Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: ‘Nem todos estais limpos’. Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também.
Deixa‑te amar.
Hoje, Quinta‑Feira Santa, Jesus mostra‑nos que amar “até ao fim” é escolher amar o marido/a mulher todos os dias, mesmo quando custa. Na vida conjugal, lavar os pés significa acolher as fragilidades do marido ou da mulher sem julgar, servir sem medir, amar em silêncio. Cuidar dos pequenos detalhes, aqueles que sustentam o amor de cada dia.
Mas no matrimónio não se ama apenas dando; ama‑se também deixando‑se amar com humildade. Como Pedro, por vezes resistimos a deixar‑nos amar, mas o Senhor convida‑nos também a receber. O serviço mútuo purifica o coração e renova a aliança diariamente.
Somos chamados a descobrir o rosto de Cristo no nosso marido/mulher e a aprender a amar como Ele ama, fazendo da nossa vida um dom constante um para o outro, mesmo quando o outro tem os pés sujos.
Xavier (chega do trabalho e atira‑se para o sofá): Não aguento mais, foi um dia horrível. María (da cozinha): Eu também não parei o dia todo. (silêncio tenso)
María (suspira, aproxima‑se de Xavier): Olha… queres que te prepare alguma coisa para jantar? Xavier (olha para ela, surpreendido): A sério? Mas tu estás tão cansada como eu, ou mais. María: Sim, mas hoje quero cuidar de ti. Xavier (endireita‑se): Então jantamos juntos e depois arrumo eu. María (sorrindo): Combinado. Xavier: Às vezes esquecemo‑nos de que servir é a forma mais simples de dizer “amo‑te”. María: Sim. É isso que o Senhor nos ensina: servir, acolher, curar, entregar‑se, lavar os pés. Eu quero imitá‑lo. Xavier: E eu também. Mas sozinhos não conseguimos, precisamos d’Ele.

