
Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos : «Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado! Tenho de receber um batismo, e que angústias as minhas até que ele se realize! Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão. Porque, daqui por diante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três; vão dividir-se: o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.» .
Fogo de Amor
Senhor, o fogo de que nos falas é o fogo do Teu amor, o amor de Deus, da verdade que transforma o coração e do Espírito que nos impele a viver de uma forma nova. Desejas que esse fogo arda, porque não vieste deixar-nos indiferentes. A Tua mensagem convida-nos à mudança, a abandonar o egoísmo, a perdoar e a amar mesmo quando isso se torna difícil. Quando nos dizes que não vieste trazer a paz, mas a divisão, não nos estás a convidar a provocar confrontos; estás a advertir-nos de que viver de acordo com o Evangelho pode gerar incompreensão, até entre as pessoas que mais amamos. Nem todos acolhem os mesmos valores nem estão dispostos a percorrer o mesmo caminho. Também nas nossas famílias podemos experimentar estas dificuldades. Jesus, não nos pedes que deixemos de amar os nossos, mas sim que o nosso amor a Deus nos ajude a amá-los melhor e a aproximá-los de Ti: sem dominar, sem humilhar, sem mentir e sem renunciar ao bem por medo do conflito. E quando falas do batismo que tens de receber, Jesus, expressas a angústia perante o sofrimento que Te espera. Tu conheces o preço da Tua entrega e, ainda assim, continuas o Teu caminho por amor a nós.
Transposição para a vida Matrimonial
João: Sim, Rita, conheces-me tão bem. Tenho algo para te contar e não sei como fazê-lo, porque talvez não gostes.
Rita: Conta-me sem medo. Sabes que podes sempre contar comigo para o que precisares.
João: Eu sei, Rita, mas não gosto de te magoar, sobretudo por causa da minha falta de jeito e, muito menos, por egoísmo. Comprometi-me com a paróquia a participarmos nuns cursos de preparação para o matrimónio.
Rita: Bem, João, mas isso não é mau. Pelo contrário, é uma ótima ideia. E sabes que estou sempre de acordo contigo quando se trata de participar em tudo o que ajude os outros.
João: Seria durante um fim de semana inteiro, e é precisamente o último fim de semana deste mês.
Rita: Pois, é o mesmo fim de semana em que íamos ter um almoço de família com toda a minha família. Bem, acho que eles compreenderão. Embora eu estivesse com muita vontade de estar presente, parece-me mais importante dar uma ajuda naquilo que te pediram.
João: Mas há mais. Eu podia ter escolhido outro fim de semana, porque o pároco, padre Manuel, estava disponível para alterar a data para que nos fosse mais conveniente. Mas escolhi esse fim de semana porque não me apetecia nada ir ao encontro da tua família. Naquele momento vi uma oportunidade e pensei em mim acima dos outros.
Rita: Agora percebo os teus silêncios. Mas não te preocupes. Vale muito mais teres-me contado do que eu vir a saber por outra pessoa. Aliás, eu já sabia. O padre Manuel ligou-me para me contar e para me explicar como gostaria que colaborássemos no curso.
João: E não vais ficar zangada?
Rita: A verdade é que isso deixa-me triste, mas não consigo zangar-me por uma coisa dessas. Compreendo-te, porque sei que a minha família não é fácil e sei também que tu fazes sempre um esforço. E, embora eu tivesse muita vontade de participar nesse almoço, compreendo-te. Haverá outras oportunidades.
João: Perdoa-me, Rita, e muito obrigado por me acolheres nesta situação. És maravilhosa. Amo-te
Mãe,
Ajuda-nos a deixar que o amor de Deus transforme a nossa vida, mesmo quando essa transformação nem sempre é compreendida pelos outros. Bendito seja Deus.

