
Não há nada encoberto que não venha a descobrir-se, nem há nada oculto que não venha a conhecer-se.
Por isso, tudo o que tiverdes dito às escuras será ouvido à luz do dia e o que tiverdes dito aos ouvidos, nos aposentos interiores, será proclamado sobre os telhados.
Digo-vos a vós, meus amigos: não temais os que matam o corpo e depois nada mais podem fazer.
Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar na Geena. Sim, Eu vos digo, a esse é que deveis temer.
Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? Contudo, nenhum deles é esquecido diante de Deus.
Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais. Valeis mais do que todos os passarinhos».
Hoje, Jesus alerta-nos contra a hipocrisia, o fermento que vai fermentando o coração e nos leva a fingir ser o que não somos, mostrando uma faceta de nós próprios que não corresponde à nossa verdadeira essência. Mas perante Deus não existem máscaras que sirvam: Ele conhece o nosso coração, as nossas intenções e também as nossas fraquezas.
E no casamento acontece o mesmo: muitas vezes queremos que o nosso cônjuge veja a nossa melhor versão e escondemos aquilo que nos custa reconhecer: o nosso egoísmo, o nosso orgulho, as nossas raivas, as nossas inseguranças… Podemos fingir que não se passa nada enquanto acumulamos reprovações por dentro e, muitas vezes, temos dificuldade em dizer: «Errei», «Perdoa-me», «Estou a sofrer» ou «Preciso que me ajudes». Temos medo de nos mostrarmos fracos e de que o outro nos julgue, ou de que as nossas feridas sejam usadas contra nós.
No entanto, somos chamados a muito mais. Somos chamados a uma intimidade partilhada, a viver uma comunhão (união partilhada) entre nós e com Cristo. E esta intimidade começa a crescer quando deixamos de defender a nossa imagem e começamos a abrir o coração. Não se trata de nos dizermos tudo sem caridade, mas de aprender a dizê-lo com humildade e amor.
Estarei a viver o meu casamento com confiança ou com medo? Procuro ter razão ou construir a unidade? Escondo a minha fraqueza ou permito que Deus a transforme?
José Maria: Pois é, eu também cheguei cansado! Parece que o que me acontece nunca conta.
Francisca: Pois claro, vou tratar disso outra vez, tu fica no sofá como sempre!
José Maria (pensa): Acho que vou rezar um Pai-Nosso para pedir ajuda ao Senhor e para que não continuemos a discutir… Pai nosso que estás no céu…
José Maria: Desculpa, querida. Fiquei na defensiva. A verdade é que estou exausto e sentei-me um momento sem pensar que tu também precisavas de descansar.
Francisca: E eu peço-te desculpa por te ter falado assim. Estou sobrecarregada e, em vez de te dizer que preciso de ajuda, acabo por te culpar.
José Maria: Temos de aprender a partilhar a luz que o Senhor nos dá, a partilhar o que temos no nosso coração, sem nos escondermos atrás da raiva nem querermos ter sempre razão.
Francisca: Sim. Hoje, Jesus diz-nos para não termos medo. Quero apoiar-me mais em ti e não dar por certo que tenho de dar conta de tudo sozinha.
José Maria: E eu quero deixar de me justificar e aprender a ouvir-te. Vamos preparar o jantar juntos.

