Arquivo mensal: Fevereiro 2026

Alargando o coração, superando limites. Comentário para os esposos – Mt 5, 43-48

Evangelho do dia

Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 5, 4348

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».

Alargando o coração, superando limites

O Evangelho de hoje exorta-nos a amar — mas amar verdadeiramente, amar a todos, começando pelo nosso cônjuge. Os esposos cristãos são chamados a amar em grande, com o Amor de Deus, como filhos de Deus. A tentação é amar apenas em correspondência ao amor que sentimos ou achamos receber, diminuindo o nosso amor nos momentos em que as coisas não correm tão bem. Se começo a sentir que não me amas, então também eu deixo de te amar, porque me parece que não o mereces. O que faço perante uma acusação injusta, um reparo, uma humilhação, um desprezo por algo que fiz mal ou por alguma falha minha? Respondo com amor ou reajo rejeitando o meu cônjuge, que naquele momento se comporta como meu inimigo? É uma triste tentação na qual podemos cair se não estivermos atentos.
O Senhor diz-nos para amarmos como ama o Pai: bons e maus, justos e injustos, irmãos e desconhecidos, aqueles que acreditamos que nos amam e aqueles que nos parece que não… e, claro, amar sempre o nosso cônjuge, em qualquer momento e situação — quando tudo está bem e quando não está, quando vemos que corresponde e também quando nos parece um inimigo. Convida-nos a alargar o coração e, assim, superar os limites do nosso amor pequenino. Amar é um ato de vontade. Querido(a), decidi amar-te, e vou derramar o meu amor sobre ti sobretudo quando menos o mereces — que é, seguramente, quando mais precisas. Assim, amarei à imagem do nosso Pai do Céu.

Transposição para a vida matrimonial

M.ª do Mar: Sabes o que me aconteceu hoje? Lembras-te da Felisa, a minha colega de trabalho — aquela que tem o cabelo encaracolado, anda num carro azul e tem dois filhos que às vezes vêm cá a casa lanchar e brincar com os nossos?
Carlos: Sim, claro que sim.
M.ª do Mar: Pois esta manhã, no café, à hora do pequeno-almoço, sem reparar que eu chegava por trás, ouvi-a dizer aos colegas que eu era uma má amiga e que não a ajudava quando me pedia. Eu, que a ajudo sempre que posso. E ela a pôr-me mal perante os colegas. Não queria acreditar.
Carlos: Pobrezinha… que desgosto. E o que fizeste?
M.ª do Mar: Apeteceu-me dizer-lhe umas quantas coisas ali mesmo. Mas pedi ajuda a Nossa Senhora, e então lembrei-me que ela está a passar uma fase difícil, a mãe está doente, anda preocupada… dei meia volta e saí sem lhe dizer nada.
Carlos: Fizeste bem, querida. Mas se calhar, como a vais ver amanhã, podes dar mais um passo: devolver o mal com um bem. Aproximas-te dela, perguntas como está a mãe… e ofereces ajuda.
M.ª do Mar: Não sei se vou conseguir… bem, com a ajuda do Espírito Santo, de certeza que sim. Obrigada, Carlos, por me ajudares a ver a situação com o olhar dos filhos de Deus e não com os olhos do mundo. Tu sim, és a minha Ajuda Adequada.

Mãe,

Ajuda-nos a amar os nossos irmãos como o teu Filho nos ensinou, com o amor de Deus Pai.
Bendita e gloriosa sejas, Mãe! Louvado seja para sempre o Senhor!


Justiça Divina. Comentario para os esposos: Mateus 5, 20-26

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 5, 20-26


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus. Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento. Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem lhe chamar louco será submetido à geena de fogo. Portanto, se fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta. Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho, não seja caso que te entregue ao juiz, o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo».

 

Justiça Divina 

Quantas vezes pensamos que não temos nada para confessar ou que confessamos sempre «o mesmo».  Talvez nos consideremos justos porque estamos perto de Deus ou nos aproximamos Dele. Mas devemos olhar para dentro do nosso coração: tenho algo contra o meu irmão, a minha irmã, o meu marido, o meu filho, algum casal do nosso grupo ou da nossa comunidade? Acho-me melhor do que eles e com o direito, não de julgá-los, mas de condená-los no meu coração? Cuidado, o Senhor diz-nos que se me deixar levar pela raiva contra o meu irmão serei processado e que não me aproxime do altar se não me reconciliar com ele. Senhor, perdoa as nossas ofensas como nós perdoamos aqueles que nos ofendem, e não nos deixes cair em tentação. Ámen

 

Transposição para a vida Matrimonial:

Miguel: Pilar, a minha mãe ligou. Teremos um almoço de família em casa da minha irmã Júlia no domingo

Pilar: Novamente? Mas estivemos com eles no fim de semana passado…

Miguel: Parece que um dos gémeos terminou o trabalho de final de curso com uma nota muito boa e eles querem comemorar.

Pilar: Ufa! Nem quero pensar como devem estar vaidosos… sei que é tua irmã, mas ela é bastante difícil de suportar.  Bem, acho que o Miguelinho não deve ir.

Miguel: Mas, como assim, ele não vai à comemoração do primo?  Eles dão-se tão bem…

Pilar: Eu sei, mas já estou a imaginar a tua mãe e a tua irmã a perguntar-lhe quanto tempo falta para ele terminar a faculdade… e tu sabes que, embora ele estude muito, está a ter dificuldade em passar.

Miguel: Pilar, acho que devemos colocar isso em oração, porque talvez a tua visão esteja um pouco turva.

Pilar: Como assim? …Ah, Sim tens toda a razão! Como é que me deixei levar pela tentação. Amanhã mesmo, vou-me confessar. Muito obrigada, ajuda adequada, dá-me um beijo!

Miguel: Muito obrigado a ti por acolheres com tanto amor esta correção fraterna.  Eu amo-te muito.

 

Mãe,

Ajuda-nos a limpar o nosso olhar, para que nos lembremos de que nosso exame mais importante será sobre o amor.  Bendito e louvado seja o Teu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo!

Confiança na oração. Comentario para os esposos: Mateus 7, 7-12

Leitura do Santo Evangelho segundo S. Mateus 7, 7-12
Naquele tempo disse Jesus aos discípulos  «Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão de abrir-vos. Pois, quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, hão de abrir. Qual de vós, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Ora bem, se vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no Céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem. Portanto, o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas.»

 
Confiança na oração

Este evangelho diz-nos isto de forma muito clara: pede e ser-te-á dado. Ou seja, faz oração, reza, pede a Deus aquilo de que precisas, fala com Ele sobre as tuas preocupações, sobre o que é bom e o que é mau, sobre tudo o que levas no coração. O Senhor escuta sempre, está atento a ti e sabe melhor do que tu aquilo de que realmente precisas. Muitas vezes não sabemos o que pedir ou como pedir, mas ao tratarmos o Senhor de forma pessoal acabamos por perceber o que é verdadeiramente importante e aquilo de que realmente necessitamos — até ao ponto de reconhecermos que já o temos e não o soubemos ver.

Pode acontecer estarmos muito cegos pelo peso do nosso pecado e não vermos tudo aquilo que o Senhor nos dá a cada momento, mesmo sem Lho pedirmos. Além disso, o Senhor está sempre à nossa espera, desejoso de que Lhe contemos as nossas coisas e partilhemos as nossas inquietações.
Nós, casais, temos a graça de poder dirigir-nos ao Senhor juntos, porque a nossa missão primordial é alcançar a plena comunhão — os esposos com Ele — e, nessa intimidade, tornarmo-nos um só para entregarmos a nossa vida em Seu nome e assim manifestarmos a Sua presença em nós em qualquer lugar e momento.

Transposição para a vida Matrimonial
Beatriz: Carlos, vejo-te um pouco preocupado com alguma coisa e não sei o que é. Aconteceu-te alguma coisa?
Carlos: Conheces-me mesmo bem. Sim, ando a pensar num assunto e queria falar contigo sobre isso, mas não sei bem como o fazer.
Beatriz: Sabes que podes contar comigo para tudo o que precisares.
Carlos: Eu sei, tenho isso muito claro, mas antes preciso de o rezar; é algo que pode afetar a família.
Beatriz: Está bem, por mim perfeito. Se quiseres, posso acompanhar-te na oração e contas-me quando terminarmos, parece-te bem?
Carlos: Parece-me a melhor opção. Tenho a certeza de que o Senhor agirá através de ti e receberei a luz necessária para te expor a minha preocupação.
Carlos: Então vamos a isso. Temos a certeza de que, colocando tudo nas mãos do Senhor através da oração, não há nada que não tenha solução.

Mãe

Ensina-nos a recorrer à oração para saber tratar o meu esposo como o teu Filho espera de mim. Bendito e louvado seja Deus.


O sinal foi dado! Comentario para os esposos: Lucas 11, 29-32

Evangelho do dia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 11, 29-32

Naquele tempo, aglomerava-se uma grande multidão à volta de Jesus e Ele começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas. Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração. No juízo final, a rainha do sul levantar-se-á com os homens desta geração e há de condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão. No juízo final, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão de conde¬ná-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas».

O sinal está dado!

Para os judeus da época, a expressão «geração perversa» não era uma crítica vazia. Ela evocava imediatamente o antigo povo de Israel, aquele que foi libertado do Egipto, que viu o mar abrir-se, que foi alimentado com o maná e recebeu a Lei no Sinai; um povo rodeado de sinais que, no entanto, continuava a duvidar e a pedir novas provas. Jesus reconhece nos seus interlocutores essa mesma atitude: eles pedem um sinal, mas não por um desejo de verdade, mas por exigência, desconfiança e suspeita. Por isso, ele não lhes concede mais nenhum.

Não é uma questão de sinais, quando o coração está fechado, nenhum sinal é suficiente. Em vez disso, ele lembra-lhes dois exemplos muito conhecidos por eles: a Rainha do Sul, que percorreu grandes distâncias movida pelo desejo de encontrar a sabedoria de Deus; e os ninivitas, que se converteram porque souberam ouvir e confiar na pregação de Jonas. Por causa do seu coração endurecido, aqueles judeus não reconheceram Deus mesmo tendo-o diante de si. Nós, hoje, podemos correr o mesmo risco. Esposos! O sinal está dado: pelo nosso sacramento, Jesus está presente no nosso casamento, está presente no meu marido. Será que eu o reconheço?

Transposição para a Vida Matrimonial

Carmen: Que sorte que nós temos, de assistir a tantas conversões à nossa volta! Mas acho que temos de estar atentos ao nosso coração para não nos procurarmos a nós.

Pedro: A que é que te referes?

Carmen: Às vezes tenho a sensação de que procuramos experiências extraordinárias, vivemos à espera do espetacular, reduzimos a nossa fé a experiências sensíveis… Acho que isso pode ser uma distração e pode confundir-nos…

Pedro: É verdade, haverá algo de mais extraordinário do que o próprio Deus ter-se escondido por amor num pedaço de pão?

Carmen: É verdade, do que estamos à espera para nos «amontoarmos» à volta de Jesus?

Mãe,

a partir do tu coração temos o mesmo desejo que tu: gostaríamos tanto de ver os sacrários lotados, todos adorando o Senhor! Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam. Bendito e louvado sejais para sempre.

Não o recites, vive-o. Comentário para os esposo: Mateus 6, 7-15

Evangelho do dia
Leitura do santo Evangelho segundo São Mateus 6, 7-15
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito. Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes. Orai assim: ‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal’. Porque se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas».
Não o recites, vive-o
Pai Nosso: Ensina-me a olhar para o meu marido como filho amado do Pai.
Que estais no céu: Tu és Deus, eu sou uma criatura. Tu és grande, eu sou pequeno. Não compreendo tudo, mas confio em Ti.
Santificado seja o Vosso Nome: Que reflita o Teu amor, através do amor ao meu marido e juntos Te demos Glória.
Venha a nós o Vosso reino: Destronai-me. Que eu faça sempre o que Tu queres.
Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu: Não quero convencer-Te do meu plano, quero viver o Teu e entregar-Te ao meu marido também naquilo que não compreendo.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje: Sem Ti perecemos. De Ti espero tudo. Espero o alimento do corpo e o alimento da alma.
Perdoai as nossas ofensas: Perdoa cada falta de amor que rompe a comunhão com o meu marido e contigo. 
Como também nós perdoamos a quem nos tem ofendido : Sei que só terei o Teu perdão se nunca negar o meu ao meu marido.
Não nos deixeis cair em tentação: Livra-me do orgulho, do vitimismo e da dureza de coração para com o meu marido.
Livrai-nos do mal: Mostra-me o meu pecado, Senhor. Purifica o meu coração para te amar onde desejas ser amado: no meu casamento.

Transposição para a vida Matrimonial 
(Após uma discussão acesa. Há silêncio em casa)
Eva: Sempre que falamos sobre isto, acabamos da mesma forma… Sinto-me tão sozinha.
João: E eu sinto-me atacado. Parece que nada do que faço é suficiente.
Eva: Sabes uma coisa? Depois da nossa discussão, rezei um Pai Nosso… e de repente compreendi… compreendi muitas coisas. Vejo como estamos super focados em ter razão, João.  Em nos defendermos… tudo menos amar quando o nosso amor-próprio está ferido.
João: Eu também me vejo a lutar contra ti para ter razão e também tento sempre defender-me em vez de te compreender ou amar sem mais.
Eva: Quando eu disse «venha a nós o Vosso reino», vi claramente como, na verdade, luto contra o teu reino porque quero ter sempre razão e que se faça o que eu quero.
João: Ah, querida Eva, como gosto de ti. Somos tão pequenos. Não podemos amar sem a Tua graça e insistimos em fazê-lo sempre sozinhos, em vez de Te a pedir.
Eva: E agora, o que fazemos?
João: E se rezássemos juntos o Pai Nosso, olhando-nos olhos nos olhos, muito devagar, e sentir cada palavra no coração e rezar com sinceridade?
Eva: Adorei a ideia!

Mãe,
ensina-me a rezar o Pai Nosso como Tu o fazias, com um coração ardente de amor e confiança absoluta. Que sejas sempre o nosso melhor modelo. Louvado seja Deus!