos um dom para o outro.
Como nos custa despojarmo-nos! Fica sempre alguma parte que queremos reservar para nós. Por isso, tudo começa na oração. Aprendamos a entregar-nos completamente ao Senhor, pois também nessa nossa entrega a Ele costumamos guardar algum recanto escondido que nos custa oferecer-Lhe.
Transposição para a Vida Matrimonial
Depois de fazerem a oração conjugal.
Helena: Repara que este evangelho me fez lembrar daqueles segundos sábados do mês que estavam reservados para ti e para os teus amigos…
Fernando: Ai, querida, é verdade! Como eu entendia mal o que era a entrega!
Helena: A verdade é que, naquela altura, eu achava que estava a lidar muito bem com isso e, ainda por cima, gabava-me às minhas amigas, dizendo-lhes que era uma boa mulher, «deixando-te» um sábado por mês com os teus amigos, mas, no fundo, estava a passar um mau bocado.
Fernando: Eu não fazia a mínima ideia, Helena! Sabes, pensando agora nesses tempos, mais que uma vez me deu preguiça de ir, porque já era como uma rotina. Era uma rotina, um hábito que tinha que se fazer… Se soubesse que estavas a passar mal com isso, não teria ido, peço imenso desculpa!
Helena: Não te sintas mal, Fernando, é que, naquela altura, ninguém nos tinha explicado tudo isto que agora estamos a aprender no Projecto Amor Conjugal. Eu estava convencida de que aquel dia por mês era bom, para que tivesses o teu espaço e o teu descanso, ou pelo menos era isso que me tinham dito, mas compreendo que o espaço deve ser entre nós e, se tiveres de ter um só para ti, esse teria de ser com Deus.
Fernando: Sim, querida, a entrega é ao Senhor e à esposa e, depois, à família. Contigo devo ser uma só carne, não com os meus amigos… Não estou a dizer que os abandone, mas essa ideia de reservar um espaço só para mim, agora vejo que não se coaduna de todo com o nosso sacramento.
Mãe,
Ajuda-nos a entregar-nos totalmente ao Senhor para que, assim, saibamos entregar-nos no nosso matrimónio.
Glória e louvor ao Senhor!

