Está à tua espera. Comentário para os esposos: João 4, 5-42

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 4, 5-42

Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, onde estava o poço de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia.

Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber».

Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos.

Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?». De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva».

Respondeu-Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?». Disse-Lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna». «Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la». Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido e volta aqui».

Respondeu-lhe a mulher: «Não tenho marido». Jesus replicou: «Disseste bem que não tens marido, pois tiveste cinco e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade». Disse-lhe a mulher: «Senhor, vejo que és profeta. Os nossos antepassados adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar».

Disse-lhe Jesus: «Mulher, acredita em Mim: vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vai chegar a hora –e já chegou– em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade».

Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier, há de anunciar-nos todas as coisas». Respondeu-lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo».

Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: «Que pretendes?», ou então: «Porque falas com ela?». A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos: «Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?». Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Mestre, come». Mas Ele respondeu-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis». Os discípulos perguntavam uns aos outros: «Porventura alguém Lhe trouxe de comer?».

Disse-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra. Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa. Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro. Nisto se verifica o ditado: ‘Um é o que semeia e outro o que ceifa’. Eu mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho».

Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». Por isso os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias.

Ao ouvi-l’O, muitos acreditaram e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

Palavra da salvação.

 

Está à tua espera

Nada é por acaso, nada escapa ao olhar de Deus. Ama-nos tanto que aproveita qualquer oportunidade. Jesus está sempre à nossa espera em todas as circunstâncias da nossa vida, desejando iniciar um diálogo connosco para nos mostrar o Seu Coração.

Podemos ignorá-Lo, e então a Graça que tinha preparada passará e tê-la-emos perdido. Podemos iniciar uma conversa em que apenas falamos de coisas do mundo: das coisas de que preciso, das coisas que quero…, mas sem deixar que Jesus entre no nosso coração. Assim nada mudará na nossa vida, nem deixaremos que a Sua Graça atue.

Por fim, podemos deixar que o Senhor entre no nosso coração e nos mostre a nossa verdade, conduzindo-nos a entrar no Seu Coração transbordante de Amor. Então acontecerá algo maravilhoso: Ele transformará pouco a pouco, quase sem darmos conta, a nossa vida e tornar-nos-á testemunhas do Seu Amor, do Seu Coração.

 

Transposição para a vida matrimonial

Adolfo: Rosa, sei que te prometi que hoje voltava da viagem. Mas o meu colega quer que eu fique com ele mais um dia, aproveitar que estamos aqui para visitar algum lugar e jantar com o pessoal da empresa deste país…

Rosa: Fazes-me sempre o mesmo. Prometes e prometes, mas nunca cumpres… Já estou cansada. Acho que devíamos acabar com isto…

Adolfo: O que queres dizer com acabar? Com o nosso casamento? Estás sempre na mesma…

Rosa: Olha, deixa-me. Vou desligar.

(No dia seguinte, Rosa, depois de muito tempo sem ir à paróquia do bairro, vai como respondendo a um chamamento no seu coração. Ali vê que há um sacerdote no confessionário. Então confessa-se e vai à Capela do Santíssimo.)

Rosa: Senhor, não sei o que me trouxe aqui, mas depois de tanto tempo e de tanto sofrimento no meu casamento com Adolfo, é a primeira vez que sinto uma paz que não é deste mundo. Sei que foi depois de vir aqui, de me confessar e de estar aqui diante de Ti, escondido no Sacrário. Quanta paz sinto aqui. Agora sei que me amas e que sempre estiveste à minha espera. E repara: foi a discussão de ontem que me trouxe até aqui. Agora sei onde vir pedir força e consolo, para que o meu pobre amor por Adolfo se vá transformando num amor verdadeiro e puro.

Obrigada, Senhor, por me teres encontrado.

(Adolfo voltou e encontrou uma Rosa diferente: alegre e acolhedora. Todos os dias ela saía um bocado de casa para ir à paróquia, mas isso não o incomodava, porque gostava da nova Rosa. Na verdade, algo também o atraía a ir à paróquia, mas ainda não se atrevia. Tudo chegará.)

 

Mãe,

Tu que tens sempre Jesus no teu Coração, ensina-nos a tratá-Lo, a ter com Ele uma relação de intimidade, para que tudo o vivamos n’Ele, com Ele e por Ele.


Lar de misericórdia. Comentário para os esposos – Lc 15, 1-3. 11-32

Evangelho do dia

Leitura do santo Evangelho segundo São Lucas 15, 1-3. 11-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Certo homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar- se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a túnica mais bela e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

 

Lar de misericórdia

Senhor, nesta parábola mostras-me três atitudes: a de um pai que ama sem medida, a de um filho centrado em si próprio e a de um filho aparentemente justo. Hoje, esta Palavra interpela o meu coração e convida-me a perguntar a mim mesmo como me comporto com o meu cônjuge.
Será que ajo como o filho mais novo, deixando que o egoísmo e o orgulho me afastem dele? Reconheço os meus pecados e sei dizer “desculpa” sem justificar-me? Sou capaz de me levantar e voltar ao seu coração quando traí a sua confiança?
Ou ajo como o filho mais velho, calado, mas com o coração endurecido, julgando por dentro, pensando que faço mais, que nunca falho, medindo tudo com justiça… mas sem misericórdia?

Ou sou capaz de amar como o pai? De dar sem receber, mesmo quando houve falhas; de não recordar constantemente os erros do passado, mas restaurar com amor, sem exigir explicações, sem interrogar, apenas abraçando o meu cônjuge com misericórdia.

 

Transposição para a vida matrimonial

Miguel: Beatriz, às vezes ainda me envergonho quando me lembro de como me comportava contigo e com as nossas filhas… como transformei a nossa casa numa extensão do meu trabalho. Só trabalho e trabalho, obcecado em subir na carreira, desculpando-me com a ideia de vos querer dar o melhor, mas acabando por vos deixar de lado.
Beatriz: Meu amor, foram anos complicados. Eu só rezava e pedia ao Senhor que, por favor, viesse ao teu encontro, porque doía ver como o teu coração se ia endurecendo cada vez mais.
Miguel: Beatriz, e agora posso dizê-lo com alegria: caramba, como o Senhor te ouviu… Perdi o emprego, senti que tudo se desmoronava, que já não valia para nada e, no entanto, o melhor estava à minha espera… Tu abraçaste-me como se nada tivesse acontecido e, no teu olhar, vi uma misericórdia infinita, como a do Senhor a dizer-me: “Tranquilo, voltaste a casa”.
Beatriz: Eu estava à tua espera, Miguel. No momento em que o teu pilar fundamental caiu, só pude dar graças ao Senhor, porque estavas de volta a mim, porque precisavas de mim… E foi desde então que começámos este caminho de comunhão entre nós.

Miguel: A verdade é que só posso agradecer ao Senhor por me ter trazido de volta a casa.

 

Mãe,

Leva-nos sempre pela mão até Jesus, para que o nosso lar seja reflexo da Sua misericórdia e comunhão. Bendito e louvado sejas para sempre, Senhor.


Estamos a dar frutos? Comentário para os Esposos: Mateus 21, 33-43, 45-46

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo
São Mateus 21, 33-43, 45-46

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos
sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra
parábola: Havia um proprietário que plantou uma
vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um
lagar e levantou uma torre; depois arrendou-a a
uns vinhateiros e partiu para longe. Quando
chegou a época das colheitas, mandou os seus
servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os
vinhateiros, porém, lançando mão dos servos,
espancaram um, mataram outro e a outro
apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros
servos, em maior número que os primeiros, e
eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim
mandou-lhes o seu próprio filho, pensando: ‘Irão
respeitar o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao
verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o
herdeiro; vamos matá-lo e ficaremos com a sua
herança’. Agarraram-no, levaram-no para fora da
vinha e mataram-no. Quando vier o dono da
vinha, que fará àqueles vinhateiros?» Os
príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo
responderam-Lhe: «Mandará matar sem piedade
esses malvados e arrendará a vinha a outros
vinhateiros que lhe entreguem os frutos a seu
tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na
Escritura: ‘A pedra rejeitada pelos construtores
tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do
Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso
vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado
a um povo que produza os seus frutos». Ao
ouvirem as parábolas de Jesus, os príncipes dos
sacerdotes e os fariseus compreenderam que
falava deles e queriam prendê-l’O; mas tiveram
medo do povo, que O considerava profeta.


Estamos a dar frutos?

Jesus deixou isso bem claro aos fariseus, e hoje
também nos deixa claro a nós, cônjuges.
Estou consciente do dom que o Senhor me deu?
Estou consciente de que não posso esconder ou
ignorar um dom e que ele requer uma tarefa? O
que estou a fazer com o dom do meu cônjuge e o
dom do meu casamento? Estou a produzir frutos
com esses dons?
Tenho de ser como um bom lavrador que produz
os frutos daquilo que o Senhor me confiou. Estou
a ser um bom lavrador?


Transposição para a vida matrimonial:

Xavier: Luísa, estive a pensar e acho que não
estou a fazer tudo o que devo por ti e pelo nosso
casamento.
Luísa: Sabes que mais, Xavier? Sinto um pouco o
mesmo… acho que devo amar-te mais do que
tenho feito até agora.
Xavier: É que, no outro dia, em oração, o Senhor
fez-me ver como é maravilhoso ter-te e que eu
devia entregar-me muito mais, porque não
estava a valorizar suficientemente o dom que
Deus me deu contigo.
Luísa: Obrigada, Xavier, as tuas palavras são
preciosas. Eu também quero fazer a minha parte,
então, se alguma vez eu não te tratar com o amor
de Deus, deixa-me saber, para que eu possa fazer
melhor.
Xavier: É claro que farei isso, muito obrigado!
Como o Senhor é bom, que tanto nos ama!


Mãe,

Ensina-nos a ser fecundos e aproxima-nos do teu
filho para que possamos dar frutos em
abundância. Louvado seja o Senhor!

Quando se abre um abismo. Comentário para os Esposos: Lucas 16, 19-31

Leitura do Santo Evangelho segundo S. Lucas 16, 19-31
Naquele tempo disse Jesus aos fariseus:
 «Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e fazia todos os dias esplêndidos banquetes.Um pobre, chamado Lázaro, jazia ao seu portão, coberto de chagas.Bem desejava ele saciar-se com o que caía da mesa do rico; mas eram os cães que vinham lamber-lhe as chagas.Ora, o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na morada dos mortos, achando-se em tormentos, ergueu os olhos e viu, de longe, Abraão e também Lázaro no seu seio. Então, ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim e envia Lázaro para molhar em água a ponta de um dedo e refrescar-me a língua, porque estou atormentado nestas chamas.’ Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado.Além disso, entre nós e vós há um grande abismo, de modo que, se alguém pretendesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo, nem tão-pouco vir daí para junto de nós.’ O rico insistiu: ‘Peço-te, pai Abraão, que envies Lázaro à casa do meu pai, pois tenho cinco irmãos;que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.’Disse-lhe Abraão: ‘Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam!’ Replicou-lhe ele: ‘Não, pai Abraão; se algum dos mortos for ter com eles, hão de arrepender-se.’Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar de entre os mortos.’»
Quando se abre um abismo

Jesus, no Getsémani, contemplava todo o pecado da humanidade ao mesmo tempo; viu cada rejeição a Deus, cada ingratidão, e carregou voluntariamente sobre Si tudo isso. Viu o sofrimento de tantos matrimónios, o abismo que o pecado abre entre tantos esposos, e sofreu em agonia. Tomou sobre Si todos os nossos pecados, fez‑Se o maior dos pecadores para, com o Seu Amor, nos libertar deles.
Queridos esposos, nestes dias de Quaresma, quando entre vós se abrir um abismo, quando a comunhão se tornar difícil, quando forem tentados a pensar que já não há solução, ide procurar Jesus no Getsémani. Vê‑Lo‑eis a soluçar e a tremer de frio e de medo; abraçai‑O, consolai‑O e dizei‑Lhe apenas: meu querido Senhor, já não quero fazer‑Te sofrer mais. Acolho a Tua salvação, quero amar contigo.
Transposição para a vida Matrimonial
Jorge: Esta manhã tirei um momento para rezar diante do sacrário. Tinha comigo um livrinho da Via‑Sacra e fiquei a contemplar a estação da agonia de Jesus no Getsémani; não conseguia sair dali. Sentia que o Senhor me pedia que ficasse e O consolasse.
Luísa: Estás a cumprir o propósito que me disseste que ias fazer nesta Quaresma, aproveitar a pausa do café no trabalho para ir à igreja?
Jorge: Sim, nos primeiros dias custou-me. Havia sempre uma desculpa: pouco tempo, um colega que me convidava para ir ao café… Mas o Senhor vai enchendo-me de desejo de estar com Ele. Houve dias em que fiquei apenas a olhar para o sacrário, sabendo que Ele está ali. Nada mais.
Luísa: Adoro que partilhes isto comigo. E quero acompanhar-te, estar contigo diante d’Ele. Não há melhor maneira de ficarmos mais unidos.
Jorge: Sim, adoro. Os dois com Ele, no Seu Coração.

Mãe

Vamos juntos ao Getsémani, não deixemos o teu Filho sozinho. Bendito e louvado seja o Senhor!

Amar-Te no meu Esposo. Comentário para os Esposos: Mateus 20, 17-28

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 20, 17-28

Naquele tempo, enquanto Jesus subia para Jerusalém, chamou à parte os Doze e durante o caminho disse-lhes: «Vamos subir a Jerusalém e o Filho do homem vai ser entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, que O condenarão à morte e O entregarão aos gentios, para ser por eles escarnecido, açoitado e crucificado. Mas ao terceiro dia Ele ressuscitará». Então a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com os filhos e prostrou-se para Lhe fazer um pedido. Jesus perguntou-lhe: «Que queres?» Ela disse-Lhe: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu reino um à tua direita e outro à tua esquerda». Jesus respondeu: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?» Eles disseram: «Podemos». Então Jesus declarou-lhes: «Haveis de beber do meu cálice. Mas sentar-se à minha direita e à minha esquerda não pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem meu Pai o designou». Os outros dez, que tinham escutado, indignaram-se com os dois irmãos. Mas Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós. Quem entre vós quiser tornar-se grande seja vosso servo e quem entre vós quiser ser o primeiro seja vosso escravo. Será como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção dos homens».

Amar-Te no meu Esposo

Meu bom Jesus, este Evangelho dói. Vens para dar a vida por nós. E quando estás a contar isso aos teus amigos, em vez de se preocuparem contigo, eles só se preocupam com eles mesmos.

Poderias pensar: acabei de lhes dizer que vão torturar-me e matar-me, mas eles só pensam em si mesmos. E ainda por cima vou fazer isso por eles, vou pagar pelos seus pecados, para que possam ser salvos.

Mas não, Tu olhas para os seus corações e vês que estão entorpecidos, que não conseguem ver. Em silêncio, Tu os desculparás perante o teu Pai, pedirás por eles e te entregarás. Tu não os acusas, pões-te ao nível deles, ao que podem compreender, e ama-los na sua fraqueza.

Senhor, como estavas sozinho. Como estás sozinho. Como te deixamos sozinho. Dizes: «Este Coração tanto amou os homens e só recebe ingratidão». Não percebemos. Amas-nos infinitamente, deste tudo por nós, até à última gota do teu sangue. Pagaste a culpa do nosso pecado. E nós a pensar nas nossas coisas, se o/a meu/minha marido/mulher me faz ou deixa de me fazer, se não é justo que…

Senhor, ajuda-me a reconhecer o meu pecado. A reconhecer que não vejo. Que o problema está no meu coração, não no/a meu/minha marido/esposa, em que não sei amar.

Ensina-me a perdoar, a não estar pendente de receber, mas de dar. A amar em todas as ocasiões.

Obrigada, Senhor.

Transposição para a vida matrimonial

Rui: Marta, este evangelho comove-me. Quero realmente agradecer ao Senhor todo o seu amor por nós, consolá-lo por tanta ingratidão. E sei que o que mais lhe agrada é que eu me entregue a ti sem condições.

Marta: Sim, é tão bom. Eu também quero consolá-lo entregando-me a ti sem pedir nada em troca. Não pensar em mim, concentrar-me em ti. Quero estar consciente de que cada vez que faço isso, Ele sorri.

Rui: E eu também. Além disso, não soube amar-te na tua fraqueza. E quero fazê-lo. Sei que o único caminho para isso é caminhar com total determinação numa vida de oração e sacramentos.

Marta: Sim, e de mortificação. Vou aproveitar a Quaresma para fazer mais atos de mortificação. Sei que os meus apegos são o que me impedem de te amar como Deus quer.

Rui: Sem mortificação, é impossível negar-me a mim mesmo, como diz o Senhor. Não sou capaz de amar como quero. Mas, negando-me a mim mesmo, o meu coração se encherá do amor de Deus e Ele o fará.

Marta: Então vamos lá! Vamos ajudar-nos a percorrer este caminho com determinação. Por Jesus, que é tão bom!

Mãe,

Por favor, ajuda-nos a viver esta Quaresma centrados em agradar ao Teu Filho, entregando-nos ao nosso cônjuge. Bendito e louvado seja Deus!