Arquivo diário: 26 Janeiro, 2026

É a Graça. Comentário para os Esposos: Marcos 4, 26-34

Evangelho do dia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos  4, 26-34

O grão que germina — Dizia ainda: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra.Quer esteja a dormir, quer se levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como.

A terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e, finalmente, o trigo perfeito na espiga.E, quando o fruto amadurece, logo ele lhe mete a foice, porque chegou o tempo da ceifa.»

Dizia também: «Com que havemos de comparar o Reino de Deus? Ou com qual parábola o representaremos?

É como um grão de mostarda que, ao ser deitado à terra, é a mais pequena de todas as sementes que existem;mas, uma vez semeado, cresce, transforma-se na maior de todas as plantas do horto e estende tanto os ramos, que as aves do céu se podem abrigar à sua sombra.»

Com muitas parábolas como estas, pregava-lhes a Palavra, conforme eram capazes de compreender.Não lhes falava senão em parábolas; mas explicava tudo aos discípulos, em particular.

É a Graça.

O casamento não é uma conquista da vontade humana nem o resultado de um planeamento perfeito; é uma obra de arte divina na qual nós simplesmente cooperamos. A semente depositada no altar é a Graça Sacramental: um «poder divino» e real que habita na nossa união de forma permanente.

A verdadeira beleza da vida conjugal não provém de ter um «bom caráter» ou uma força inabalável, mas da humildade de ter permitido que essa semente germine. Cada vez que um de nós se tornou «dom» para o outro, renunciando ao próprio ego, ouvindo com o coração ou abraçando a fragilidade, a semente rompeu a sua casca para crescer. Ao morrer para o «eu», permitimos que a vida de Deus brote. Assim, o lar deixa de ser apenas uma casa para se tornar o Reino de Deus, um lugar onde se respira uma paz que o mundo não conhece.

Transposição para a Vida Matrimonial

Luis: Carmo, queria pedir-te desculpas do fundo do coração. Estive muito tenso toda a semana, a tentar controlar cada detalhe e a exigir que tudo funcionasse conforme os meus planos. Comportei-me como se a paz desta casa dependesse apenas da minha gestão.

Carmo: Eu percebi, Luís. Ontem, quando perdeste a paciência com as miúdas, doeu-me ver-te sofrer. Estavas a tentar suportar sozinho o peso da família.

Luis: Exatamente, e esse é o meu erro. Pedi desculpas às meninas, mas agora, ao vê-las a dormir e ao respirar a paz que se sente nesta casa, percebo uma coisa: esta harmonia não é fruto da nossa ordem, do meu esforço ou da nossa disciplina. É a Graça. Erro sempre que acho que podemos «fabricar» esta paz. Só quando somos dóceis àquela semente que Deus plantou em nós é que começamos a saborear o que será o Reino dos Céus.

Carmo: É que a nossa vida é bela precisamente por isso. Apesar das dificuldades reais que temos, sinto que já estamos a viver uma antecipação do Reino. Não é uma felicidade de «novela», é aquela alegria profunda de sabermos que Deus habita em nós, na nossa imperfeição.

Luis: Olhando para trás, vejo com outros olhos cada renúncia que fizemos, cada vez que escolhemos a comunhão em vez de querer ter a razão. Na altura, pareciam sacrifícios, mas agora vejo que eram o «adubo». Ao remover os obstáculos do nosso orgulho, permitimos que o Sacramento abrisse caminho. É incrível que, sendo nós tão pequenos, Deus tenha construído algo tão grande em nós.

Carmo: É o mistério do grão de mostarda, Luís. A nossa entrega diária parece pequena, mas Deus transformou-a nesta árvore frondosa que hoje nos dá sombra e nos permite amar verdadeiramente.

Mãe,

Ajuda-nos a retirar os obstáculos que impedem o crescimento do Reino de Deus no nosso lar. Louvado seja Deus!