Arquivo mensal: Outubro 2026

Não basta ouvir: é preciso pôr em prática. Comentário para os esposos: Lucas 11, 27-28


Evangelho do dia

Leitura do Santo Evangelho segundo São Lucas 11, 27-28


Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: «Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!»

Ele, porém, retorquiu: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática.»

Não basta ouvir: é preciso pôr em prática

O sacramento do Matrimónio não é apenas algo que recebemos num determinado dia, mas uma vocação que somos chamados a viver todos os dias. Deus fala-nos também através do nosso cônjuge: das suas necessidades, das suas feridas, das suas virtudes e até daquilo que nele ou nela nos custa aceitar. A verdadeira felicidade do nosso casamento não está em que tudo seja fácil, mas em caminharmos juntos na senda de Cristo, escutando-O e aprendendo, todos os dias, a amar como Ele nos ama.

Escutar a Palavra significa aprender a olhar para o marido ou para a mulher como Deus os olha. E pô-la em prática significa passar das boas intenções a atos concretos: perdoar quando custa, pedir perdão, servir sem esperar recompensa, renunciar ao egoísmo, cuidar do outro e procurar o seu bem antes do nosso.

Por vezes, podemos cair na tentação de pensar que o nosso casamento será feliz quando o outro mudar. Mas Jesus convida-nos a começar por nós próprios: «Escuta a minha Palavra e põe-na em prática». A pergunta não é tanto «O que deveria mudar no meu cônjuge?», mas antes «Senhor, o que me estás a pedir hoje para amar o meu marido / para amar a minha mulher?».

No casamento, somos também chamados a acolher Cristo na nossa relação, deixando que Ele transforme a nossa maneira de nos amarmos e descobrindo, assim, que o nosso casamento é um caminho de santidade. Cada dificuldade, cada diferença e cada oportunidade de servir podem tornar-se ocasiões para aprender a amar como Cristo ama.

Transposição para a vida matrimonial

Filipa: Henrique, hoje Jesus facilita-nos a vida: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática ».

Henrique: Fácil… Ouvir, sim. Pôr em prática já me parece uma segunda temporada.

Filipa: Exatamente. Porque, no casamento, sabemos ouvir perfeitamente.

Henrique: Sobretudo quando ouvimos o que nos interessa.

Filipa: É aí que está o problema. Jesus não diz: «Felizes os que ouvem aquilo de que gostam». Diz: os que escutam e põem em prática.

Henrique: Ou seja, se hoje Deus me disser: «Henrique, pede perdão», não basta responder: «Sim, Senhor, ouvi perfeitamente».

Filipa: Exatamente! E também não vale dizer: «Senhor, eu até o faria, mas a Filipa também tem a sua parte de culpa…».

Henrique: Bom, bom… Também não é preciso interpretar a Palavra tão à letra!

Filipa: No casamento, pôr a Palavra em prática significa algo muito concreto: servir, perdoar, ouvir, ceder, pedir perdão… Amar o outro como Cristo nos ama. Por isso, o primeiro passo é conhecer a sua Palavra e rezar a partir dela. E acho que nós temos descuidado um pouco a oração.

Henrique: Tens razão. Muitas vezes, quando rezávamos, eu ficava pela pergunta: «O que me está Deus a dizer?». Mas estou a perceber que se trata muito mais de perguntar: «O que vou fazer com aquilo que Deus me está a dizer?».

Filipa: E, se cada um der hoje um pequeno passo em direção ao outro, já estaremos a deixar que a Palavra transforme o nosso casamento.

Henrique: Está bem. Começo eu: hoje vou ouvir-te sem te interromper.

Filipa: A sério?

Henrique: Sim.

Filipa: E sem olhares para o telemóvel?

Henrique: Filipa, também não exageremos!

Mãe,

ensina-nos a escutar Cristo na sua Palavra e a pô-la em prática no nosso matrimónio. Que não nos fiquemos por saber o que é o amor, mas que aprendamos a vivê-lo. Bendito e louvado seja o Senhor.


Ilusão – Comentário para os esposos. Mateus 22, 01-14

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 22, 01-14

 

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes:

«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’.

Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos.

O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade.

Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’.

Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados.

O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’.

Mas ele ficou calado.

O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na ver­dade, muitos são os chamados, mas poucos os esco­lhidos».

 

 

Ilusão

 

A minha alma tem fome de amar e de ser amada. Fome de Deus, fome de comunhão. Mas o mundo oferece-me uma ilusão: «Quando tiver mais, quando conseguir…, quando o meu marido mudar… então serei feliz». E assim, «um vai para os seus campos e outro para os seus negócios».

O engano consiste em tentar saciar a nossa fome com ter, fazer, saber, poder, desfrutar, controlar, ser reconhecido… Trocamos o banquete por coisas boas, mas pequenas; o eterno pelo imediato; a comunhão pela posse.

Que «campos e negócios» me afastam hoje do meu marido/mulher?

 

Transposição para a vida matrimonial:

 

João está magoado com Maria, sua mulher. Ela respondeu-lhe mal e acabaram por discutir. Desta vez, tem as coisas claras:

— Enquanto ela não reconhecer o que fez, não penso aproximar-me.

E tem razão: Maria errou. Mas, sem se dar conta, João está a transformar a sua necessidade de justiça nos seus «campos e negócios»: prefere cobrar a dívida a recuperar a comunhão com Maria.

 

Ao regressar do trabalho, a caminho do seu encontro diário com Jesus na Eucaristia, ouve no carro «Cada um com a sua razão», uma canção dos Nacha Pop.

Uma frase atravessa-lhe o coração: «Talvez seja melhor não nos entendermos os dois, para cada um conservar a sua razão».

Conservar a sua razão à custa de perder a comunhão? De repente, percebe: Maria errou, sim, mas ele agarrou-se à sua razão até a transformar num muro. Deus mostra-lhe o seu orgulho.

 

Depois da Eucaristia, sente necessidade de ficar em adoração. Primeiro deseja ser consolado pela misericórdia de Deus; mas, pouco a pouco, nasce nele algo novo: um convite a consolar o Coração de Cristo, também ferido pela sua falta de amor. Já não quer ter razão; quer amar.

Ao chegar a casa, Maria está sentada em silêncio. João passa por ela, para e, sem dizer nada, senta-se ao seu lado e pega-lhe na mão.

Maria olha para ele.

E começa o Banquete: a paz de renunciar a cobrar a dívida, a graça de voltar a olhar para Maria como um dom e a alegria do reencontro.

Por querer conservar a sua razão, João esteve prestes a perder o Banquete.

 

Mãe,

Leva-nos pela Tua mão ao banquete das bodas do Teu Filho. Seja para sempre bendito e louvado, Ele que com o Seu Sangue nos redimiu.

A Tua Fidelidade. Comentário para os esposos: Lucas 11,15-26.

Evangelho do Dia:
Evangelho segundo São Lucas 11,15–26.
Naquele tempo, Jesus expulsou um demónio, mas alguns dos presentes disseram: «É por Belzebu, príncipe dos demónios, que Ele expulsa os demónios».
Outros, para O experimentarem, pediam-Lhe um sinal do Céu.
Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse: «Todo o reino dividido contra si mesmo acaba em ruínas e cairá casa sobre casa.
Se Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios.
Ora, se Eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes.
Mas, se Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então quer dizer que o Reino de Deus chegou até vós.
Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus bens estão em segurança.
Mas, se aparece um mais forte do que ele e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos.
Quem não está comigo, está contra Mim, e quem não junta comigo, dispersa.
Quando o espírito impuro sai do homem, anda a vaguear por lugares desertos à procura de repouso. Como não o encontra, diz consigo: “Voltarei para a casa de onde saí”.
Quando lá chega, encontra-a varrida e arrumada.
Então, vai e toma consigo sete espíritos piores do que ele, que entram e se instalam nela. E o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro».
A Tua Fidelidade

Meu bom Jesus, que dor ouvir como Te acusam! Tentam «apanhar-Te» vezes sem conta, com mentiras e meias verdades. Não querem ver a Boa Nova que lhes estás a anunciar, não querem ver a Tua grande bondade para com os doentes, para com os pecadores, para com os possuídos… só querem preservar a sua segurança e o seu poder. E Tu mostras-Te, mais uma vez, completamente fiel ao plano do Pai. Neste Evangelho, és alvo de suspeitas, críticas e acusações. Mas permaneces firme na Tua Missão. A Tua fidelidade não depende da resposta que recebes, mas do amor ao Pai que habita no Teu Sagrado Coração. Este é um ensinamento precioso para o nosso casamento. Também nós, esposos, somos chamados a uma fidelidade que não depende das circunstâncias, do estado de espírito do momento ou da resposta do outro. Senhor, mostras-nos que o verdadeiro amor permanece sempre, entregando-se e construindo o Reino de Deus, mesmo quando não é compreendido. Viver com fidelidade, sem perder de vista que temos uma tendência significativa para cair devido à nossa concupiscência, mas que, com perseverança e fidelidade, o nosso caminho será mais fácil de percorrer.

Transposição para a vida matrimonial:
João: Já podemos começar a oração conjugal?
Maria: Espera um momento, até eu acabar de ver a série, acabei agora de me sentar.
João: Maria, querida. Lembra-te da importância que os nossos tutores dão ao facto de fazermos a nossa oração conjugal todos os dias.  E eu tenho de ir para a cama, pois sabes que me levanto muito cedo e, devido ao meu trabalho, sabes que é muito importante que descanse.
Maria: Tens razão, João. Como diz a minha mãe: «Tens mais razão do que um santo!» Mas já sabes a preguiça que me dá a esta hora…
João: Sim, compreendo-te perfeitamente.  A mim acontece-me o mesmo, mas fiquei com uma palavra da reunião de ontem: «agendar». Parece algo muito frio, termos de encaixar o nosso tempinho de oração num horário rígido. Mas acho que é a melhor forma de o fazer, pelo menos no início.
Maria: Tens razão, senão, entre os miúdos e o trabalho, não conseguimos arranjar este tempinho para nos dedicarmos um ao outro.  Tenho a certeza de que as crianças agradecem, porque já me disseram algumas vezes o quanto nos veem bem depois da nossa oração.
João: Com esse tempinho, estamos a dar um melhor exemplo às crianças do que com qualquer outra coisa. Começamos: «Espírito Santo, vem todos os dias aos nossos corações…»

Mãe,

És o nosso melhor exemplo de fidelidade e dedicação, de cumprimento da Palavra do Teu Filho, nosso Senhor. Seja bendito e louvado para sempre no Santíssimo Sacramento do Altar.  Ámen.

Confia e persevera. Comentário para os esposos: Lucas 11, 5-13

Leitura do Santo Evangelho segundo S. Lucas 11, 5–13

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos   «Se algum de vós tiver um amigo e for ter com ele a meio da noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, pois um amigo meu chegou agora de viagem e não tenho nada para lhe oferecer’, e se ele lhe responder lá de dentro: ‘Não me incomodes, a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados; não posso levantar-me para tos dar’. Eu vos digo: embora não se levante para lhos dar por ser seu amigo, ao menos, levantar-se-á, devido à impertinência dele, e dar-lhe-á tudo quanto precisar. Digo-vos, pois: Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á. Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!»

Confia e persevera.

Hoje Jesus convida-nos a confiar em Deus e a perseverar na oração. A oração é essencial para conhecer Deus e para orientar a nossa vida para Ele, mesmo quando sentimos que não estamos a ser escutados. Às vezes surge a tentação de abandonar a oração porque não vemos resposta, porque não sentimos nada, porque parece que nada acontece. Mas não nos esqueçamos: na oração, Deus está sempre a agir.
Por isso, persevera:
pede, para reconhecer que precisamos de Deus; procura, para orientar a nossa vida para Ele;bate à porta, mesmo quando parece que a resposta tarda.
Deus sabe aquilo de que precisas e sempre te dará o que é melhor. O maior dom que recebemos na oração não é necessariamente aquilo que pedimos, mas o próprio Deus: o Espírito Santo, a Sua presença e a Sua graça.
Este Evangelho é também um convite aos casais: a partilharem tudo através da oração conjugal, onde cada esposo abre o coração diante do outro e, juntos, pedem, procuram e chamam. Assim recebem o Espírito Santo, que continua a guiar o matrimónio, para que este seja testemunho vivo num mundo tão necessitado do Seu Amor.

Transposição para a vida Matrimonial

Álvaro: Que grande dia passámos, a desfrutar da felicidade dos novos esposos.
Vera: Foi um casamento lindíssimo, e ver a nossa filha tão radiante, tão atenta a tudo e a todos, foi mesmo especial.
Álvaro: Sim, temos de estar muito agradecidos e dar muitas graças a Deus por tudo o que recebemos. Vem‑me à cabeça o quanto sofremos com a nossa filha Beatriz e como valeu a pena tudo o que fizemos por ela.
Vera: Sobretudo o quanto rezámos e o quanto esta situação tão difícil nos uniu. No fim, toda a oração e todos os sacrifícios feitos juntos valeram a pena. O Senhor sabia sempre aquilo de que precisávamos.
Álvaro: Sim, no dia em que o Jaime apareceu na vida da Beatriz… como o Senhor o colocou no caminho dela para a recuperar e a trazer de novo para junto d’Ele. O Jaime foi uma verdadeira bênção.
Vera: São um casal lindíssimo. Agora temos de continuar a rezar juntos por eles e por nós, confiando que, ao recorrermos ao Senhor, Ele sabe sempre aquilo de que precisamos, mesmo quando, por vezes, não o compreendemos. Somos testemunhas de que Ele nos conhece e sabe melhor do que nós tudo aquilo de que necessitamos.
Álvaro: Então vamos com tudo, que ainda temos mais dois filhos em casa. Que te parece fazermos agora um momento de oração, em ação de graças por tudo o que recebemos?
Vera: É a melhor forma de terminar um dia tão cheio de felicidade.

Mãe,

Ajuda‑nos a pedir, a procurar e a bater sempre à porta, unidos, sabendo que o teu Filho nunca deixa de cuidar de nós. Bendito seja Deus.

A melhor parte : Comentário para os esposos. São Lucas 10, 38-42

Evangelho do dia
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 10, 38–42
Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».
A melhor parte
Maria estava sentada aos pés de Jesus, a ouvir a Sua Palavra. O próprio Senhor afirma que o que ela tinha escolhido era a única coisa necessária, a melhor parte, aquela que ninguém lhe poderia tirar. Não há nada mais importante do que permanecer aos pés de Jesus. Nada é maior do que ouvir a Sua voz. Nada é mais belo do que contemplar o modo como Ele te olha e descobrir, nesse olhar, o amor com que foste amado desde sempre, contemplar o coração que te amou primeiro. Gosto de imaginar aquela cena: como é que Maria olharia para Jesus? Como é que ela saborearia cada uma das Suas palavras, sabendo que diante dela estava Aquele que é a própria Vida? Ela ouviria não para saber mais, mas para amar mais. E como é que Jesus olharia para aquela mulher que, desde que Ele entrou na sua casa, ficou rendida aos seus pés? Maria tinha escolhido a melhor parte. Poderia dizer-se que também para Jesus aquela era uma parte preciosa: ter ali um coração que quisesse estar com Ele, uma alma que não se dirigia primeiro a Ele para lhe pedir nada, mas simplesmente para O olhar, ouvi-Lo e amá-Lo. Quanta sede tem Cristo de que permaneçamos com Ele! E quanto isso nos faz falta! Talvez nos esforcemos por fazer muitas coisas por Jesus e nos esqueçamos de que, antes das nossas obras, Ele quer o nosso coração. Queremos sair a correr para amar, mas como poderemos amar com o Seu Amor se antes não tivermos permanecido junto d’Ele, a fonte do verdadeiro amor? Aprendamos a amar aos pés de Jesus; ali deixamos que a Sua palavra ilumine o nosso coração e possamos ver os nossos julgamentos, os nossos medos e o nosso amor próprio. Estejamos com Ele, permaneçamos no Seu Coração e, a partir d’Ele e com Ele, vamos para onde Ele nos enviar.
Transposição para a vida Matrimonial 
Xavier: A vida que estamos a ter está a deixar-me estoirado e ansioso, Joana. Não aguento mais. Não paramos.
Joana: É verdade que temos sempre muito que fazer e eu também me sinto sobrecarregada, mas, sinceramente, acho que o problema não é o que fazemos, mas sim o que não fazemos.
Xavier: O que queres dizer?
Joana: Sabes, acho que se antes de fazermos tudo o que fazemos, estivéssemos com o Senhor em oração, não estaríamos como estamos. O problema não é fazermos muitas coisas, mas sim não rezarmos.
Xavier: Como podes resumir tudo a isso?
Joana: Não sou eu, é Jesus quem o diz. Olha todas as frases do Evangelho que apontei no outro dia, quando estava a pensar nisto: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei», «Sem mim nada podeis fazer», «Quem não vier a Mim não terá vida!», «Se alguém tem sede, venha a mim e beba». É mesmo assim, apesar de nós continuarmos a pensar que basta dizer enquanto vamos no carro: «Senhor, ajuda-me!», para já termos rezado… Não, querido, não.
Xavier: Bem, e então o que fazemos?
Joana: Começamos desde já a levar a sério a perseverança na oração. Os nossos tutores já nos disseram isso mil vezes e somos tão teimosos que continuamos a acreditar que conseguimos lá chegar sozinhos… Olha para tudo o que estamos a perder! Como é melhor a vida com Ele!
Xavier: Pois é, Joaninha, estou sem palavras. Tens toda a razão. 
Joana: Então, diz-me que me amas!
Xavier: Ai, o que faria eu sem ti?
Mãe, 
Ensina-nos a permanecer juntos aos pés de Jesus, a ouvir a Sua Palavra com fome e a levantar-nos da oração dispostos a pô-la em prática, entregando-nos um ao outro como Jesus se entregou pela Sua esposa, a Igreja.