Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 10, 34-42
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não penseis que Eu vim trazer a paz à terra. Não vim trazer a paz, mas a espada. De facto, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora da sua sogra, de maneira que os inimigos do homem são os de sua casa. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa». Depois de ter dado estas instruções aos seus doze discípulos, Jesus partiu dali, para ir ensinar e pregar nas cidades daquela gente.
Uma luta que salva
Na nossa vocação matrimonial, Jesus convida-nos a perder aquilo que tantas vezes julgamos ser a nossa vida, para ganharmos a vida que Ele tem preparada para nós. Não é possível ter tudo. Muitas vezes tentamos corresponder a todas as expectativas da nossa família de origem, preservar as aparências sociais, alcançar o sucesso profissional e, no fim, já não nos resta força para o nosso cônjuge: para cuidar da nossa intimidade, da paz do nosso lar, da oração conjugal ou para estarmos atentos a servir-nos mutuamente.
É preciso mudar a ordem das prioridades: primeiro Deus e a comunhão com o nosso cônjuge; tudo o resto vem depois. E, muitas vezes, isso implica luta. Mas é precisamente essa luta que nos aproxima de viver o Reino de Deus na nossa vida.
Transposição para a vida matrimonial
Laura: Pedro, estou a tentar, mas a rejeição da tua família faz-me sofrer. Pensava que, ao casar contigo, encontraria a mãe que nunca tive, mas encontrei uma situação que me está a consumir… e a tua atitude ainda mais.
Pedro: Laura, tens razão, e peço-te perdão. Há muito tempo que tento não tomar partido porque me custa muito enfrentar esta situação. Na verdade, tenho medo de os perder, sobretudo por causa do feitio da minha irmã. Mas isto está a prejudicar a nossa união, está a enfraquecer a nossa aliança. Eu devia proteger-te e, no entanto, escolho não contrariar a minha família.
Laura: Não quero que percas a tua família. Tenho a certeza de que o Senhor me ajudará a carregar esta cruz.
Pedro: Também não quero perdê-los, mas tenho de trazer a verdade a esta situação: falarei com eles as vezes que forem necessárias, com todo o amor de que for capaz. Será difícil, mas não vou pôr em risco a nossa união só para evitar este sofrimento. Enfrentaremos esta batalha unidos, no coração de Cristo.
Foi difícil para Pedro. Mas, com muita oração, amor e o passar dos anos, a sua família acabou por admirar a comunhão que existia no casamento do filho, fonte da felicidade dele e de toda a sua família.
Mãe,
Que eu nunca tenha medo de pôr em causa tudo aquilo que me afasta da minha vocação de esposo/a.
Louvado seja Deus!

