
Arquivo mensal: Dezembro 2025
Profetas do Amor Conjugal. Comentário para os esposos: Lucas 2, 36- 40

Rumo ao Templo. Comentário para os esposos: Lucas 2,22-35
Leitura do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
2,22-35
Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».
Rumo ao Templo
O casamento não é um simples projecto humano de convivência, mas sim um “Sacramento Primordial”, no qual o amor dos cônjuges torna visível o amor invisível de Deus.
Apresentar o nosso “projecto de amor” no Templo (como fizeram Maria e José) significa reconhecer que a nossa união não nos pertence, mas é uma missão que Deus realiza através dos nossos corpos e das nossas almas.
Muitas vezes tratamos o nosso casamento como um plano de carreira, ou como uma lista de objectivos. Mas, pelo contrário, se o virmos como um dom recebido, apresentar esse projecto é dizer a Deus: “Tu és o Autor da nossa história”, e nós somos os administradores deste amor.
Simeão anuncia uma espada. No casamento, essa espada deve cortar o nosso egoísmo e as nossas expectativas humanas, para que o amor amadureça e chegue a ser de entrega total. O projecto de Deus em nós é ainda maior, e mais exigente, do que o nosso próprio conforto.
Os cônjuges podem narrar uma história divina: a nossa entrega física e a nossa vida quotidiana são a “linguagem” com a qual Deus fala ao mundo. Um sinal de contradição nesta sociedade, na qual o amor nos é proposto como uma troca de egoísmos e que tanto sofrimento está a causar.
Transposição para a vida matrimonial:
Xavier: Marta, apercebo-me de que, nestes dias, tenho andado muito tenso a tentar que “o nosso” projecto saia perfeito. Tenho tratado o nosso casamento como se fosse uma empresa que eu tenho de levar em frente, sozinho.
Marta: Compreendo-te. Eu também sinto que nos esquecemos de que não somos duas pessoas que se “usam” para serem felizes, mas duas pessoas que se “doam”, sinal do amor de Deus. Estamos a apresentar o nosso futuro no Templo? Ou estamos a condicioná-lo à nossa própria vontade?
Xavier: É verdade. Maria e José entregaram Jesus sabendo que Ele não era “deles”. Impressiona-me que Simeão lhes diga que Ele será um “sinal de contradição”. Penso que o nosso projecto de amor não será o de ter a vida perfeita que o Instagram espera, mas sim, ser esse sinal de amor fiel em que o mundo já não acredita.
Marta: Essa é a “espada” agora para nós, não é? Dói largar o controlo e aceitar que o projecto de Deus em nós pode incluir sacrifícios que não planeámos. Mas se entregarmos as nossas vidas, os nossos corpos, o nosso tempo, como uma oferta no Templo, já não temos de carregar o peso de “ter sucesso”. Só temos de ser fiéis.
Xavier: Então, façamos o que eles fizeram. Senhor, apresentamos-Te o nosso casamento. Não é nosso, é Teu. Dá-nos a luz de Simeão para reconhecermos a Tua passagem na nossa vida quotidiana, e a fortaleza de Maria para aceitarmos que o Teu plano é sempre melhor do que o nosso esquema de segurança.
Mãe,
Que o nosso amor seja também “luz para iluminar as nações”.
Louvado seja Deus!

Confiança em Deus. Comentário para os esposos: Mateus 2, 13-15.19-23
Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus 2, 13-15.19-23
Depois dos Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e a sua Mãe e foge para o Egito e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar».
José levantou-se de noite, tomou o Menino e a sua Mãe e partiu para o Egito e ficou lá até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo Profeta: «Do Egito chamei o Meu filho».
Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e a sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram».
José levantou-se, tomou o Menino e a sua Mãe e voltou para a terra de Israel. Mas, quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar para uma cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o que fora anunciado pelos Profetas: «Há-de chamar-Se Nazareno».
Confiança em Deus
Hoje, ao celebrarmos o dia da Sagrada Família, é precioso ver a comunhão que existia entre José e Maria, e deles com Deus. Perante os sinais que lhes chegavam através das mediações, ambos agiam com prontidão e unidos, seguindo o Plano de Deus, com total confiança.
O nosso matrimónio está chamado a ser assim um dia, numa comunhão cada vez mais perfeita. O que é que impede que a alcancemos? O nosso pecado. Cada vez que nos deixamos levar pelas nossas paixões, apegos; cada vez que me escolho a mim em vez do plano de Deus no dia-a-dia, no concreto, afastamo-nos um pouco. E assim até que tudo se quebra.
Mas, se agirmos acreditando que tudo faz parte do Plano de Deus, que cada dia está cheio de detalhes, de mediações para crescer e avançar, oportunidades como escolher o que agrada ao meu esposo em vez do que me agrada a mim, recusar ir beber uns copos com os amigos ou tomar café com as amigas para estar com a minha família, acolher o meu esposo quando está cansado ou mal-humorado, fazer a comida, arrumar a mesa… Todas as mediações, agradáveis ou desagradáveis, para me unir a Jesus, que vem entregar-Se por nós. Então, o nosso matrimónio voa em direcção a Ele e vivemos um pedacinho do Céu na terra.
Transposição para a vida matrimonial:
João Carlos: Bia, tenho de confessar que não me apetece nada ir almoçar com o grupo. Cada dia sinto-me mais afastado deles.
Bia: Já sei, Carlos, a mim também não me apetece muito estar a falar de roupa e de modelos, mas acho que é bom irmos. O Senhor quer-nos no mundo sem sermos do mundo.
João Carlos: É verdade, temos de levar a Sua luz e o Seu calor aos corações frios, e os nossos amigos precisam muito que lhes mostremos o que o Senhor fez connosco.
Bia: Exato, além disso, da última vez a Adela mostrou-se muito interessada em saber o que nos tinha mudado tanto e porque agora nos via tão bem.
João Carlos: Agora que falas nisso, mais do que um comentou o mesmo comigo.
Bia: E o que lhes disseste?
João Carlos: Disse que o Senhor estava a conquistar o nosso coração e o nosso matrimónio e que agora via a minha mulher como essa ajuda que Deus me tinha dado, e isso ajudava-me a amar-te mais.
Bia: Que bonito! É por isso que temos de ir e ser luz no meio dessa escuridão, mesmo que não nos apeteça.
João Carlos: Pois é, não creio que a Maria tivesse muita vontade de ir para o Egito, mas foi, porque sabia que era vontade de Deus. A nós pede-nos ir almoçar fora e queixamo-nos. Por isso, nada de queixas! Mas primeiro vamos à Eucaristia, para irmos com o coração cheio do Senhor.
Mãe,
Cobre com o teu manto as nossas famílias, para que sejam famílias alegres e luminosas que reflitam a luz do Senhor. Bendito e louvado sejas para sempre, Senhor!

Coração apaixonado. Comentário para os esposos: João 20,1a 2-8
Evangelho do dia
Leitura do Santo Evangelho segundo São João 20, 1a. 2-8
No primeiro dia da semana, Maria Madalena, correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.»
Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer.
Coração apaixonado
Mesmo no meio da escuridão, Maria Madalena corre. Corre porque o seu coração arde de amor, de fé e de um profundo desejo de se encontrar com o Esposo, reconhecendo que o encontro com Cristo é o mais importante, aquilo que dá sentido e plenitude à sua vida. Não se deixa deter pela confusão, pelo medo ou pela incerteza; o seu impulso nasce do amor que tudo espera e tudo sustenta. Cada um dos seus passos recorda-nos que o amor verdadeiro entre os esposos exige decisão, entrega e perseverança, não esperar condições perfeitas para que aconteça o encontro, mas, apesar da escuridão, dos momentos de prova, das incompreensões, das traições, dos silêncios entre nós, os esposos, devemos confiar. Tal como Maria Madalena correu para o sepulcro, também nós somos chamados a correr para o nosso cônjuge e, juntos, para Cristo, conscientes de que Ele renova a nossa vida. Ao chegar ao sepulcro e encontrar os lençóis vazios, Maria Madalena alcança a sua meta: o encontro com Cristo ressuscitado. Que bonito é, para nós esposos, ver que, quando entregamos o nosso coração com generosidade e fidelidade, o amor se renova, traz alegria e transforma a vida quotidiana numa experiência de Graça.
Transposição para a vida matrimonial
Marta: Jorge, a verdade é que estes dias de Natal têm sido de uma tensão tremenda. Custa-me tanto acolher a tua mãe quando me está a corrigir porque a comida não está feita ao seu gosto, porque os miúdos não estão a ser educados como ela quer… A sério que não a suporto e, ainda por cima, tu ficas calado e isso é o que me irrita ainda mais.
Jorge: Marta, vejo que tu te enches de raiva e crias momentos muito incómodos, a tua cara diz tudo e a tensão que geras é enorme.
Marta: Ah, queres dizer que sou eu que gero as situações incómodas? Olha, Jorge, se a tua mãe estivesse mais caladinha e fosse mais agradecida pelo que faço por eles, de certeza que essas situações tão incómodas não aconteceriam e o ambiente seria muito mais agradável.
Jorge: Marta, tens razão que a minha mãe não é muito acertada nos comentários, mas se há algo que estamos a aprender neste caminho é que temos de nos entregar; é aí que o Senhor nos pede para dar mais amor, abraçar esses momentos de dificuldade e amar, e assim conseguiremos que o nosso lar seja um reflexo da alegria do nascimento do Menino Jesus.
Marta: Jorge, obrigada por me fazeres ver que nesses momentos de raiva só penso em mim… tens mesmo razão! Só posso dar graças a Deus por te ter e por me pôr na verdade, ensinando-me que juntos podemos transformar cada dificuldade numa oportunidade para amar de verdade.
Jorge: És tão bonita, Marta, gosto mesmo de ver como juntos conseguimos ajudar-nos para que a nossa vida quotidiana se encha de graça e alegria.
Marta: Jorge, no dia de Ano Novo prometo que me vou entregar e amar de verdade os teus pais e, se vires que a minha cara não transmite alegria, lembra-me disso com carinho.
Jorge: Assim farei, meu amor.
Mãe,
Ensina-nos a descansar nas nossas dificuldades no lado aberto do teu Filho e a confiar n’Ele como fez São João. Bendito e louvado sejas para sempre, Senhor.

