Confiança na oração. Comentario para os esposos: Mateus 7, 7-12

Leitura do Santo Evangelho segundo S. Mateus 7, 7-12
Naquele tempo disse Jesus aos discípulos  «Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão de abrir-vos. Pois, quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, hão de abrir. Qual de vós, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Ora bem, se vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no Céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem. Portanto, o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas.»

 
Confiança na oração

Este evangelho diz-nos isto de forma muito clara: pede e ser-te-á dado. Ou seja, faz oração, reza, pede a Deus aquilo de que precisas, fala com Ele sobre as tuas preocupações, sobre o que é bom e o que é mau, sobre tudo o que levas no coração. O Senhor escuta sempre, está atento a ti e sabe melhor do que tu aquilo de que realmente precisas. Muitas vezes não sabemos o que pedir ou como pedir, mas ao tratarmos o Senhor de forma pessoal acabamos por perceber o que é verdadeiramente importante e aquilo de que realmente necessitamos — até ao ponto de reconhecermos que já o temos e não o soubemos ver.

Pode acontecer estarmos muito cegos pelo peso do nosso pecado e não vermos tudo aquilo que o Senhor nos dá a cada momento, mesmo sem Lho pedirmos. Além disso, o Senhor está sempre à nossa espera, desejoso de que Lhe contemos as nossas coisas e partilhemos as nossas inquietações.
Nós, casais, temos a graça de poder dirigir-nos ao Senhor juntos, porque a nossa missão primordial é alcançar a plena comunhão — os esposos com Ele — e, nessa intimidade, tornarmo-nos um só para entregarmos a nossa vida em Seu nome e assim manifestarmos a Sua presença em nós em qualquer lugar e momento.

Transposição para a vida Matrimonial
Beatriz: Carlos, vejo-te um pouco preocupado com alguma coisa e não sei o que é. Aconteceu-te alguma coisa?
Carlos: Conheces-me mesmo bem. Sim, ando a pensar num assunto e queria falar contigo sobre isso, mas não sei bem como o fazer.
Beatriz: Sabes que podes contar comigo para tudo o que precisares.
Carlos: Eu sei, tenho isso muito claro, mas antes preciso de o rezar; é algo que pode afetar a família.
Beatriz: Está bem, por mim perfeito. Se quiseres, posso acompanhar-te na oração e contas-me quando terminarmos, parece-te bem?
Carlos: Parece-me a melhor opção. Tenho a certeza de que o Senhor agirá através de ti e receberei a luz necessária para te expor a minha preocupação.
Carlos: Então vamos a isso. Temos a certeza de que, colocando tudo nas mãos do Senhor através da oração, não há nada que não tenha solução.

Mãe

Ensina-nos a recorrer à oração para saber tratar o meu esposo como o teu Filho espera de mim. Bendito e louvado seja Deus.


O sinal foi dado! Comentario para os esposos: Lucas 11, 29-32

Evangelho do dia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 11, 29-32

Naquele tempo, aglomerava-se uma grande multidão à volta de Jesus e Ele começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas. Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração. No juízo final, a rainha do sul levantar-se-á com os homens desta geração e há de condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão. No juízo final, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão de conde¬ná-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas».

O sinal está dado!

Para os judeus da época, a expressão «geração perversa» não era uma crítica vazia. Ela evocava imediatamente o antigo povo de Israel, aquele que foi libertado do Egipto, que viu o mar abrir-se, que foi alimentado com o maná e recebeu a Lei no Sinai; um povo rodeado de sinais que, no entanto, continuava a duvidar e a pedir novas provas. Jesus reconhece nos seus interlocutores essa mesma atitude: eles pedem um sinal, mas não por um desejo de verdade, mas por exigência, desconfiança e suspeita. Por isso, ele não lhes concede mais nenhum.

Não é uma questão de sinais, quando o coração está fechado, nenhum sinal é suficiente. Em vez disso, ele lembra-lhes dois exemplos muito conhecidos por eles: a Rainha do Sul, que percorreu grandes distâncias movida pelo desejo de encontrar a sabedoria de Deus; e os ninivitas, que se converteram porque souberam ouvir e confiar na pregação de Jonas. Por causa do seu coração endurecido, aqueles judeus não reconheceram Deus mesmo tendo-o diante de si. Nós, hoje, podemos correr o mesmo risco. Esposos! O sinal está dado: pelo nosso sacramento, Jesus está presente no nosso casamento, está presente no meu marido. Será que eu o reconheço?

Transposição para a Vida Matrimonial

Carmen: Que sorte que nós temos, de assistir a tantas conversões à nossa volta! Mas acho que temos de estar atentos ao nosso coração para não nos procurarmos a nós.

Pedro: A que é que te referes?

Carmen: Às vezes tenho a sensação de que procuramos experiências extraordinárias, vivemos à espera do espetacular, reduzimos a nossa fé a experiências sensíveis… Acho que isso pode ser uma distração e pode confundir-nos…

Pedro: É verdade, haverá algo de mais extraordinário do que o próprio Deus ter-se escondido por amor num pedaço de pão?

Carmen: É verdade, do que estamos à espera para nos «amontoarmos» à volta de Jesus?

Mãe,

a partir do tu coração temos o mesmo desejo que tu: gostaríamos tanto de ver os sacrários lotados, todos adorando o Senhor! Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam. Bendito e louvado sejais para sempre.

Não o recites, vive-o. Comentário para os esposo: Mateus 6, 7-15

Evangelho do dia
Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 6, 7-15
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito. Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes. Orai assim: ‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal’. Porque se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas».
Não o recites, vive-o
Pai Nosso: Ensina-me a olhar para o meu marido como filho amado do Pai.
Que estais no céu: Tu és Deus, eu sou uma criatura. Tu és grande, eu sou pequeno. Não compreendo tudo, mas confio em Ti.
Santificado seja o Vosso Nome: Que reflita o Teu amor, através do amor ao meu marido e juntos Te demos Glória.
Venha a nós o Vosso reino: Destronai-me. Que eu faça sempre o que Tu queres.
Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu: Não quero convencer-Te do meu plano, quero viver o Teu e entregar-Te ao meu marido também naquilo que não compreendo.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje: Sem Ti perecemos. De Ti espero tudo. Espero o alimento do corpo e o alimento da alma.
Perdoai as nossas ofensas: Perdoa cada falta de amor que rompe a comunhão com o meu marido e contigo. 
Como também nós perdoamos a quem nos tem ofendido : Sei que só terei o Teu perdão se nunca negar o meu ao meu marido.
Não nos deixeis cair em tentação: Livra-me do orgulho, do vitimismo e da dureza de coração para com o meu marido.
Livrai-nos do mal: Mostra-me o meu pecado, Senhor. Purifica o meu coração para te amar onde desejas ser amado: no meu casamento.

Transposição para a vida Matrimonial 
(Após uma discussão acesa. Há silêncio em casa)
Eva: Sempre que falamos sobre isto, acabamos da mesma forma… Sinto-me tão sozinha.
João: E eu sinto-me atacado. Parece que nada do que faço é suficiente.
Eva: Sabes uma coisa? Depois da nossa discussão, rezei um Pai Nosso… e de repente compreendi… compreendi muitas coisas. Vejo como estamos super focados em ter razão, João.  Em nos defendermos… tudo menos amar quando o nosso amor-próprio está ferido.
João: Eu também me vejo a lutar contra ti para ter razão e também tento sempre defender-me em vez de te compreender ou amar sem mais.
Eva: Quando eu disse «venha a nós o Vosso reino», vi claramente como, na verdade, luto contra o teu reino porque quero ter sempre razão e que se faça o que eu quero.
João: Ah, querida Eva, como gosto de ti. Somos tão pequenos. Não podemos amar sem a Tua graça e insistimos em fazê-lo sempre sozinhos, em vez de Te a pedir.
Eva: E agora, o que fazemos?
João: E se rezássemos juntos o Pai Nosso, olhando-nos olhos nos olhos, muito devagar, e sentir cada palavra no coração e rezar com sinceridade?
Eva: Adorei a ideia!

Mãe,
ensina-me a rezar o Pai Nosso como Tu o fazias, com um coração ardente de amor e confiança absoluta. Que sejas sempre o nosso melhor modelo. Louvado seja Deus!

Vejo Jesus em ti. Comentário para os esposo: Mateus 25, 31-46

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 25, 31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’ E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a
Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».

Vejo Jesus em ti

Jesus ensina-nos a chave para herdar um Reino preparado para nós desde a criação do mundo: ver Jesus nos outros. A alternativa é o castigo eterno. A questão é séria e leva-nos a questionar a nossa atitude perante os necessitados, perante os mais pequenos: Que faço eu? Vejo Jesus neles?
No contexto conjugal, este Evangelho leva-nos a perguntar: que faço eu perante a necessidade do meu marido? Quando está cansado, desanimado, quando se sente só, quando precisa do meu apoio, é a Jesus que estou a abandonar, se não cuido dele.
Se, em vez de atender com paciência à minha mulher, penso que ela é uma maçadora e que “lá está outra vez com as suas coisas”, estou a abandonar Jesus. É Jesus, uma e outra vez, à espera de ser amado.
Que vocação tão bela é a do casamento! Graças ao nosso Sacramento, podemos servir Jesus, através das necessidades do nosso cônjuge, todos os dias da nossa vida.

Transposição para a vida matrimonial:

Carmo:  Victor, tenho de te dizer que ultimamente te vejo muito diferente.
Victor: Espero que para melhor!
Carmo: Claro que para melhor! Vejo-te mais disponível quando chegas a casa e já não chegas tão tarde do escritório.
Victor: Tenho ajuda. Lembras-te do pequeno oratório que fiz à entrada, vindo da garagem? Cada vez que chego a casa, mesmo cansado, paro um momento para rezar e tomo consciência de que é Jesus que vou encontrar, cansado de estar toda a tarde com as miúdas. Não hei de cuidar d’Ele?
Carmo: As miúdas também já notaram… e eu acho que também vou começar a parar no oratório.
Victor: Tenho de admitir que, muitas vezes, não era assim tão importante o que me retinha no escritório. Evitava chegar a casa porque sentia que não merecia mais trabalho depois do trabalho, e isso deixava-me irritado… já sabemos como acabava o dia. Agora é diferente: já não é mais trabalho, é uma oportunidade de servir, de servir Jesus. e isso mudou tudo.
Carmo: Eu também quero essa forma de te ver!

Mãe,

faz-me ver Jesus no meu cônjuge, necessitado da minha ternura, carinho e apoio… Louvado seja o Senhor!


Afasta a tentação. Comentário para os esposo: Mateus 4, 1-11

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 4, 1-11

Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Diabo. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome.

O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães».

Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’».

Então o Diabo conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: «Se És Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’».

Respondeu-lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’».

De novo o Diabo O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares».

Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’».

Então o Diabo deixou-O e aproximaram-se os Anjos e serviram-n’O.
Palavra da salvação.

Afasta a tentação

Acabámos de começar a Quaresma e o Evangelho apresenta-nos como Jesus é tentado pelo demónio.

Cristo claramente não cai nessas tentações. E nós? Continuamente caímos no jogo do demónio: rapidamente pedimos a Deus que faça milagres, que transforme as pedras em pão, ou que mude o meu esposo, que não é aquele que eu merecia. Mas Ele diz-nos que vivamos da Sua Palavra, que está viva e que todos os dias nos fala e nos ensina a amar o nosso esposo quando menos o merece.

Quantas vezes, diante do sofrimento ou das provações, pedimos que as retire — e Ele pode fazê-lo — mas diz-nos que conhece melhor do que nós aquilo de que precisamos, que não devemos tentar a Deus.

Pedimos a Deus que satisfaça os nossos desejos e paixões, que temos direito a ser felizes, ainda que à custa da felicidade do meu esposo, dos nossos filhos ou daqueles que nos rodeiam. E Ele diz-nos que não fixemos o olhar no mundo e nos seus tesouros finitos, que estamos chamados à Santidade na vocação em que nos colocou — e isso é infinito.

Vivamos esta Quaresma entregando-nos a Deus através do meu esposo, acompanhando Cristo no deserto e preparando os nossos corações para O acompanhar na Sua Paixão.

Transposição para a vida matrimonial

Santiago: Olá, Constança! Olha! No trabalho ofereceram-me uma estadia na Pousada dos Pirenéus durante toda a Pascoa! É a melhor Pousada de Espanha! E sabes o que o chefe me disse? Que me oferecem porque sou o melhor do escritório.

Constança: Mas… tínhamos planeado passar a Pascoa juntos com os miúdos, vivê-la acompanhando o Senhor…

Santiago: Sim, mas é a melhor Pousada de Espanha. É uma oportunidade única para passarmos uns dias fantásticos na montanha.

Constança: Mas ali não há vilas próximas, fica no meio da natureza… sim, mas é Pascoa…

Santiago: Enfim, vejo que não estás entusiasmada. Que tristeza.

(Após a oração conjugal, onde colocaram tudo na presença do Senhor)

Santiago: Tens razão. Estava a deixar-me cegar pelo luxo, por me sentir importante, e não via que era uma armadilha do demónio para nos afastar do Senhor.

Constança: Obrigada, Senhor, por este esposo que está sempre atento a seguir-Te e que se deixa iluminar pelo Espírito Santo.

Oração final

Mãe,

Fica sempre ao nosso lado para que não caiamos na tentação. Louvado seja o Senhor.