Arquivo diário: 12 Janeiro, 2026

Quais são as tuas redes? Comentário para os esposos: Marcos 14-20

Evangelho do dia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 14-20

Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.

 

Quais são as tuas redes?

Jesus começa por dizer: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo”. No casamento, por vezes caímos na armadilha de esperar “tempos melhores” ou de sentir saudades de “tempos passados”. O casamento não é uma meta a atingir, mas um sacramento vivo onde Deus habita no tempo presente do marido e da mulher.

A conversão a que Jesus nos chama não é um simples “portar-se bem”; é a redenção do olhar, a redenção do coração. É passar de ver o cônjuge como alguém que “deve satisfazer-me” para o ver como um “dom” pensado por Deus desde a eternidade. Converter-nos para que, no nosso coração, cresça a pureza de intenção para com o nosso marido ou a nossa mulher.

Os apóstolos deixaram as suas redes para seguir Jesus. No casamento, as “redes” representam tudo aquilo que nos prende e nos impede de estar plenamente presentes. Por vezes, as redes são o excesso de trabalho, o uso desmedido do telemóvel ou os apegos à família de origem que não permitem que a nova família cresça. Seguir Jesus na vocação matrimonial implica “largar” para poder “abraçar” o projecto de amor que Deus tem pensado para o casal.

Transposição  para a vida matrimonial:

Helena e Carlos. Levam uma semana tensa, cheia de compromissos profissionais, e mal se têm olhado nos olhos. Uma noite, depois de deitar as crianças…

Helena: Carlos, amanhã tenho de entrar mais cedo no escritório, por isso não vou conseguir ajudar com o pequeno-almoço. Estou atrapalhada com este relatório.

Carlos: Helena, o Evangelho da Missa dizia-me hoje que este é o tempo de deixar as redes e seguir Jesus. Sinto que as nossas “redes”, neste momento, são estes ecrãs. Estão a prender-nos e a afastar-nos um do outro.

Helena: Eu sei, mas se não terminar isto, sinto-me insegura. São as minhas redes, dão-me sustento, mas tens razão: estão a sufocar-me e a afastar-nos.

Carlos: Jesus chamou os pescadores no meio do seu trabalho, não quando estavam a descansar. Está a chamar-nos agora, no meio deste cansaço. Proponho-te uma “conversão”: deixamos o trabalho por hoje. Jantamos algo simples e rezamos juntos, partilhando o que o Evangelho nos diz. A nossa união é mais importante do que esse relatório.

Helena: Tens razão. “Deixar as redes”, hoje, significa deixar de me preocupar com o que pensam no escritório e ocupar-me em construir essa intimidade comum, que cresce cada vez que partilhamos a oração.

Mãe,

Ajuda-nos a priorizar o amor e a presença de Deus no nosso lar.

Louvado seja Deus!

Fica limpo. Comentário para os esposos: Marcos 1, 40-45

Leitura do Santo Evangelho segundo S. Marcos 1, 40-45

Um leproso veio ter com Ele, caiu de joelhos e suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me.» Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.» Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado. E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo:«Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.»

 

Fica limpo.

No povo judeu, os leprosos estavam totalmente desamparados; ninguém os queria e eram excluídos de tudo. No entanto, Jesus acolhe‑os, compadece‑se deles e purifica‑os. Peçamos ao Senhor, com a mesma fé do leproso, que — se for da Sua vontade — nos purifique também. A ti e a mim igualmente: seja qual for a nossa situação, Deus está sempre à nossa espera para nos acolher e, na Sua eterna misericórdia, compadecer‑Se de nós.
Não é necessário chegar ao limite para nos voltarmos para Ele; não esperemos pela dificuldade para nos lembrarmos da Sua misericórdia. Ama‑nos com uma intensidade infinita e podemos aproximar‑nos d’Ele com confiança, pedindo‑Lhe aquilo de que precisamos — Ele sabe melhor do que nós.
O Senhor quer purificar o meu matrimónio e, através da graça do sacramento, dá‑me a conhecer aquilo de que o meu marido/minha mulher precisa. Sempre que ele me pedir, devo conceder‑lhe, porque estamos chamados a entregar‑nos totalmente, renunciando ao nosso próprio critério e acolhendo o marido/mulher na sua necessidade.
Não desperdicemos a oportunidade de nos entregarmos ao nosso marido/mulher em tudo o que ele nos pedir, tornando presente entre nós o amor de Deus. 

Transposição para a vida Matrimonial
João: Olá! Já estou em casa.
Rosa: Olá, João, que bom, estávamos à tua espera um pouco mais tarde.
João: Sim, por isso é que vim mais cedo; ultimamente atraso‑me mais do que devia e sei que precisas que eu chegue antes para passar mais tempo contigo e com as crianças.
Rosa: Agradeço‑te muito, a verdade é que preciso de ti em casa, principalmente para passarmos mais tempo juntos, e dou graças a Deus pelo teu esforço.
João: Bem, descansa agora, que vou preparar o jantar para depois fazermos a oração conjugal com mais tranquilidade.
Rosa: Não te preocupes, os miúdos e eu adiantámo‑nos a prepará‑lo para quando chegasses. Falta um bocadinho porque não te esperávamos tão cedo.
João: És maravilhosa, Rosa, não te escapa nada e estás sempre atenta ao que preciso, apesar de eu nem sempre corresponder.
Rosa: Não te esqueças de que o faço porque te amo e não preciso de nada em troca. Além disso, tu também fizeste um esforço para chegar mais cedo a pensar em mim.
João: Tens razão. É incrível ver como cada um renuncia pensando nas necessidades do outro. Somos muito afortunados.
Rosa: É verdade, depois continuamos a dar graças durante a nossa oração conjugal. Vou terminar o jantar e já te chamo.
João: Obrigado!
Mãe

Ensina‑nos a ter fé suficiente para pedir, com confiança, ao teu Filho que purifique os nossos corações e para cumprirmos sempre, com humildade, a Sua vontade. Bendito seja Deus.