Evangelho do dia
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 5, 17-30
Naquele tempo, alguns que tinham ouvido as palavras de Jesus diziam no meio da multidão: «Ele é realmente o Profeta». Outros afirmavam: «É o Messias». Outros, porém, diziam: «Poderá o Messias vir da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da linhagem de David e virá de Belém, a cidade de David?» Houve assim desacordo entre a multidão a respeito de Jesus. Alguns deles queriam prendê-l’O, mas ninguém Lhe deitou as mãos. Então os guardas do templo foram ter com os príncipes dos sacerdotes e com os fariseus e estes perguntaram-lhes: «Porque não O trouxestes?». Os guardas responderam: «Nunca ninguém falou como esse homem». Os fariseus replicaram: «Também vos deixastes seduzir? Porventura acreditou n’Ele algum dos chefes ou dos fariseus? Mas essa gente, que não conhece a Lei, está maldita». Disse-lhes Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido ter com Jesus e era um deles: «Acaso a nossa Lei julga um homem sem antes o ter ouvido e saber o que ele faz?» Responderam-lhe: «Também tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia nunca saiu nenhum profeta». E cada um voltou para sua casa.
As dúvidas afastam-nos
Nesta passagem do Evangelho de São João, vemos como o conflito em torno de Jesus vai crescendo. Já não se trata apenas de uma discussão, mas do início de uma rejeição que irá endurecer os corações até culminar na crucificação de Jesus. E isto não acontece de repente, mas a pouco e pouco: a dúvida, o preconceito e o orgulho vão fechando o coração à verdade e o povo parece dividido: uns acreditam, outros duvidam e outros julgam a partir de ideias preconcebidas. E a divisão não tem origem em Jesus, mas no olhar daqueles que O contemplam. Algo muito semelhante acontece-nos a nós, cônjuges. As dúvidas vão nos afastando como esposos, porque destroem o olhar puro. Quando deixo a suspeita entrar, já não olho para o meu marido com gratidão, mas com julgamento; já não escuto com abertura, mas com defesa. Começo a interpretar a partir dos meus medos e não a partir da verdade do outro. Assim, quase sem nos apercebermos, vai-se criando uma distância que rompe a comunhão entre os cônjuges, e vemos que essa ruptura não ocorre de repente, mas sim lentamente, quando a dúvida substitui a confiança e a suspeita se sobrepõe ao dom recebido. No meio do conflito surge Nicodemos, que nos ensina que, antes de julgar, devemos ouvir e, antes de presumir, acolher. É um convite direto aos cônjuges para não fecharem o coração sem antes terem procurado a verdade no coração do seu cônjuge. E para voltarem a olhar para o cônjuge como um dom, como o lugar onde Deus vem ao meu encontro, fazendo com que a dúvida perca força e o coração recupere a alegria de amar em verdade.
Transposição para a Vida Matrimonial
Lúcia: João, vi que hoje gastaste 400 €…
João: Lúcia, depois eu explico-te, agora estou atrasado para uma reunião.
Lúcia: «Depois eu explico-te»…? João, o que estou a perceber é que, ultimamente, tens tomado decisões importantes sem me consultar.
João: Lúcia, não é isso, a sério. Mais tarde, com calma, conto-te o que aconteceu, mas foi uma coisa necessária.
Lucia: Começo a perceber as tuas necessidades… Foi realmente necessário ou foi um impulso? (Segue-se um silêncio constrangedor) Ok… Acho que me estou a deixar levar pela desconfiança e não quero julgar sem te ouvir. Querido, contas-me melhor o que aconteceu?
João: Lúcia, esta manhã avariou-se uma coisa no carro e teve de ser arranjada hoje… Pensei em contar-te, mas estava com tanta pressa que achei preferível contar-te mais tarde, com calma.
Lúcia: João, obrigada por me contares… e desculpa por me ter deixado dominar pela dúvida e pela suspeita.
João: Não faz mal, querida. Da próxima vez vou fazer um esforço para te contar mais cedo.
Mãe,
Ajuda-nos a confiar como tu confias e a ouvir com o coração aberto, sempre com a tua ternura. Bendito e louvado sejas para sempre, Senhor.

