Arquivo mensal: Outubro 2026

O que é o bom? – Comentário para os esposos: Mateus 7, 7-11

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 7, 7-11


«Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão de abrir-vos. Pois, quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, hão de abrir. Qual de vós, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Ora bem, se vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no Céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem.»

O que é o bom?

Jesus fala-nos do bem que nos faz sentirmo-nos necessitados no nosso casamento e, nesse momento, recorrermos a Deus como dador de todos os bens. Jesus não nos diz que nos dará exatamente o que lhe pedirmos, mas “coisas boas”, e nós devemos confiar que aquilo que nos dá é o melhor para nós nesse momento, ainda que por vezes nos custe. Devido à nossa limitação, às vezes, só o descobriremos ao reler o nosso passado na oração – reconhecendo o bem que aquela situação difícil fez à nossa alma quando a pusemos nas mãos de Deus.

Mas a primeira leitura de hoje adverte-nos de que o nosso coração não se deve orgulhar quando tivermos recebido muitos bens, julgando que fomos nós que conseguimos tudo e que tudo nos pertence: se perdermos a consciência de que somos necessitados, estamos em perigo.

Transposição para a vida matrimonial:

(em casa, no regresso de um almoço de família)

Laura: Luís, deixaste-me outra vez de lado em casa dos teus pais! Já estamos outra vez na mesma. Tu não mudas!

Luís: Desculpa, querida, não reparei; estava a falar com o José e já sabes como ele é intenso. É verdade que, ultimamente, eu já estava mais descontraído em relação a este assunto.

(à noite, na oração conjugal)

Laura: Luís, quero pedir-te perdão. Não quero que mudes nada; quero viver esta oportunidade que tenho de me entregar. Senhor, peço-Te que voltes a tornar o meu coração dócil para viver estes momentos em paz! Quanto bem me fez aceitar a família dele tal como é! Amá-los e amar-Te neles. Obrigada por esta oportunidade, que me fez recordar todo o bem recebido.

Luís: Peço novamente ao Senhor que esteja mais atento a ti e que não desperdice estas oportunidades para ter mais delicadeza contigo. Dou sempre graças porque esta situação da minha família me ajudou a crescer em delicadeza.

Laura: Ainda mais? Que bom!

Luís: Obrigado, Senhor! Pedi-Te ontem que aumentasses a nossa comunhão e hoje recebemos este presente.

Mãe,

que vejamos em cada circunstância o bem que Deus nos quer dar.
Louvado seja Deus!


A pedra angular. Comentário para matrimonios. Mateus 21, 33-43


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 21, 33-43

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo.

Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’.

Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.

Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».

Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo».

Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’?

Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».

Pedra angular

Hoje mostras-nos que Tu és a pedra que nos sustenta, Senhor. Durante quanto tempo ignorámos esta realidade e quantas vezes, mesmo agora que conhecemos esta verdade sobre o nosso matrimónio, a rejeitamos, querendo fazer as coisas à nossa maneira, segundo os nossos critérios, sem ter em conta a vontade de Deus para cada um de nós, para o nosso matrimónio, rejeitando os Teus planos.

Mas sabemos que és «a pedra angular» do nosso matrimónio, que sem Ti tudo o que construímos desmorona. Por isso, Senhor, não deixamos de ir até Ti, de Te pedir, quando caímos, que voltes a sustentar-nos. E Tu, que és tão bom, levantas-nos, perdoas-nos e voltas a colocar-Te no centro das nossas vidas.

Que nunca Te rejeitemos, que sejas sempre o nosso apoio, a nossa pedra angular, aquela que sustenta o edifício do nosso matrimónio, da nossa família. Obrigado, Senhor, por não nos abandonares.

Transposição para a vida matrimonial:

Carla: Jorge, às vezes penso no que teria sido de nós se não tivéssemos conhecido o Senhor.

Jorge: Pois estaríamos certamente muito perdidos, porque o rumo que o nosso casamento estava a tomar era o de cair por um precipício.

Carla: Sim, o Senhor resgatou-nos e resgata-nos todos os dias.

Jorge: Tens razão, porque depois de nos salvar do precipício e de conhecermos o Projeto Amor Conjugal, aprendemos a colocá-Lo no centro do nosso casamento, no centro da nossa casa.

Carla: Sim, foi o salva-vidas que o Senhor nos lançou, através das catequeses, da Eucaristia, das Adorações, do Sacramento da Reconciliação e de tantos casais que temos ao nosso lado. Aprendemos que o importante é permanecermos em graça e termos o Senhor sempre presente na nossa vida.

Jorge: Sim, é como a parte principal do edifício, como diz o Evangelho, a pedra angular do nosso «edifício», do nosso casamento, da nossa família.

Carla: Que maravilha, Jorge! Vamos fazer a nossa oração, começando por dar graças a Deus por este grande dom que é o Projeto Amor Conjugal.

Mãe,

Obrigado por nos mostrares quem conduz a nossa vida, o nosso matrimónio e a nossa família. Glória a Deus!

Alegria eterna. Comentário para os esposos: Lc 10, 17-24


Evangelho do dia

Leitura do Santo Evangelho segundo São Lucas 10, 17–24Naquele tempo, os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos no Céu». Naquele momento, Jesus exultou de alegria pela ação do Espírito Santo e disse: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi entregue por meu Pai; e ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar». Voltando-Se depois para os discípulos, disse-lhes: «Felizes os olhos que veem o que estais a ver, porque Eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram».

Alegria eterna

Hoje, Jesus, conduzes-nos a um mistério mais profundo da nossa vocação e revelas-nos uma grande verdade: «os nossos nomes estão inscritos no Céu». Que maior certeza poderíamos ter! O nosso nome traz consigo a nossa história, as nossas feridas, as nossas ilusões, os nossos desejos, a nossa pequenez e a nossa vulnerabilidade. Tudo é conhecido e amado por Ti, porque estamos guardados no Teu Coração. E esta é a raiz da nossa verdadeira alegria. Uma alegria que não depende dos nossos sucessos, das nossas conquistas nem de tudo nos correr bem. Também não desaparece perante as nossas quedas, as nossas feridas ou as nossas cruzes. Porque, acima de tudo, temos a certeza de que somos profundamente amados por Ti. E a partir desse amor convidas-nos a viver com confiança, com um coração simples e aberto à Tua vontade, aprendendo todos os dias a amar como Tu amas.
Senhor, que a nossa alegria não esteja no que alcançamos, mas em sabermos que somos amados por Ti. Que esta certeza sustente a nossa vida e nos ajude a viver com um coração agradecido, humilde e confiante, aprendendo todos os dias a amar com o Teu próprio Coração.

Transposição para a vida matrimonial:

Tara: Miguel, que pena… Depois de prepararmos a catequese com tanto entusiasmo, só vieram três casais…
Miguel: Sim, mas talvez não devamos fixar-nos apenas no número. E se Nosso Senhor quisesse outra coisa, Tara?
Tara: É verdade. Enquanto a preparávamos, rezámos juntos, partilhámos muito, ouvimo-nos um ao outro e descobrimos aspetos do nosso casamento que precisavam de mudar.
Miguel: Exatamente. Pensávamos que estávamos a preparar algo para os outros e Nosso Senhor tem vindo a trabalhar em nós.
Tara: Então, Miguel, é claro que não podemos medir a obra de Deus apenas pelos resultados que vemos.
Miguel: Não. Nós queremos ver tudo de imediato, mas Deus vai trabalhando pouco a pouco e em silêncio.
Tara: Pois continuemos a confiar e a fazer a nossa parte.
Miguel: É isso mesmo, Tara, que a nossa alegria não esteja em encher uma sala, mas em continuarmos a caminhar juntos, confiando n’Ele e sabendo que os nossos nomes estão inscritos no Céu.Mãe,
Ajuda-nos a confiar no Teu Filho e a não medir a Sua obra com os nossos critérios. Bendito e louvado sejas para sempre, Senhor.


Pequenino. Comentário para os esposos: Mateus 18,1-5.10

Evangelho do Dia:
Evangelho segundo São Mateus 18,1–5.10.
Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe: «Quem é o maior no Reino dos Céus?».
Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles
e disse-lhes: «Em verdade vos digo: se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus.
Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no Reino dos Céus.
E quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim.
Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus anjos veem constantemente o rosto de meu Pai que está nos Céus».
Pequenino.

Quando os discípulos perguntam ao Senhor quem é o mais importante, provavelmente esperam que Ele lhes fale de grandeza, poder ou reconhecimento. Mas o Senhor coloca uma criança no meio e muda completamente a perspectiva deles: no Reino de Deus, o maior é aquele que se torna pequeno.
Tornar-se pequeno é reconhecer que precisamos de Deus e também dos outros (que são a mediação de Deus), e especialmente do nosso cônjuge. A criança não pretende ter o controlo de tudo, mas confia no seu pai e está disposta a deixar-se ensinar.

No casamento, muitas vezes queremos ser «o mais importante»: ter razão, que o outro reconheça o nosso esforço, que se faça o que pensamos… E, sem nos apercebermos, entramos numa luta para ver quem tem mais razão.
Hoje, o Senhor indica-nos que o caminho é outro: tornarmo-nos pequenos perante o nosso cônjuge. O caminho é deixar que reine no meu coração a humildade para com o meu cônjuge, e não o amor-próprio.
Sou capaz de pedir desculpa sem esperar que o outro o faça primeiro? Consigo reconhecer que me enganei? Sei ouvir sem preparar a minha resposta? Quando um dos dois se faz pequeno por amor, não perde, mas ganha: ganha em humildade e o seu casamento ganha, porque sai fortalecido. A grandeza está em fazer coisas simples do nosso dia-a-dia a pensar no cônjuge: ouvi-lo, ajudá-lo, perguntar-lhe como foi o seu dia… E, desta forma, deixar que Cristo, com a sua humildade, reine entre os dois.  

Transposição para a vida conjugal
Inácio: Mariazinha, podes ir tu buscar os miúdos à escola? Hoje estou com muito pouco tempo.
Maria: Inácio, eu também estou cheia de coisas para fazer… Esta manhã já os levei, fiz as compras e ainda tenho de preparar o jantar.
Inácio: Pois, mas é que tenho de acabar isto antes das seis.
Maria: Inácio, parece sempre que o que tu fazes é mais urgente ou mais importante do que o que eu faço…
Inácio: Sim, desculpa, tens razão. Só estou a pensar no que eu preciso e não no que tu precisas.
Maria: Não, desculpa-me tu, eu também podia ser mais compreensiva agora, em vez de entrar na discussão do «eu faço mais do que tu».
Inácio: Está bem, querida… Que tal se hoje eu for buscar os miúdos e tu preparares o jantar mais cedo?
Maria: Parece-me bem. E esta tarde, se chegares muito cansado, eu trato dos banhos.
Inácio:  Adoro essa ideia! Vês? No fim de contas, não se tratava de quem tinha razão, mas sim de quem estava disposto a fazer-se pequeno por amor ao outro.
Maria: Inácio, aí sim, tens toda a razão!

Mãe,

Ajuda-nos a ser como crianças: simples, humildes e confiantes no nosso Pai. Louvado seja o Senhor!


Ponde-vos a caminho! Comentário para os esposos: Lucas 10, 1-12

Leitura do Santo Evangelho segundo S. Lucas 10, 1-12

Naquele tempo, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. Disse-lhes: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe. Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho. Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós. Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que lá houver, pois o trabalhador merece o seu salário.

Não andeis de casa em casa. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos for servido, curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: ‘O Reino de Deus já está próximo de vós.’ Mas, em qualquer cidade em que entrardes e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade, que se pegou aos nossos pés, sacudimos, para vo-lo deixar. No entanto, ficai sabendo que o Reino de Deus já chegou.’  Digo-vos: Naquele dia haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade.»

Ponde-vos a caminho!

“Ponde-vos a caminho”, diz-nos o Senhor. Esposos, ponde-vos a caminho e anunciai o Seu Reino!  Anunciai que viver o Reino de Deus nesta vida é possível. 
Que isso implica renunciar ao meu egoísmo, à minha soberba, aos meus critérios e aos critérios do mundo, e viver a vida — e o casamento — como Deus o pensou.
Por vezes sentiremos que somos como ovelhas no meio de lobos, que caminhamos contra a corrente, e isso pode trazer medo. Mas se Deus está connosco, nada temos a temer.
Confiemos n’Ele!
Mantenhamo-nos firmes na Fé, vivamos em estado de graça e recorramos ao Seu Sagrado Coração.
Aí encontraremos força e consolo.

Transposição para a vida Matrimonial

Carmen: Luís, outra vez estamos contra a corrente. A Maria disse-me que todas as amigas vão a uma festa. Explicou-me tudo e, sinceramente, não vejo conveniência nenhuma em que a nossa filha vá.
Luís: E explicaste-lhe o nosso critério?
Carmen: Sim, e por agora ela aceita-o. Já sabes que, graças a Deus, é dócil. Ama o Senhor e quer viver na Fé. Mas o mundo tem muita força… assusta-me.
Luís: Carmen, temos de afastar o medo. Confiar no Senhor e rezar constantemente. Deus não nos abandona. Envia-nos como ovelhas para o meio de lobos, mas Ele é o nosso Pastor — dá a vida pelas Suas ovelhas.
Carmen: Tens razão, Luís. Eu é que me estou a deixar levar pelos critérios do mundo. A nossa força está em Deus.
Luís: Claro. Se Deus está connosco, quem estará contra nós?
Carmen: Obrigada, meu Deus, pelo meu marido.
Mãe,

Maria, nossa Mãe, Tu que nos deste Jesus, ensina-nos a viver e a levar o Seu Reino a todos. Bendita sejas!