Arquivo diário: 7 Fevereiro, 2026

Dar Glória a Deus. Comentário para os Esposos: Mt 5, 13-16

Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 5, 13-16

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte, nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».

Dar Glória a Deus

Jesus, como se faz isso no meu matrimónio? É possível fazer boas obras e que a luz não brilhe? É possível fazer boas obras e que elas não sirvam para dar Glória a Deus? Sim, Tu sabes, meu Jesus, porque conheces o meu coração. Muitas vezes faço as coisas não procurando amar com elas, não como Tu as farias. De forma subtil, o amor-próprio domina-me e procuro-me a mim mesmo, então, aquilo que me parece bom não passa de usar o outro em meu benefício, de fazer as coisas para que me reconheçam. E acontece que vem a escuridão: como não reconhecem o quão bom eu sou, fico zangado, ainda que seja apenas essa tristeza ou mal-estar no meu coração.

Mas quando me deixo guiar por Ti, quando o meu coração se deixa queimar no Forno de Amor que é o Teu Coração e se purifica do seu amor-próprio, então vejo que é amando a minha mulher em todas as circunstâncias —quando ela está bem, quando está mal, quando me pede aquilo de que gosto, quando me pede aquilo de que não gosto, quando me entrego nesses pequenos detalhes— então é aí que Tu fazes brilhar essa Luz que vem da Tua graça e nos faz desfrutar de um pequeno pedaço de céu na terra. E as nossas pequenas obras dão Glória a Deus Pai, porque têm o valor de terem sido feitas não por nós, mas pelo Filho. Quanta luz irradia, no meio do mundo, um matrimónio que vive assim, em abandono nas mãos do Senhor. Quanta alegria há no seu coração. Eu quero isso. E tu?

Transposição para a vida matrimonial:

Rosa: Há já algum tempo que ando a ler um comentário do Evangelho de cada dia numa página da internet. É feito para casais. A maior parte das vezes parece-me que não é para mim, que não é real.
João: Ah, sim, o do Projeto Amor Conjugal. Um pouco pirosas às vezes, essas coisas do diálogo, não é? E outras vezes, para mim, demasiado elevado. A mim também não me parece muito real.
Rosa: Sim, eu, que não tenho essa fé, a de sentir esse “Amor de Deus”, isso também me afasta. Mas hoje conheci um casal que transmite uma paz, uma felicidade diferente. O modo como olham para as coisas do dia-a-dia, para os problemas, é diferente. É como se refletissem uma luz, uma alegria distinta.
João: Sim? E quem são?
Rosa: Um casal da paróquia. Estão no Projeto Amor Conjugal e só falei um bocadinho com eles, mas impactou-me a luz que refletem. Eu quero isso. Não sei como o têm, não sei o que fizeram, mas garanto-te que é diferente, eles têm algo.
João: Também não será assim tão extraordinário, pois não?
Rosa: Garanto-te que aquilo que vi neles gostava de o viver também. Queres que lhes pergunte quando os voltar a ver?
João: Pois, sim, não fazia mal nenhum um empurrãozinho para o nosso matrimónio.

Mãe,

Leva-nos ao Coração de Jesus, ao Seu Forno de Amor, para que purifique os nossos corações e para que assim as nossas obras deem glória a Deus. Louvado seja para sempre o Senhor!


Vem e descansa comigo. Comentário para os Esposos – Mc 6, 30-34

Evangelho do dia
Leitura do Santo Evangelho segundo São Marcos 6, 3034
Naquele tempo, os Apóstolos reuniram-se a Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Disse-lhes, então: «Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco.» Porque eram tantos os que iam e vinham, que nem tinham tempo para comer.
Foram, pois, no barco, para um lugar isolado, sem mais ninguém. Ao vê-los afastar, muitos perceberam para onde iam; e de todas as cidades acorreram, a pé, àquele lugar, e chegaram primeiro que eles.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ove-lhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas.

Vem e descansa comigo

Jesus percebe o cansaço dos seus apóstolos. Não lhes exige mais do que podem dar, não os pressiona nem os julga; pelo contrário, compreende‑os profundamente e convida‑os a afastarem‑se com Ele para descansar, e abraça‑os com misericórdia.
Esta atitude de Jesus interpela‑nos de forma especial na vida matrimonial. O que fazemos nós, os esposos, quando um dos dois chega cansado depois de um longo dia de trabalho? Repreendemo‑lo dizendo: “nunca estás em casa”, ou acolhemo‑lo com gratidão, reconhecendo o enorme esforço que faz pela sua família?
“Vem e descansa comigo”.
Acolher o cônjuge implica também perguntar, em silêncio e com amor: o que é que lhe dói? O que é que lhe pesa? Compadecer‑se do cônjuge não é justificar tudo, mas não endurecer o coração, mesmo quando custa. É escolher a compreensão antes da repreensão, a proximidade antes da distância. É a forma de viver a caridade conjugal, sendo um modo de presença: um dom de Deus que habita no nosso coração e bate constantemente à porta. Se Lhe abrirmos, a nossa vida transforma‑se em entrega e em eucaristia para os outros.

Transposição para a vida matrimonial:

Carmo: Amor, podes vir comigo fazer as compras? Hoje não consigo dar conta de tudo.
Emílio: Carmo… Ia mesmo agora sair para correr… estive a semana inteira à espera. Mas vejo que estás aflita, por isso claro que sim, vamos juntos.
Carmo: Obrigada, a sério. Sei que adoras o teu momento de desporto e tenho pena de to cortar, mas agradeço que faças o esforço de vir comigo.
Emílio: Não te preocupes. Às vezes o Senhor convida‑nos a amar no pequeno, mesmo que estrague os nossos planos. Vamos, e aproveitamos para estar juntos.
Carmo: Isso ajuda‑me imenso, Emílio. E quando voltarmos, se houver tempo, vais correr um bocadinho.
Emílio: Perfeito. E agora, vamos às compras… mas com boa disposição, está bem? Que também aqui se pode amar.

Mãe,

Modelo de caridade, ensina‑nos a amar e a servir como Tu. Torna o nosso coração simples, humilde e disposto a servir. Bendito e louvado seja para sempre o Senhor.